Cobreiro: o que é, sintomas, causas e tratamento

outubro 2022
  1. Sintomas
  2. Causas
  3. Tratamento
  4. Complicações

O cobreiro é uma infecção na pele, causada pelo vírus varicela zoster, que pode surgir em pessoas que já tiveram catapora em algum momento da vida, e afetar qualquer parte do corpo, especialmente o tórax ou as costas, levando ao surgimento de sintomas como febre, formação de bolhas na pele, dor ou sensação de queimação na pele.

Essa infecção acontece porque após a catapora, o vírus permanece dormente no sistema nervoso sem causar sintomas, sendo ativado apenas quando há um enfraquecimento do sistema imune, como no caso de infecções, uso de remédios imunossupressores ou ainda tratamento com quimioterapia, por exemplo.

Na presença de sintomas indicativos de cobreiro, que é conhecido cientificamente como herpes zoster, é recomendado consultar o clínico geral ou dermatologista para que seja feito o diagnóstico e iniciado o tratamento mais adequado. 

Fotos de cobreiro
Fotos de cobreiro

Sintomas de cobreiro

Os principais sintomas de cobreiro são:

  • Bolhas vermelhas na pele, agrupadas em faixas e em apenas um lado do corpo;
  • Bolhas contendo líquido, que podem se romper formando úlceras ou crostas;
  • Dor devido a inflamação dos nervos afetados pelo vírus;
  • Sensação de queimação ou agulhadas no local das bolhas;
  • Formigamento e coceira no local afetado;
  • Vermelhidão e inchaço na pele;
  • Formação de pequenas feridas na pele depois que as bolhas secam.

Além disso, cerca de 48 horas antes de surgirem as bolhas na pele, alguns sintomas comuns do cobreiro são mal estar generalizado, febre, aumento da sensibilidade da pele, que pode ficar dolorida, dor de cabeça ou aumento da sensibilidade à luz.

As bolhas do cobreiro são mais comuns de surgir no tórax, nuca, região lombar ou na face, na região do nervo trigêmeo, e quando se rompem liberam um líquido transparente, aumentando também o risco de haver uma infecção bacteriana como consequência.

Geralmente, as bolhas duram em média 10 dias, mas em alguns casos podem durar até 21 dias, sendo importante que o clínico geral ou dermatologista seja consultado para que seja possível iniciar o tratamento mais adequado.

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O cobreiro é contagioso?

Não é possível pegar cobreiro, uma vez que é necessário já ter tido catapora anteriormente. No entanto, no caso de nunca se ter tido catapora, o vírus pode ser transmitido de alguém infectado através do contato direto com o líquido das feridas, gotículas de saliva, tosse ou espirro, e, nesses casos, depois de se ter a crise de catapora, é possível ter cobreiro. Entenda como a catapora é transmitida e como prevenir

Como confirmar o diagnóstico

O diagnóstico do cobreiro é feito pelo dermatologista ou clínico geral, através da avaliação dos sintomas, histórico de saúde, incluindo o histórico de catapora na infância e da vacinação contra a catapora, além da observação das lesões na pele.

Além disso, o médico pode solicitar exames de sangue, como o anticorpo IgM, que pode ser detectado durante a infecção ativa do vírus, o que ajuda a descartar outras condições que podem ter sintomas semelhantes, como herpes simples, impetigo, ectima, erisipela, dermatite de contato, dermatite herpetiforme ou picadas de inseto, por exemplo.  

Outro exame que o médico pode solicitar é o teste RT-PCR do líquido contido nas bolhas, fluido da córnea ou do sangue, no caso da infecção ter afetado o olho ou estar espalhada no corpo.

Possíveis causas

O cobreiro é causado pelo mesmo vírus da catapora, o vírus varicela zoster, que após a crise de catapora, que normalmente surge na infância, fica inativo no sistema nervoso, sem causar sintomas.

No entanto, o vírus pode ser reativado devido a um enfraquecimento do sistema imunológico, resultando no cobreiro, em vez de catapora, já que na maioria das pessoas não é possível ter catapora mais do que uma vez na vida.

Alguns fatores podem contribuir para o desenvolvimento do cobreiro, como:

  • Idade, sendo mais comum após os 50 anos;
  • Estresse emocional;
  • Uso de remédios corticoides por longo período;
  • Uso de remédios imunossupressores;
  • Infecção pelo HIV;
  • Exposição ao vírus varicela zoster;
  • Câncer;
  • Quimioterapia;
  • Radioterapia.

Embora seja mais raro, o cobreiro pode surgir nas crianças ou no bebê, quando já tiveram um caso de catapora, mas que foi leve ou com poucos sintomas, por exemplo. 

Como é feito o tratamento

O tratamento para cobreiro deve ser feito sob orientação do dermatologista ou do clínico geral, que normalmente indica o uso de medicamentos antivirais por 5 a 10 dias, como o aciclovir, o fanciclovir ou o valaciclovir.

Além disso, também podem ser receitados remédios anti-inflamatórios, como ibuprofeno, pomada ou loção de capsaicina, cremes corticoides, como betametasona ou fludroxicortida, ou pomada de lidocaína, que ajudam a aliviar a dor e a irritação da pele.

Em alguns casos de dor intensa ou dor neuropática, o médico também pode recomendar o uso de anticonvulsivantes, como a gabapentina, ou antidepressivos, como a amitriptilina, por exemplo.

Opções de tratamento caseiro

Durante o tratamento, é ainda possível utilizar alguns remédios caseiros para acelerar a recuperação, embora não substituam o tratamento indicado pelo médico. Algumas opções são o chá de bardana ou de folhas de amora. 

Para preparar estes chás deve-se colocar 1 colher de folha das folhas picadas de amoreira ou de bardana em uma panela com 1 xícara de água e deixar ferver por 3 a 5 minutos e depois tampar e deixar amornar. 

Quando o chá estiver morno deve coar e aplicar diretamente na ferida, com ajuda de uma gaze, 1 ou 2 vezes por dia, usando sempre uma nova gaze para cada aplicação. Veja outras opções de remédios caseiros para cobreiro e como preparar

Possíveis complicações

Algumas complicações do cobreiro que podem surgir são:

  • Neuralgia pós herpética;
  • Inflamação na córnea ou perda da visão;
  • Inflamação do cérebro (encefalite);
  • Paralisia facial;
  • Problemas de audição;
  • Perda do equilíbrio.

Além disso, também podem surgir infecções bacterianas no local das bolhas na pele, especialmente quando não tratadas adequadamente.

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Atualizado por Flávia Costa - Farmacêutica, em outubro de 2022. Revisão médica por Dr.ª Clarisse Bezerra - Médica de Saúde Familiar, em outubro de 2019.

Bibliografia

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Mostrar bibliografia completa
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Revisão médica:
Dr.ª Clarisse Bezerra
Médica de Saúde Familiar
Formada em Medicina pelo Centro Universitário Christus e especialista em Saúde da Família pela Universidade Estácio de Sá. Registro CRM-CE nº 16976.