7 tipos de corrimento: cores, causas (e o que fazer)

novembro 2022
  1. Corrimento branco
  2. Corrimento cinza
  3. Corrimento amarelo
  4. Corrimento esverdeado
  5. Corrimento marrom
  6. Corrimento rosado
  7. Corrimento transparente

Quando o corrimento vaginal apresenta alguma cor, cheiro, consistência mais espessa ou diferente do costume, pode indicar a presença de alguma infecção vaginal como candidíase, tricomoníase, gonorreia, vaginose bacteriana, vaginite ou clamídia, por exemplo.

O corrimento normal costuma ser notado poucos dias antes da menstruação e é transparente, semelhante à clara de ovo e não tem cheiro.

Assim, caso seja verificada a presença de mau cheiro e corrimento de cor branca, amarela, verde, rosada, cinza ou marrom, é importante que o ginecologista seja consultado, principalmente se o corrimento estiver acompanhado por outros sintomas. Confira os principais sinais de que deve ir ao ginecologista. 

A tabela a seguir traz um breve resumo sobre as principais causas de cada tipo de corrimento vaginal:

 Tem cheiroNão tem cheiro
Corrimento branco

Vaginose bacteriana; Colpite

Ciclo menstrual; Candidíase

Corrimento amareloTricomoníase

Gonorreia; Clamídia

Corrimento esverdeado

Vaginose bacteriana (raro); Tricomoníase; Vulvovaginite

-
Corrimento marromCâncer cervical-
Corrimento cinzaVaginose bacteriana-
Corrimento rosa-Gravidez
Corrimento transparente-

Ciclo menstrual; Desbalanço hormonal; Aumento da lubrificação vaginal

1. Corrimento branco

O corrimento branco e espesso, tipo leite coalhado, pode ser acompanhado de outros sintomas como coceira, vermelhidão e sensação de queimação na região da vulva e da vagina, além de também poder ter mau cheiro, dependendo da causa do corrimento.

Principais causas: a principal causa do corrimento branco é a infecção pelo fungo Candida albicans, caracterizando a candidíase vaginal. No entanto, é possível que esse tipo de corrimento também esteja presente na vaginose bacteriana, que é uma situação em que alteração na microbiota vaginal, havendo maior proliferação de bactérias do gênero Gardnerella sp., podendo o corrimento ser acompanhado por um cheiro forte, semelhante ao cheiro de peixe podre.

Outra situação em que pode haver corrimento branco, é na colpite, que é uma inflamação do colo do útero e da vagina causada por protozoários, fungos ou bactérias e que leva ao corrimento esbranquiçado que pode ter um cheiro forte e desagradável.

Além de poder estar presente em infecções vaginais, o corrimento branco pode também fazer parte do ciclo menstrual normal da mulher devido às alterações hormonais características desse período. Conheça outras causas do corrimento branco.

Como tratar: é importante que seja identificada a causa do corrimento branco, pois caso esteja relacionado com o ciclo menstrual, não é necessário realizar tratamento. No caso de estar associado com infecções, é importante que seja identificado o agente infeccioso para que o médico possa indicar o melhor medicamento, podendo ser recomendado o uso de antibióticos ou antifúngicos na forma de pomada ou comprimido.

2. Corrimento cinza

O corrimento cinza é normalmente indicativo da vaginose bacteriana, que acontece devido a um desequilíbrio da microbiota vaginal, resultando na diminuição da quantidade de lactobacilos, que são as bactérias boas, e aumento da concentração de outras bactérias que também fazem parte da microbiota, principalmente Gardnerella sp., resultando no corrimento com mau cheiro e aparecimento de outros sintomas como sensação de queimação ao urinar e coceira na vulva e na vagina. Saiba mais sobre a vaginose bacteriana.

Como tratar: o tratamento para vaginose é feito de acordo com a orientação do ginecologista, que normalmente recomenda o uso de Metronidazol na forma de pomada e de aplicação intravaginal, devendo ser aplicado por cerca de 7 dias.

3. Corrimento amarelo

O corrimento amarelo com cheiro forte semelhante a peixe, em alguns casos, pode estar associado a outros sintomas como dor e sensação de queimação durante a relação íntima ou ao urinar.

Principais causas: a principal causa do corrimento amarelo-esverdeado é a infecção pelo protozoário Trichomonas vaginalis, responsável pela tricomoníase, que é uma infecção sexualmente transmissível. Nesse caso, o corrimento possui mau cheiro e costuma ser acompanhado por dor e desconforto ao urinar e vermelhidão na região genital, por exemplo.

Outra causa do corrimento amarelo é a infecção pela bactéria Chlamydia trachomatis, responsável pela clamídia, que também é uma infecção sexualmente transmissível, e que pode causar, além do corrimento, dor e sangramento durante a relação sexual, dor pélvica e sangramento fora do período menstrual. A gonorreia, causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae, é também outra infecção sexualmente transmissível que pode levar à presença de corrimento amarelado devido à inflamação da região genital.

Veja mais sobre as causas do corrimento amarelado.

Como tratar: o tratamento para corrimento amarelo é feito de acordo com o agente infeccioso responsável pelos sintomas, sendo normalmente indicado pelo médico o uso de antibióticos como Metronidazol, Tioconazol ou Secnidazol, na forma de comprimidos em dose única ou durante 5 a 7 dias de tratamento. Além disso, como são infecções sexualmente transmissíveis é importante que o (a) parceiro (a) também faça o tratamento, mesmo que não existam sintomas aparentes.

4. Corrimento esverdeado

O corrimento esverdeado está normalmente associado ao mau cheiro, coceira e ardor na região íntima.

Principais causas: a causa mais frequente de corrimento esverdeado é a tricomoníase, que é uma infecção sexualmente transmissível. No entanto, pode também estar presente em caso de vulvovaginite, que é uma inflamação na vulva e vagina causada por microrganismos, ou vaginose bacteriana, porém esse tipo de corrimento é mais raro de acontecer nessa situação. Conheça mais sobre as principais causas de corrimento esverdeado.

Como tratar: nesse caso, pode ser recomendado pelo médico o uso de antibióticos para combater o agente infeccioso e, consequentemente, os sintomas.

5. Corrimento marrom

O corrimento marrom ou a presença de sangue no corrimento está geralmente associado a outros sintomas, dependendo da causa. Esse tipo de corrimento é normalmente sinal de alteração uterina, como o câncer cervical, podendo o corrimento ser acompanhado por perda rápida de peso, dor e desconforto pélvico, perda de peso sem causa aparente e sensação de pressão no fundo da barriga.

Como tratar: o tratamento deve ser orientado pelo ginecologista de acordo com a causa e sintomas apresentados, podendo ser indicada a realização de cirurgia e/ ou radioterapia, em alguns casos. Veja mais sobre o câncer cervical.

6. Corrimento rosado

O corrimento rosado, pode indicar o inicio da gravidez, pois pode ser causado pela fecundação do óvulo e é frequente ocorrer até 3 dias depois do contato íntimo. Juntamente com este tipo de corrimento é comum surgir leves cólicas abdominais que são normais e acabam passando sem tratamento.

O que fazer: nesse caso é importante que seja feito um teste para confirmar a gravidez, podendo ser inicialmente realizado o de farmácia e, em caso positivo, confirmado com o exame de sangue. É também importante que o ginecologista seja consultado para que sejam dadas as orientações iniciais sobre a gestação e seja iniciado o pré-natal.

7. Corrimento transparente

O corrimento líquido e transparente, semelhante à clara do ovo, pode indicar que está no período fértil do ciclo menstrual, sendo por isso essa a altura ideal para a mulher engravidar se não estiver sob o efeito do anticoncepcional. Este tipo de corrimento dura aproximadamente 6 dias e acaba por desaparecer naturalmente passado esse tempo.

Além disso, o corrimento transparente pode também estar presente durante a relação sexual sendo indicativo do aumento da lubrificação vaginal.

O que fazer: como se trata de um corrimento normal e que faz parte do ciclo menstrual, não é necessário realizar qualquer tipo de tratamento. No entanto, caso o corrimento transparente seja persistente, é importante que o médico seja consultado, pois pode ser indicativo de desbalanço hormonal, podendo ser necessário realizar tratamento específico.

É possível ter corrimento na gravidez?

Sim, é possível ter corrimento na gravidez, o que pode estar relacionado com alterações na própria microbiota genital da mulher, como é o caso da vaginose bacteriana e da candidíase, por exemplo, ou seja consequência de uma infecção sexualmente transmissível, como a tricomoníase e a gonorreia.

É importante que assim que for identificado o corrimento, e principalmente se vier acompanhado por outros sintomas, o médico seja consultado, pois assim é possível estabelecer o tratamento logo em seguida, evitando complicações para a mulher e para o bebê.

O que fazer para não ter corrimento

Para evitar infecções e doenças vaginais que podem causar corrimento, é importante fazer diariamente uma boa higiene íntima, 1 a 2 vezes por dia. Para isso, deve sempre lavar a região íntima com água abundante e uma gota de sabonete sem nunca esfregar em exagero. Depois de lavar, deve secar cuidadosamente a região íntima e vestir uma calcinha limpa e de algodão, de preferência. Além disso, outros cuidados importantes para evitar o corrimento relacionado com infecções são:

  • Não usar protetor diário como Carefree por exemplo;
  • Evitar o uso de lenços umedecidos ou papel higiênico com perfume;
  • Evitar esfregar muito a região íntima, mesmo com sabonete íntimo;
  • Usar camisinha em todas as relações sexuais.

Estes cuidados ajudam a evitar o surgimento de infecções vaginais e a proteger a mucosa vaginal, evitando assim o desenvolvimento de fungos ou bactérias que podem causar algum tipo de corrimento. Entenda melhor no vídeo a seguir como identificar corretamente o corrimento de cada cor, e o que pode ser:

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Atualizado por Manuel Reis - Enfermeiro, em novembro de 2022. Revisão médica por Drª. Sheila Sedicias - Ginecologista, em fevereiro de 2016.

Bibliografia

  • CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION (CDC). Chlamydia. Disponível em: <https://www.cdc.gov/std/chlamydia/the-facts/chlamydia_bro_508.pdf>. Acesso em 13 out 2021
  • METIS. gonorreia. 2018. Disponível em: <http://www.metis.med.up.pt/index.php/Gonorreia>. Acesso em 01 jul 2021
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  • LINHARES, M, Iara et al. Vaginites e vaginoses. Femina. Vol.47. 4.ed; 234-240, 2019
  • DASHARANTHY, Sonya, et. al.. Menstrual Bleeding Patterns Among Regularly Menstruating Women. American Journal of Epidemiology. Vol.175. 6.ed; 536-545, 2012
Revisão médica:
Drª. Sheila Sedicias
Ginecologista
Médica mastologista e ginecologista formada pela Universidade Federal de Pernambuco, em 2008 com registro profissional no CRM PE 17459.

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