Corrimento na gravidez é normal? Causas, o que fazer (e quando ir ao médico)

novembro 2022

O corrimento é bastante normal na gravidez, especialmente quando é claro ou esbranquiçado, sendo apenas um sinal do aumento de estrogênios no corpo, assim como aumento da circulação na região pélvica. Este tipo de corrimento não precisa de tratamento específico, sendo apenas recomendado manter os cuidados de higiene habituais.

Porém, se o corrimento surgir com coloração diferente ou se tiver mau cheiro, é muito importante ir imediatamente ao hospital ou consultar rapidamente o obstetra, pois pode indicar a presença de algum problema que precise ser tratado, com uma infecção ou doença sexualmente transmissível.

Quando o corrimento é normal na gravidez

O corrimento na gravidez é considerado normal quando apresenta as seguintes características:

  • Transparente ou esbranquiçado;
  • Ligeiramente espesso, semelhante a muco;
  • Sem cheiro.

Qualquer alteração nestas características deve ser avaliada por um médico, já que pode indicar algum tipo de infecção, que precisa ser tratada adequadamente.

Causas de corrimento alterado na gravidez

O corrimento pode ser sinal de um problema de saúde quando é esverdeado, amarelado, tem cheiro forte ou causa algum tipo de dor.

As causas mais comuns de corrimento alterado na gravidez incluem:

1. Candidíase

A candidíase vaginal é uma infecção por fungos, mais especificamente o fungo candida albicans, que causa sintomas como corrimento esbranquiçado, semelhante a queijo cottage, coceira intensa na região genital e vermelhidão.

Este tipo de infecção é bastante comum na gravidez devido às alterações hormonais e, embora não afete o desenvolvimento do bebê no útero, precisa ser tratada para evitar que durante o parto o bebê seja contaminado com os fungos.

O que fazer: deve-se consultar o obstetra ou o ginecologista para iniciar o tratamento com pomadas ou comprimidos antifúngicos, como Miconazol ou Terconazol, por exemplo. No entanto, também se podem usar alguns remédios caseiros, como o iogurte natural, para aliviar os sintomas e acelerar o tratamento recomendado pelo médico.

2. Vaginose bacteriana

A vaginose é uma infecção vaginal bastante frequente, mesmo durante a gravidez, pois a alteração nos níveis de estrogênios facilita o desenvolvimento de fungos e bactérias, especialmente se não existir um higiene adequada da região.

Nestes casos, o corrimento apresenta-se ligeiramente cinza ou amarelado e com cheiro a peixe podre.

O que fazer: é preciso consultar o obstetra ou o ginecologista para confirmar o diagnóstico e iniciar o tratamento com antibióticos seguros para a gestação, como o Metronidazol ou a Clindamicina, por cerca de 7 dias. Veja mais sobre como é feito o tratamento desta infecção.

3. Gonorreia

Esta é uma infecção causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae que é transmitida através do contato sexual desprotegido com alguém contaminado e, por isso, pode surgir na gestação especialmente se se tiver contato com um parceiro infectado. Os sintomas incluem corrimento amarelado, do ao urinar, incontinência e presença de caroços na vagina, por exemplo.

Uma vez que a gonorreia pode afetar a gravidez, aumentando o risco de aborto, parto prematuro ou infecção do líquido amniótico, é muito importante iniciar rapidamente o tratamento. Veja que outras complicações podem surgir no bebê.

O que fazer: se existir suspeita de infecção com uma doença sexualmente transmissível é muito importante ir rapidamente ao hospital ou ao obstetra para fazer o diagnóstico e iniciar o tratamento, que neste caso é feito com o uso de antibióticos, como a Penicilina, Ofloxacina ou Ciprofloxacina.

4. Tricomoníase

A tricomoníase é outra doença sexualmente transmissível que também pode surgir na gravidez caso aconteça uma relação íntima sem preservativo. A tricomoníase pode aumentar o risco de parto prematuro ou baixo peso à nascença e, por isso, deve ser tratada o mais rápido possível.

Os sinais mais característicos desta infecção incluem corrimento esverdeado ou amarelado, vermelhidão na região genital, dor ao urinar, coceira e presença de pequenos sangramentos vaginais.

O que fazer: deve ir ao obstetra ou ginecologista para confirmar o diagnóstico e iniciar o tratamento com um antibiótico, como o Metronidazol, por cerca de 3 a 7 dias.

Saiba mais sobre o que pode ser cada cor de corrimento vaginal no vídeo a seguir:

Corrimento ou rompimento da bolsa?

Para diferenciar o corrimento vaginal do rompimento da bolsa deve-se levar em consideração a cor e a espessura do líquido, sendo que:

  • Corrimento: é viscoso e pode ter cheiro ou cor;
  • Líquido aminótico: é bastante fluido, sem cor ou um amarelo muito clarinho, mas sem cheiro;
  • Tampão mucoso: geralmente é amarelado, grosso, parecendo catarro ou pode ter vestígios de sangue, tendo uma coloração acastanhada sendo bastante diferentes dos corrimentos que a mulher já possa ter tido na vida. Mais detalhes em: Como identificar o tampão mucoso.

Algumas mulheres podem apresentar pequenas perda de líquido amniótico antes do trabalho de parto ter começado e, por isso, se houver suspeita de rompimento da bolsa é importante informar o obstetra para que ele a possa avaliar. Confira como identificar se está entrando em trabalho de parto.

Desta forma, é importante ficar atenta e colocar um absorvente para perceber a cor, a quantidade e a viscosidade da secreção, pois também pode ser sangue.

Quando ir no médico

É recomendado ir ao ginecologista sempre que a mulher apresentar os seguintes sintomas:

  • Corrimento com cor forte;
  • Corrimento com cheiro:
  • Dor e ardência ao urinar;
  • Dor durante o contato íntimo ou sangramento;
  • Quando há suspeita de perda de sangue pela vagina durante o parto;
  • Quando há suspeita de rompimento da bolsa.

Na consulta médica deve-se informar quando os sintomas começaram e mostrar a calcinha suja para que o médico confira a cor, cheiro e espessura do corrimento, para chegar ao diagnóstico e então indicar que providências se deve tomar.

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Atualizado por Manuel Reis - Enfermeiro, em novembro de 2022. Revisão médica por Drª. Sheila Sedicias - Ginecologista, em fevereiro de 2016.
Revisão médica:
Drª. Sheila Sedicias
Ginecologista
Médica mastologista e ginecologista formada pela Universidade Federal de Pernambuco, em 2008 com registro profissional no CRM PE 17459.

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