Levonorgestrel: o que é, para que serve e como usar

novembro 2022
  1. Para que serve
  2. Como usar
  3. Efeitos colaterais
  4. Contra-indicações

O levonorgestrel é um hormônio indicado para prevenir a gravidez, encontrado na pílula do dia seguinte como contraceptivo de emergência usado após o contato íntimo desprotegido ou nos casos de falha do método anticoncepcional normalmente utilizado, como acontece quando o preservativo estoura ou a pílula anticoncepcional foi esquecida.

Esse hormônio, também pode ser encontrado associado a outros hormônios, como o etinilestradiol, nas pílulas combinadas de uso diário, ou ainda no no dispositivo intra uterino hormonal (DIU), que libera pequenas quantidades de levonorgestrel de forma constante no útero, impedindo a ovulação e aumentando a espessura do muco cervical, tornando mais difícil o espermatozoide alcançar o útero, prevenindo a gravidez.

O levonorgestrel deve ser usado com indicação do ginecologista, pois a forma de usar varia de acordo com a quantidade de levonorgestrel presente na sua composição, ou outros hormônios associados presentes na fórmula. Além disso, no caso do DIU hormonal, deve ser colocado no útero pelo ginecologista.

Para que serve

O levonorgestrel é indicado para prevenir a gravidez nas seguintes situações:

  • Contraceptivo de emergência, no caso da pílula do dia seguinte;
  • Anticoncepcional de uso diário, associado a outro hormônio, o etinilestradiol;
  • Terapia de reposição hormonal, associado ao valerato de estradiol;
  • Dispositivo intra uterino (DIU) hormonal.

Além disso, no caso do DIU hormonal, conhecido como DIU Mirena, o levonorgestrel também pode ser indicado para o tratamento do sangramento menstrual excessivo, endometriose, ou proteção contra o crescimento excessivo do revestimento interno do útero, durante a terapia de reposição hormonal, por exemplo.

Embora o levonorgestrel seja indicado como método contraceptivo de uso diário ou de emergência, para prevenir uma gravidez indesejada, esse hormônio não protege contra infecções sexualmente transmissíveis (IST´s), sendo importante sempre utilizar camisinha em todas as relações sexuais. Confira as principais IST´s.

Como usar

A forma de usar o levonorgestrel varia de acordo com sua apresentação e quantidade de hormônio na sua composição, e inclui:

1. Pílula do dia seguinte

A pílula do dia seguinte contém 1,5 mg de levonorgestrel indicado como contraceptivo de emergência após a relação sexual desprotegida ou falha do anticoncepcional de uso habitual.

A dose recomendada é de 1 comprimido de 1,5 mg em dose única, tomada o mais breve possível, em um período de até 72 horas, após o contato íntimo desprotegido, pois após esse período a eficácia da pílula do dia seguinte diminui significativamente.

A pílula do dia seguinte age atrasando ou inibindo a ovulação, quando utilizado na primeira fase no ciclo menstrual, ou alterando a mobilidade do espermatozoide e do óvulo na tuba uterina, diminuindo o risco de fecundação e posterior implantação no útero, quando usado na segunda fase do ciclo menstrual, que é a fase ovulatória. Entenda como funciona a pílula do sia seguinte e como tomar corretamente.

2. Anticoncepcional de uso diário

O levonorgestrel no anticoncepcional de uso diário, geralmente está associado a outro hormônio, o etinilestradiol, sendo encontrado em diferentes dosagens, com os nomes Microvlar, Ciclo 21, Nordette ou Nociclin, por exemplo.

A forma de usar o anticoncepcional de uso diário de levonorgestrel e etinilestradiol é tomar 1 comprimido por dia, sempre no mesmo horário, seguindo a direção das setas, até o fim da cartela, que possui 21 comprimidos.

Depois da ingestão dos 21 comprimidos, deve-se fazer uma pausa de 7 dias, sendo que a menstruação deve ocorrer dentro de 2 a 3 dias após a ingestão do último comprimido. A nova cartela deve ser iniciada no 8º dia após a pausa, independentemente da duração da menstruação.

3. DIU hormonal

O DIU hormonal contendo levonorgestrel, conhecido como DIU Mirena, é inserido pelo ginecologista no consultório, sendo colocado após um exame ginecológico, até 7 dias após o primeiro dia da menstruação, ou em qualquer momento do ciclo menstrual, desde que se tenha certeza de que a mulher não está grávida.

Após a colocação do DIU hormonal de levonorgestrel, deve-se evitar relações sexuais pelo menos nas primeiras 24 horas, para que o organismo possa adaptar-se ao novo método contraceptivo.

É recomendado voltar ao ginecologista após 4 a 12 semanas após colocar o DIU hormonal, e pelo menos, 1 vez ao ano, para realizar exames e verificar se o DIU se encontra na posição correta. Veja como funciona e todos os cuidados após a colocação do DIU hormonal.

4. Terapia de reposição hormonal

O levonorgestrel para terapia de reposição hormonal na menopausa é encontrado em associação com outro hormônio, o valerato de estradiol, com o nome Cicloprimogyna, e deve ser usado somente com orientação do ginecologista. Saiba como é feita a terapia de reposição hormonal.

A cartela de levonorgestrel + valerato de estradiol possui 11 comprimidos brancos, contendo 2 mg valerato de estradiol, e 10 comprimidos pardo-avermelhados, contendo o 2 mg de valerato de estradiol e 0,25 mg de levonorgestrel.

A forma de usar o levonorgestrel + valerato de estradiol é tomar 1 comprimido branco por dia durante 11 dias seguidos, e depois 1 comprimido pardo-avermelhado por dia, durante 10 dias seguidos.

Os comprimidos devem ser tomados com um copo de água, sempre no mesmo horário, seguindo a direção numérica, até o fim da cartela, que possui 21 comprimidos. Após os 21 dias de uso, deve-se fazer ma pausa de 7 dias, e iniciar outra cartela no 8º dia após a pausa.

Possíveis efeitos colaterais

Os efeitos colaterais mais comuns que podem ocorrer durante o uso do levonorgestrel são náuseas, dor abdominal, dor de cabeça, depressão, alterações do humor, dor ou aumento da sensibilidade das mamas, vômitos, diarreia, retenção de líquidos, ou diminuição do desejo sexual.

No caso da pílula do dia seguinte, a mulher poder sentir outros sintomas como, pequeno sangramento vaginal que não está relacionado com a menstruação, ou atraso da menstruação, que pode surgir 5 a 7 dias depois da data esperada. Saiba mais sobre os efeitos colaterais da pílula do dia seguinte.

Já no caso do DIU hormonal, também podem surgir aumento do fluxo menstrual, ausência de menstruação, cistos benignos nos ovários, vulvovaginite, acne, corrimento vaginal, alterações de humor, nervosismo ou instabilidade emocional.

O levonorgestrel engorda?

Um dos efeitos colaterais mais comuns do tratamento com o levonorgestrel é o aumento do peso corporal ou inchaço do corpo devido a retenção de líquidos, o que leva também ao aumento do peso. No entanto, esse efeito varia de mulher para mulher, existindo até casos em que acontece uma diminuição do peso corporal.

Quem não deve usar

O levonorgestrel não deve ser usado em mulheres nas seguintes situações:

  • Gravidez ou suspeita de gravidez;
  • Amamentação;
  • Histórico atual ou anterior de trombose venosa profunda ou tromboembolismo;
  • Histórico atual ou anterior de infarto, angina ou dor no peito;
  • Histórico atual ou anterior de enxaqueca;
  • Derrame cerebral ou estreitamento dos vasos que sustentam o coração;
  • Doença das válvulas do coração ou dos vasos sanguíneos;
  • Diabetes associada a doença vascular;
  • Pressão alta;
  • Câncer de mama ou outro câncer estrogênio-dependente confirmado ou suspeito;
  • Sangramento uterino anormal não identificado;
  • Tumor glandular benigno;
  • Câncer do fígado, hepatite aguda ou distúrbios do fígado;
  • Uso de remédios como ombitasvir, paritaprevir ou dasabuvir.

Além disso, o levonorgestrel não deve ser usado por crianças, idosas, homens, ou mulheres que tenham alergia a qualquer componente do comprimido. Conheça outros métodos contraceptivos para evitar a gravidez.

O DIU hormonal de levonorgestrel também não deve ser usado em caso de doença inflamatória pélvica ou recorrente, infecção do trato genital inferior, endometrite pós-parto, aborto nos últimos 3 meses, cervicite, displasia cervical, câncer de útero ou cervical, ou leiomiomas uterinos.

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Atualizado e revisto clinicamente por Flávia Costa - Farmacêutica, em novembro de 2022.

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Revisão clínica:
Flávia Costa
Farmacêutica
Formada em Farmácia pelo Centro Universitário Newton Paiva em 2003. Mestre em Ciências Biomédicas pela UBI, Portugal.