Afta vaginal: 10 causas e como tratar

Revisão médica: Drª. Sheila Sedicias
Ginecologista
agosto 2022

A afta vaginal na maioria dos casos está presente em caso de infecção  sexualmente transmissível (IST) como herpes genital ou sífilis. No entanto, pode ser também sinal de  outras doenças, como a hidradenite supurativa, doença de Crohn ou câncer de vulva.

As aftas na vagina, também chamadas de feridas na vagina, podem também aparecer na vulva ou nas suas proximidades, podendo  ser acompanhadas ou não de outros sintomas como dor, coceira no local da afta, inchaço e saída de pus.

Por isso, quando houver uma afta vaginal, ferida ou algum machucado nas partes íntimas, mesmo que a mulher não tenha relações sexuais, é importante consultar um ginecologista para uma avaliação mais detalhada e, assim, ser possível iniciar o tratamento mais adequada. 

As principais causas de afta vaginal são:

1. Donovanose

A donovanose é uma IST provocada por uma bactéria que é transmitida pela relação sexual desprotegida com uma pessoa infectada, e que após 3 dias pode levar a um inchaço na região genital. Quando a donovanose não é identificada e tratada, pode ser notado o aparecimento de uma ferida com a aparência de afta que sangra fácil, mas que não dói. Entenda melhor o que é, os sintomas, o tratamento e a prevenção da donovanose.

Como tratar: O tratamento da donovanose é feito em três semanas com os antibióticos, como ceftriaxona, aminoglicosídeos, fluoroquinolonas ou cloranfenicol, que se utilizados de acordo com a orientação médica pode levar a cura. Durante o tratamento recomenda-se evitar contato sexual até que os sinais tenham desaparecido.

2. Sífilis

A sífilis é uma IST, causada pela bactéria Treponema pallidum, e que cerca de 21 a 90 dias após o contágio, forma uma afta na região exterior (vulva) ou no interior da vagina, com bordas elevadas e endurecidas, de tamanho pequeno ou médio e cor avermelhada, que quando infeccionada, pode ter aspecto úmido que lembra uma afta que estourou, não dói e costuma desaparecer após alguns dias.

Como tratar: O tratamento da sífilis é feito com injeções de um antibiótico, a penicilina, cuja dose e duração deve ser recomendado pelo médico de acordo com o resultado dos exames. Veja mais detalhes sobre como é feito o tratamento para sífilis. 

3. Herpes genital

O herpes genital é uma IST causada pelo vírus do herpes simples (HSV) e pode provocar aftas vaginais que costumam surgir após a ruptura de pequenas vesículas que se formam após cerca de 4 a 7 dias após a relação sexual. As aftas normalmente são dolorosas, podem durar até 15 dias e recorrer após a melhora do primeiro episódio em momentos de estresse e durante a menstruação, por exemplo.

Como tratar: Apesar de não ter cura, o tratamento da herpes é feito com remédios como aciclovir, valaciclovir ou fanciclovir, e tem em média a duração de 7 dias, que ajudam a fechar as feridas e controlar o aparecimento de outras.

Confira os remédios caseiros e naturais para aliviar a herpes.

4. Clamídia

A clamídia é uma infecção causada pela bactéria Chlamydia trachomatis e tem a transmissão pelo sexo desprotegido com uma pessoa infectada. A afta vaginal pela clamídia é na verdade um inchaço que não foi tratado e se rompeu, saindo pus e sangue. Em alguns casos pode parecer sintomas como dores das articulações, febre e mal-estar. Entenda melhor o que é, os sintomas e a transmissão da infecção por clamídia.

Como tratar: O tratamento da clamídia é feito com antibióticos, que podem ser tomados em dose única ou dividido em 7 dias de tratamento como o azitromicina ou doxiciclina, que são receitados pelo médico conforme cada caso. Com o tratamento adequado é possível acabar completamente a bactéria no corpo, e isso leva a cura.

5. Cancro mole

A afta causada pela bactéria Haemophilus ducreyi, também conhecida por cancro mole, é transmitida pela relação sexual com uma pessoa infectada sem o uso do preservativo masculino ou feminino. A ferida do cancro mole pode aparecer de 3 a 10 dias após a infecção, sua ferida pode ser dolorosa, de tamanho pequeno com presença de pus, e em alguns casos pode aparecer caroços ou ínguas na região da virilha. Confira outros sinais de cancro mole além da afta genital.

Como tratar: O tratamento é feito com antibióticos, como a azitromicina, ceftriaxona, eritromicina ou ciprofloxacino, que pode ser dose oral e única ou dividida em sete dias. Em alguns casos pode ser necessário que o tratamento seja feito por injeção intramuscular, de acordo com a recomendação do médico.

6. Úlceras de Lipschutz 

As úlceras de Lipschutz são aftas que não têm transmissão sexual e são mais comuns em mulheres jovens e adolescentes que ainda não possuem vida sexual ativa. Geralmente, ocorrem após o surgimento de sintomas gripais como tosse, febre e dor no corpo e são dolorosas, podendo estar relacionadas à dor para urinar e algum inchaço local.

Como tratar: Estas aftas tendem a melhorar sem que nenhuma medida específica seja necessária. No entanto, além de manter o local limpo, banhos de assento e pomadas anestésicas podem ser utilizados para ajudar a aliviar a dor. Além disso, nos casos mais graves, o médico pode indicar o uso de pomadas com corticoides além de analgésicos como paracetamol e anti-inflamatórios. 

7. Doença de Crohn

A doença de Crohn pode afetar a  vulva causando aftas e feridas, que podem ser acompanhadas de inchaço, coceira, dor local e corrimento além de dor durante as relações sexuais. Além disso, outros sintomas da doença de Crohn podem estar presentes, como dor abdominal, febre e diarreia com sangue. Confira os principais sintomas da doença de Crohn.

Como tratar: O tratamento das aftas relacionadas à doença de Crohn geralmente envolve o uso de antibióticos, como metronidazol, e corticoides, no entanto estas aftas podem ter cicatrização difícil apesar das medidas adotadas. 

8. Doença de Behçet

A doença de Behçet é uma doença que causa inflamação de vasos no corpo e também pode causar aftas vaginais. As aftas podem ser recorrentes, dolorosas e geralmente afetam a vulva. Além disso, os outros sintomas podem ser variados e incluem dor nas articulações, vermelhidão na pele e olhos, e dor abdominal. 

Como tratar: As aftas vaginais geralmente respondem pouco ao uso de pomadas com corticoides, no entanto, outros tratamentos são indicados geralmente apenas quando estas medidas falham. Estes tratamentos incluem o uso de corticoides como prednisona ou mesmo medicamentos imunossupressores, como azatioprina e ciclosporina. Veja o que é, os sintomas, as causas e tratamento da doença de Behçet.

9. Hidradenite supurativa

A hidradenite supurativa é uma doença que afeta os folículos pilosos na pele e pode causar aftas genitais e em regiões próximas à vulva, principalmente em meninas na puberdade e mulheres jovens. Além disso, o surgimento de nódulos e abscessos na pele também pode ocorrer geralmente envolvendo a virilha, próximo da raiz das coxas, axilas, peito e nádegas.

Como tratar: Geralmente, o tratamento da hidradenite supurativa envolve o uso de antibióticos como clindamicina ou doxiciclina. No entanto, casos mais graves podem necessitar ser tratados por meio de cirurgia. Entenda melhor o que é, os sintomas e tratamentos da hidradenite supurativa.

10. Câncer de vulva

Algumas vezes, aftas, feridas e machucados vaginais podem estar relacionados ao câncer de vulva. Geralmente, as aftas são de difícil cicatrização, podem ser indolores, coçar ou sangrar e estar associadas a ínguas próximas da região ou nódulos. 

Como tratar: O tratamento depende do estágio em que a doença é diagnosticada e pode envolver a remoção da afta por meio de cirurgia, radioterapia ou quimioterapia.

Esta informação foi útil?

Atualizado por Marcela Lemos - Biomédica, em agosto de 2022. Revisão médica por Drª. Sheila Sedicias - Ginecologista, em setembro de 2020.

Bibliografia

  • MALIYAR, Khalad et al . Genital Ulcer Disease: A Review of Pathogenesis and Clinical Features. J Cutan Med Surg. Vol.23, n.6. 624-634, 2019
  • CDC. Genital Herpes - CDC Fact Sheet. Disponível em: <https://www.cdc.gov/std/herpes/stdfact-herpes.htm>. Acesso em 03 ago 2020
Mostrar bibliografia completa
  • CDC. Chlamydia. Disponível em: <https://www.cdc.gov/std/chlamydia/default.htm>. Acesso em 03 ago 2020
  • CDC. Syphilis. Disponível em: <https://www.cdc.gov/std/syphilis/default.htm>. Acesso em 03 ago 2020
  • CDC. Chancroid. Disponível em: <https://www.cdc.gov/std/tg2015/chancroid.htm>. Acesso em 03 ago 2020
  • CDC. Bacterial Vaginosis. Disponível em: <https://www.cdc.gov/std/tg2015/bv.htm>. Acesso em 03 ago 2020
Revisão médica:
Drª. Sheila Sedicias
Ginecologista
Médica mastologista e ginecologista formada pela Universidade Federal de Pernambuco, em 2008 com registro profissional no CRM PE 17459.