Gonorreia na gravidez: riscos e como deve ser o tratamento

Revisão médica: Drª. Sheila Sedicias
Ginecologista
março 2020

A gonorreia durante a gravidez, quando não é identificada e tratada corretamente pode representar risco para o bebê no momento do parto, isso porque o bebê pode adquirir a bactéria ao passar pelo canal vaginal infectado, podendo desenvolver lesões no olhos, cegueira, otite média e infecção generalizada, por exemplo. Por isso, é importante que caso a mulher tenha sinais e sintomas de gonorreia durante a gravidez, vá ao obstetra para que seja feito o diagnóstico e iniciado o tratamento adequado, que normalmente é feito com antibióticos.

A gonorreia é uma doença infecciosa causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae, que é transmitida através de relação sexual vaginal, oral ou anal desprotegida, ou seja, sem camisinha. Na maioria das vezes a gonorreia é assintomática, no entanto pode também levar ao aparecimento de alguns sinais e sintomas como corrimento vaginal com mau cheiro e dor ou ardor para urinar. Saiba identificar os sintomas de gonorreia.

Riscos da gonorreia na gravidez

A gonorreia na gravidez é perigosa para o bebê, especialmente se o nascimento for por parto normal, pois a criança pode ser contaminada pela bactéria presente na região genital da mãe infectada, correndo o risco de causar ao bebê conjuntivite neonatal e, por vezes, cegueira e infecção generalizada, com necessidade de tratamento intensivo.

Durante a gravidez, embora a probabilidade de o bebê ser infectado seja menor, a gonorreia está associada ao risco aumentado de aborto espontâneo, infecção do líquido amniótico, nascimento antes do tempo, rompimento prematuro de membranas e morte do feto. A gonorreia também é uma das maiores causas de inflamação pélvica, que danifica as trompas de Falópio, levando à gravidez ectópica e à esterilidade.

No pós-parto há um risco acrescido de doença inflamatória pélvica e de disseminação da infecção com dores nas articulações e lesões na pele. Por isso, é importante que a mulher fique atenta aos sintomas da gonorreia para que o tratamento possa ser iniciado rapidamente e o risco de transmitir para o bebê diminuam. Conheça mais sobre a gonorreia.

Como é feito o tratamento

O tratamento para gonorreia na gravidez consiste no uso de antibióticos de acordo com a orientação do ginecologista ou obstetra por um período de tempo que varia de acordo com o tipo e a gravidade da infecção. Normalmente, a gonorreia, se detectada precocemente, limita-se à região genital e o tratamento mais eficaz é através do uso de uma dose única de antibiótico. Algumas opções de tratamento, que devem ser recomendados pelo médico, para gonorreia são os seguintes antibióticos:

  • Penicilina;
  • Ofloxacina 400 mg;
  • Tianfenicol granulado 2,5 g;
  • Ciprofloxacina 500 mg;
  • Ceftriaxona 250 mg intramuscular;
  • Cefotaxima 1 g;
  • Espectinomicina 2 mg.

Diante das complicações que a gonorreia pode causar a mulher e ao bebê, é importante que o parceiro também seja tratado, deve-se evitar relações sexuais enquanto a doença não estiver resolvida, manter um único parceiro sexual, usar preservativos e seguir sempre todas as orientações médicas ao longo da gravidez.

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Atualizado por Equipe Editorial do Tua Saúde, em março de 2020. Revisão médica por Drª. Sheila Sedicias - Ginecologista, em fevereiro de 2016.

Bibliografia

  • MAHON, Connie R.; LEHMAN, Donald C. Textbook of Diagnostic Microbiology. 6 ed. St- Louis, Missouri: Elsevier, 2019. 369-376.
  • Mariana Carvalho Costa. Doenças sexualmente transmissíveis na gestação: uma síntese de particularidades. An Bras Dermato. Vol 85. 6 ed; 767-785, 2010
Revisão médica:
Drª. Sheila Sedicias
Ginecologista
Médica mastologista e ginecologista formada pela Universidade Federal de Pernambuco, em 2008 com registro profissional no CRM PE 17459.