Erisipela Bolhosa: o que é, sintomas, causas e tratamento

novembro 2022
  1. Sintomas
  2. Causas
  3. Tratamento
  4. Complicações

A erisipela bolhosa é um tipo de erisipela mais grave, normalmente causada por uma infecção pela bactéria Streptococcus Beta-hemolítico do grupo A, que penetra na pele através de feridas ou lesões, resultando em sintomas como feridas vermelhas e extensas na pele e bolhas com líquido transparente ou amarelado.

Esse tipo de erisipela afeta camadas mais profundas da pele, podendo, em alguns casos, provocar complicações e afetar a camada gordurosa ou até os músculos e causar acúmulo de pus, necrose da pele ou atingir a circulação sanguínea, provocando infecção generalizada.

O tratamento da erisipela bolhosa deve ser iniciado o mais rápidos possível para evitar complicações, sendo normalmente indicado pelo dermatologista antibióticos para combater a infecção, cremes para passar na pele afetada e melhorar os sintomas, e nos casos mais graves, internamento hospitalar para receber remédios na veia.

A erisipela bolhosa não é contagiosa, isto é, não passa de pessoa para pessoa.

Sintomas da erisipela bolhosa

Os principais sintomas da erisipela bolhosa são:

  • Feridas extensas na pele, inflamadas e dolorosas;
  • Bolhas na pele com líquido transparente, amarelo ou amarronzado;
  • Íngua na virilha, quando a ferida acomete as pernas ou os pés;
  • Dor, vermelhidão e inchaço da pele afetada;
  • Aumento da temperatura local;
  • Escurecimento da região afetada;
  • Febre, nos casos mais graves.

Quando a infecção piora, especialmente quando o tratamento não é feito da forma correta, é possível atingir camadas mais profundas da pele, como tecido subcutâneo e podendo, até, causar destruição dos músculos, como acontece na fasciíte necrotizante. Saiba mais sobre as características e como identificar a erisipela.

Além disso, se as lesões não forem tratadas rapidamente, é possível que as bactérias atinjam a circulação sanguínea, provocando infecção generalizada, o que pode colocar a vida em risco.

Por isso, é importante consultar o dermatologista ou o clínico geral sempre que surgirem os sintomas de erisipela bolhosa, para que seja iniciado o tratamento mais adequado imediatamente.

A erisipela bolhosa é contagiosa?

A erisipela bolhosa não é contagiosa, pois surge quando bactérias que já vivem na pele e no ambiente conseguem penetrar na pele através de uma ferida, uma picada de inseto ou frieiras nos pés, por exemplo.

No entanto, em alguns casos, quando a erisipela bolhosa não é tratada adequadamente e a pessoa apresenta feridas abertas, a bactéria pode ser transmitida para outras pessoas através do contato direto com a ferida, o líquido contido nas bolhas, ou roupas ou objetos contaminados.

Como confirmar o diagnóstico

O diagnóstico da erisipela bolhosa é feita pelo dermatologista ou clínico geral, através da avaliação dos sintomas, características da lesão e histórico de saúde.

Além disso, podem ser solicitados exames como hemograma para acompanhar a gravidade da infecção, e exames de imagem, como tomografia computadorizada ou ressonância magnética no caso de lesões que atingem camadas muito profundas, músculos ou ossos.

No caso do médico suspeitar de infecção generalizada, pode solicitar uma hemocultura, por exemplo, de forma a identificar qual bactéria está causando a infecção, e assim indicar o melhor antibiótico.

Outro exame que o médico pode solicitar é o exame de cultura do líquido contido nas bolhas, para avaliar a presença de bactérias e qual o seu tipo.

Possíveis causas

A erisipela bolhosa é causada por uma infecção pela bactéria Streptococcus beta-hemolítico do grupo A, também conhecida como Streptcoccus pyogenes, que penetra na pele através de pequenas lesões ou feridas, como picadas de inseto, arranhões, mordidas ou frieira nos pés, por exemplo.

Além disso, em alguns casos também pode ocorrer ao mesmo tempo uma infecção secundária na pele por bactérias, como Staphylococcus aureus, Proteus mirabilis, Pseudomonas aeruginosa ou Enterococcus faecalis, por exemplo.

Alguns fatores podem aumentar o risco de desenvolvimento da erisipela bolhosa, como:

A erisipela bolhosa é mais comum em pessoas com o sistema imune enfraquecido ou com má circulação, pois nestes casos as bactérias conseguem se proliferar mais facilmente na pele.

Como é feito o tratamento

O tratamento da erisipela bolhosa é feito com antibióticos receitados pelo dermatologista ou clínico geral, sendo que geralmente, a primeira escolha é a penicilina benzatina, ou cefalosporinas, nos caso da pessoa ser alérgica às penicilinas.

Além disso, durante o tratamento algumas medidas são importantes, como fazer repouso, aplicar compressas frias no local, manter o corpo hidratado e elevar as pernas para reduzir o inchaço.

No caso de erisipela de repetição, o médico pode indicar o tratamento com penicilina G benzatina a cada 21 dias, como forma de prevenção de novos quadros da doença. Veja mais sobre as formas de tratamento com antibióticos, pomadas e quando é necessário ficar internado no hospital.

Além disso, durante o tratamento da erisipela é recomendada a realização de curativos, pelo enfermeiro, com correta limpeza da lesão, remoção de secreções e tecidos mortos, além do uso de pomadas que ajudam no processo de cicatrização, como hidrocolóide, hidrogel, papaína ou colagenase, a depender das características da lesão de cada pessoa. Confira como fazer um curativo para feridas.

Possíveis complicações

A erisipela bolhosa é um tipo de erisipela mais grave, que pode causar algumas complicações, como abscesso na pele, infecções nos ossos ou articulações, gangrena, infecção generalizada ou infecções em válvulas cardíacas.

Dessa forma, o tratamento da erisipela bolhosa deve ser iniciado o mais rápido possível, com orientação do dermatologista ou clínico geral, e, assim, evitar complicações que podem colocar a vida em risco.

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Atualizado por Flávia Costa - Farmacêutica, em novembro de 2022. Revisão médica por Drª. Aleksana Viana - Dermatologista, em fevereiro de 2016.

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Revisão médica:
Drª. Aleksana Viana
Dermatologista
Especialista em Dermatologia pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, em 2007 com registro profissional no CRM/PE – 16907.