Pílula do dia seguinte: quando, como tomar e outras dúvidas comuns

Drª. Sheila Sedicias
Revisão médica: Drª. Sheila Sedicias
Ginecologista
Janeiro 2022
Índice
  1. Como funciona
  2. Como tomar
  3. Quando tomar
  4. Contraindicações
  5. Dúvidas comuns

A pílula do dia seguinte é um método contraceptivo de emergência que pode ser usado após uma relação sexual em que o método contraceptivo habitual falhou, como acontece mais frequentemente no caso do preservativo, ou quando o método é esquecido, como acontece no caso da pílula anticoncepcional.

A pílula pode ser composta por levonorgestrel ou por acetato de ulipristal, que funcionam atrasando ou inibindo a ovulação. As pílulas contendo levonorgestrel podem ser usadas até 3 dias após a relação sexual, enquanto as pílulas que contêm acetato de ulipristal podem ser usadas até 5 dias após a relação sexual desprotegida. No entanto, como a eficácia da pílula diminui à medida que os dias passam, é aconselhado tomar com a maior brevidade possível.

A pílula do dia seguinte pode ser comprada nas farmácias e não necessitam de receita médica.

Como funciona

A pílula do dia seguinte atua inibindo ou adiando a ocorrência da ovulação, diminuindo a chance de fecundação do espermatozoide e ocorrência de gravidez, desde que tomada na primeira fase do ciclo menstrual.

Além disso, a pílula do dia seguinte, quando tomada na segunda fase do ciclo menstrual, que corresponde à fase ovulatória, atua alterando a mobilidade do espermatozoide e do óvulo na tuba uterina, diminuindo o risco de fecundação e posterior implantação no útero. Essa pílula também pode alterar o muco cervical, o que interfere na migração do espermatozoide até a trompa, dificultando o contato entre o espermatozoide e o óvulo.

Apesar disso, a pílula do dia seguinte não tem efeito após a implantação do óvulo fecundado no útero.

Como tomar a pílula do dia seguinte

É recomendado que a pílula do dia seguinte seja tomada logo após o contato íntimo ou até no máximo 72 horas depois da relação sexual desprotegida, pois assim é possível garantir o seu efeito, ou seja, de prevenir o desenvolvimento da gravidez.

Em casos de vômito ou diarreia após o uso da pílula do dia seguinte, é importante que um outro comprimido seja tomado para que seja possível haver efeito. Caso esteja sendo feito o uso de pílulas anticoncepcionais, não é necessário interromper o uso.

Quando tomar

A pílula do dia seguinte deve ser usada em casos de emergência, sempre que existir o risco de uma gravidez indesejada, sendo recomendada nas seguintes situações:

  • Relação sexual sem preservativo ou rompimento do preservativo. Confira outros cuidados que se deve ter ao ter relação sexual sem camisinha;
  • Esquecimento da toma da pílula contraceptiva regular, especialmente se o esquecimento ocorreu mais do que 1 vez na mesma cartela. Confira, também, os cuidados após esquecer de tomar o anticoncepcional;
  • Expulsão do DIU;
  • Deslocamento ou retirada do diafragma vaginal antes de tempo;
  • Casos de violência sexual.

Para que a gravidez possa ser evitada, a pílula do dia seguinte deve ser tomada o mais rápido possível, após o contato íntimo desprotegido ou falha do método contraceptivo usado regularmente.

Possíveis efeitos colaterais

Após o uso da pílula do dia seguinte, a mulher pode sentir dor de cabeça, enjoos e cansaço, além de também poder sentir após alguns dias dor nas mamas, dor abdominal, pequeno sangramento vaginal que não está relacionado com a menstruação, diarreia, vômitos e atraso da menstruação, que pode surgir 5 a 7 dias depois da data esperada.

Estes sintomas estão relacionados aos efeitos colaterais do medicamento e é normal que a menstruação fique desregulada por algum tempo. O ideal é observar estas alterações e se possível anotar na agenda ou no celular as características da menstruação, para poder mostrar ao ginecologista numa consulta. Saiba mais sobre os efeitos colaterais da pílula do dia seguinte.

Quando não é indicada

A pílula do dia seguinte não deve ser tomada por mulheres grávidas ou com suspeita de gravidez, e nem por mulheres em fase de amamentação. Também é importante ter atenção com quem toma Efavirenz, que é um medicamento capaz de reduzir a eficácia da pílula em até 50%.

Além disso, existem outros fármacos que podem reduzir a eficácia da pílula e que por isso a pílula não deve ser consumida quando a mulher está fazendo tratamento com esses medicamentos, como os barbitúricos, fenitoína, carbamazepina, rifampicina, ritonavir, rifabutina e griseofulvina.

11 dúvidas comuns sobre a pílula do dia seguinte

As dúvidas mais comuns sobre a pílula do dia seguinte são:

1. Posso engravidar mesmo tomando a pílula do dia seguinte?

Apesar de ser indicada para evitar a gravidez indesejada, a pílula do dia seguinte não é 100% eficaz se for tomada após 72 horas da relação sexual. Mas quando ela é tomada no mesmo dia, é pouco provável que a mulher engravide, no entanto, existe essa possibilidade.

O mais sensato é esperar alguns dias até a vinda da menstruação, e em caso de atraso pode-se fazer um teste de gravidez que se compra na farmácia.

2. Quais são os efeitos secundários da pílula do dia seguinte na menstruação?

Um dos efeitos colaterais da pílula do dia seguinte é a alteração da menstruação. Assim, após tomar a pílula, a menstruação poderá ocorrer até 10 dias antes ou depois da data esperada, mas na maior parte dos casos, a menstruação ocorre na data esperada com uma variação de cerca de 3 dias para mais ou para menos. No entanto, caso o atraso se mantenha, pode-se fazer um teste de gravidez.

3. A pílula do dia seguinte aborta? Como funciona?

A pílula do dia seguinte não aborta porque ela pode funcionar de diferentes formas, dependendo da fase do ciclo menstrual em que for utilizada, podendo:

  • Inibir ou retardar a ovulação, o que evita a fecundação do óvulo pelo espermatozoide;
  • Aumentar a viscosidade do muco vaginal, dificultando a chegada do espermatozoide ao óvulo.

Assim, se já tiver ocorrido ovulação ou se o óvulo já tiver sido fecundado, a pílula não impede o desenvolvimento da gravidez.

4. A pílula do dia seguinte causa infertilidade?

Não existe nenhuma comprovação científica de que o uso esporádico dessa pílula possa causar infertilidade, má formação do feto ou gravidez ectópica.

5. A pílula do dia seguinte altera o funcionamento do anticoncepcional?

Não, por isso a pílula anticoncepcional deve continuar sendo tomada regularmente, no horário habitual, até o final da cartela. Após o fim da cartela deve esperar o início da menstruação e, se a menstruação não acontecer, é recomendado consultar o ginecologista.

6. A pílula do dia seguinte funciona no período fértil?

A pílula do dia seguinte tem efeito em todos os dias do mês, no entanto, esse efeito pode ser menor durante o período fértil, especialmente se já ocorreu ovulação antes de se tomar o comprimido.

Isto acontece porque a pílula do dia seguinte atua inibindo ou atrasando a ovulação e, se ela já tiver ocorrido, a pílula já não vai exercer esse efeito. No entanto, a pílula do dia seguinte também dificulta a passagem do óvulo e do espermatozoide pelas tubas uterinas e dificulta a penetração do espermatozoide no muco cervical, podendo, em alguns casos, impedir a gravidez por este mecanismo.

7. O que acontece se após o uso da pílula do dia seguinte houver relação sexual desprotegida?

Se a pessoa tiver tomado a pílula do dia seguinte como método contraceptivo de emergência e no dia seguinte ter voltado a ter relação sexual desprotegida, há risco de engravidar. Isso acontece devido ao fato dessa pílula não funcionar como um método contraceptivo normal, o que ela faz é inibir ou atrasar a ovulação, o que pode ter ocorrido após o uso da pílula.

O ideal é que a mulher converse com o seu ginecologista e comece a tomar um anticoncepcional.

8. O que acontece se 2 ou 3 pílulas do dia seguinte forem tomadas em 1 mês?

Caso seja tomada mais de uma pílula do dia de seguinte no mês, é possível haver perda do seu efeito contraceptivo. Além disso, é importante destacar que essa pílula só deve ser utilizada de forma esporádica, pois contém uma dose muito alta de hormônios, podendo causar irregularidades no ciclo menstrual e, por isso, só está indicada para situações de emergência e não como um método contraceptivo frequente.

Caso seja utilizada mais de 2 vezes no mês, a pílula do dia seguinte pode aumentar o risco do surgimento de doenças como trombose, embolia pulmonar, câncer de mama e câncer de útero.

9. Existe alguma consequência de tomar a pílula do dia seguinte durante a menstruação?

Até o momento não foram registradas consequências do uso da pílula do dia seguinte durante a menstruação.

10. Quando a menstruação chega depois de ter tomado a pílula?

Um dos efeitos secundários frequentes da pílula do dia seguinte é atrasar a menstruação, que poderá iniciar de 5 a 7 dias depois da data esperada.

11. Qual a eficácia da pílula do dia seguinte?

De acordo com um estudo desenvolvido em 2011, uma única dose de 1,5 miligramas de levonorgestrel, tomada dentro das 72 horas após a relação sexual desprotegida, evita cerca de 84% das gestações.

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Atualizado por Karla S. Leal, Nutricionista - em Janeiro de 2022. Revisão médica por Drª. Sheila Sedicias, Ginecologista - em Fevereiro de 2016.

Bibliografia

  • MINISTÉRIO DA SAÚDE. Anticoncepção de emergência: perguntas e respostas para profissionais de saúde. 2005. Disponível em: <https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/caderno3_saude_mulher.pdf>. Acesso em 17 Dez 2021
  • AGENCIA ESPAÑOLA DE MEDICAMENTOS Y PRODUCTOS SANITARIOS. Ficha técnica Postinor 1,5 mg comprimido. Disponível em: <https://cima.aemps.es/cima/dochtml/ft/67515/FT_67515.html>. Acesso em 23 Set 2021
Revisão médica:
Drª. Sheila Sedicias
Ginecologista
Médica mastologista e ginecologista formada pela Universidade Federal de Pernambuco, em 2008 com registro profissional no CRM PE 17459.

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