Ferida na língua ou garganta: 5 principais causas e o que fazer

Revisão médica: Dr. Gonzalo Ramirez
Clínico Geral e Psicólogo
agosto 2022

As feridas na língua ou na garganta podem acontecer como consequência do uso de medicamentos ou ser indicativo de estomatite aftosa, que é uma situação caracterizada pelo aparecimento de aftas mais de duas vezes por mês.

Além disso, as feridas na garganta ou na língua podem ser consequência da candidíase oral, leucoplasia oral ou herpes labial, sendo normalmente acompanhada por outros sintomas, como inchaço local, manchas brancas na boca e dificuldade para engolir, por exemplo.

Assim, na presença de feridas na língua e/ ou na garganta, é importante que o dentista, clínico geral ou gastroenterologista seja consultado para que seja feita uma avaliação e, assim, ser possível iniciar o tratamento mais adequado.

As principais causas de feridas na língua ou na garganta são:

1. Uso de medicamentos

O uso de alguns medicamentos pode provocar uma sensação de ardência na boca como efeito colateral, que normalmente causa muita dor na língua, palato, gengiva, dentro das bochechas e garganta, podendo permanecer durante todo o tratamento.

O que fazer: é importante que o medicamento responsável pela ardência na boca seja identificado para que o médico possa avaliar a possibilidade de suspender, trocar ou alterar a dose do medicamento.

2. Candidíase oral

A candidíase oral é uma infecção causada pelo fungo Candida albicans, que pode proliferar na boca e/ ou na garganta e causar sintomas como manchas ou placas brancas na boca, dor de garganta, dificuldade para engolir e rachaduras nos cantos da boca.

A candidíase oral normalmente se desenvolve quando o sistema imunológico está mais frágil e, por isso, é mais frequente em bebês ou pessoas imunodeprimidas, como aquelas com AIDS, que estejam a fazer tratamento de câncer, com diabetes mellitus ou idosos, por exemplo. Conheça mais sobre a candidíase oral.

O que fazer: o tratamento para candidíase oral deve ser feito de acordo com a orientação do médico, que normalmente indica o uso de antifúngicos em forma de líquido, creme ou gel, como a nistatina ou o miconazol, na região afetada da boca. Veja mais detalhes do tratamento para candidíase oral.

3. Estomatite aftosa

A estomatite aftosa é uma situação caracterizada pela presença de aftas, bolhas e feridas na boca que podem surgir mais de duas vezes por mês. As aftas aparecem como pequenas lesões de cor branca ou amarelada com a borda vermelha, podendo surgir na boca, língua, áreas internas das bochechas, lábios, gengiva e garganta. Saiba como identificar a estomatite aftosa.

Este problema pode surgir devido a sensibilidade a algum tipo de alimentos, deficiência em vitamina B12, mudanças hormonais, estresse ou sistema imune enfraquecido.

O que fazer: é importante que o dentista ou clínico geral seja consultado para que seja indicado o tratamento mais adequado, que tem como objetivo aliviar os sintomas de dor e desconforto e promover a cicatrização das feridas. Para isso, o médico ou dentista pode indicar o uso de remédios anti-inflamatórios, anestésicos e, em alguns casos, antibióticos, podendo ser também indicado o uso de elixir bucal para desinfetar a boca e aliviar a dor no local.

4. Herpes labial

O herpes labial é uma infecção causada por um vírus, que provoca lesões na forma de bolhas ou de crostas, que aparecem normalmente nos lábios, embora possam também desenvolver-se embaixo do nariz ou do queixo. Alguns dos sintomas que podem surgir são inchaço do lábio e surgimento de úlceras na língua e na boca, que podem causar dor e dificuldade para engolir. As bolhas do herpes labial podem estourar, permitindo que os fluídos contaminem outras regiões.

O que fazer: o herpes labial não tem cura, no entanto é possível controlar os sintomas e, assim, evitar o seu aparecimento. Assim, o médico pode indicar o uso de antiviral na forma de pomada, como o Aciclovir. Confira como é feito o tratamento para herpes labial.

5. Leucoplasia oral

A leucoplasia oral caracteriza-se pelo aparecimento de pequenas placas brancas que crescem na língua, podendo aparecer também no interior das bochechas ou das gengivas. Estas manchas normalmente não provocam sintomas e desaparecem sem que seja necessário tratamento.

A leucoplasia oral pode ser provocada por deficiência de vitaminas, má higiene oral, restaurações, coroas ou dentaduras mal adaptadas, uso de cigarro ou infecção por vírus HIV ou Epstein-Barr. Conheça mais sobre a leucoplasia oral.

O que fazer: é importante que o médico seja consultado para que seja feita uma avaliação e, assim, ser iniciado o tratamento mais adequado, que pode variar de acordo com a causa da leucoplasia oral. Caso haja suspeita de câncer de boca, pode ser recomendado pelo médico a remoção das células afetadas pelas manchas, através de uma pequena cirurgia ou crioterapia. Além disso, o médico pode ainda receitar medicamentos antivirais, como o valaciclovir ou fanciclovir, ou a aplicação de uma solução de resina de podofilo e tretinoína, por exemplo.

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Atualizado por Flávia Costa - Farmacêutica, em agosto de 2022. Revisão médica por Dr. Gonzalo Ramirez - Clínico Geral e Psicólogo, em agosto de 2022.

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Revisão médica:
Dr. Gonzalo Ramirez
Clínico Geral e Psicólogo
Clínico geral pela UPAEP com cédula profissional nº 12420918 e licenciado em Psicologia Clínica pela UDLAP nº 10101998.