IgG e IgM: o que é, diferenças e o que significa resultado reagente

Revisão clínica: Marcela Lemos
Biomédica
março 2022
  1. Diferença entre IgG e IgM
  2. Quando o exame é indicado
  3. Exame de IgG e IgM na gravidez
  4. IgM e IgG reagente para COVID-19

As imunoglobulinas G e imunoglobulinas M, também conhecidas por IgG e IgM, são anticorpos que o organismo produz quando entra em contato com algum tipo de microrganismo invasor. Esses anticorpos são produzidos com objetivo promover a eliminação de bactérias, vírus, parasitas e fungos, além de toxinas produzidas por esses microrganismos quando invadem o corpo.

Como são importantes para avaliar a resposta imunológica do organismo à infecção, a dosagem de IgG e IgM podem ajudar no diagnóstico de diversas doenças. Assim, de acordo com o teste que o médico indica, é possível saber se essas imunoglobulinas estão ou não presentes circulantes no sangue e, assim, saber se a pessoa está com a infecção ou teve contato com o agente infeccioso.

Diferença entre IgG e IgM

As imunoglobulinas G e M são estruturas com forma semelhante à letra "Y", são formadas por cadeias pesadas e cadeias leves e podem ser diferenciadas de acordo com características bioquímicas e moleculares, como tamanho, carga elétrica e quantidade de carboidratos em sua constituição, o que influencia diretamente em sua função.

Assim, a partir da avaliação das características bioquímicas e moleculares é possível diferenciar os tipos de imunoglobulinas, incluindo IgG e IgM, em que o IgG corresponde à maior imunoglobulina circulante no plasma e o IgM à maior imunoglobulina presente no espaço intravascular, que é o espaço dentro dos vasos, além de possuírem em suas regiões variáveis e extremidades diferentes padrões de complementariedade, o que tem impacto na função que desempenham.

Para que serve IgG e IgM

IgG e IgM são proteínas produzidas pelo organismo com o objetivo de defender o organismo contra agentes infecciosos e suas toxinas. O IgM é o primeiro anticorpo a ser produzido quando há uma infecção, sendo considerado um marcador de fase aguda da infecção. Essa imunoglobulina é responsável por ativar o sistema complemento, que é um sistema formado por proteínas, sinalizando que há uma infecção e favorecendo a eliminação do agente infeccioso invasor.

O IgG é produzido um pouco mais tardiamente, mas ainda na fase aguda da infecção, porém é produzido de acordo com o microrganismo invasor, sendo considerado mais específico, além de permanecer circulante no sangue, protegendo a pessoa contra possíveis infecções futuras pelo mesmo microrganismo. A produção de IgG é também induzida pela vacinação, de forma a proteger o corpo contra um agente infeccioso específico. Assim, os IgG são uma espécie de memória que o organismo cria para o resto da vida. Entenda como funciona o sistema imunológico.

Quando o exame é indicado

O exame sorológico de IgG e IgM serve para detectar o estágio de diversas doenças, como a toxoplasmose, rubéola, infecção pelo citomegalovírus ou pelo SARS-CoV-2 (COVID-19), por exemplo. Quando ocorre uma nova infecção, os primeiros anticorpos produzidos são as IgM que vão diminuindo à medida que a infecção é controlada, dando lugar às IgG, que permanecem para o resto da vida.

IgG negativoIgG reagente/ positivo
IgM negativo

A pessoa nunca entrou em contacto com o microrganismo.

A pessoa entrou em contacto com o microrganismo numa infecção antiga ou teve sucesso com a vacina.

IgM reagente/ positivo

A pessoa está ou esteve há poucos dias com uma infecção aguda.

A pessoa sofreu uma infecção recente, há umas semanas ou meses.

Assim, a existência de grandes quantidades de IgM para a rubéola, por exemplo, é sinal de que a infecção é recente, e quando os seus níveis baixam, permanecem os de IgG, o que significa que a infecção está controlada e que o organismo está produzindo anticorpos específicos contra este vírus, obtendo assim memória imunitária para essa doença.

Assim, num próximo contato com o vírus, o risco de desenvolver a doença seria mínimo, pois a pessoa teria anticorpos IgG específicos contra a rubéola que agiriam imediatamente. O mesmo acontece com a vacinação, em que, na maior parte dos casos são administrados vírus inativos que induzem a formação de IgG específicos.

O que significa IgM e IgG reagentes para COVID-19?

Caso no teste rápido para COVID-19 seja verificada a reação para IgM e para IgG significa que a pessoa está infectada pelo SARS-CoV-2, sendo importante ficar em isolamento e seguir as orientações do médico. O IgG positivo indica que a pessoa está entrando em uma fase mais crônica da infecção, sendo comum a pessoa não apresentar mais sintomas de infecção.

No caso de apenas o IgM ter sido positivo, é sinal de que é uma infecção recente, ou seja, é indicativo que a pessoa foi infectada há poucos dias, de forma que o sistema imunológico começou a atuar contra o vírus, sendo importante seguir as orientações do médico para evitar a transmissão da doença.

Por outro lado, caso seja apenas verificado IgG reagente, significa que a pessoa teve contato com o vírus em uma infecção recente, no entanto não está na fase ativa da doença, de forma que não transmite mais o vírus. É comum que o IgG permaneça positivo algumas semanas após a infecção.

Veja mais sobre o teste rápido para COVID-19.

Exame de IgG e IgM na gravidez

Durante a gravidez, o médico pode realizar alguns exames de sangue para identificar as infecções que a mulher já teve e para avaliar o seu estado imune, mediante dosagem de anticorpos específicos para cada um dos agentes infecciosos.

Existem 5 infecções que se permanecerem na gravidez podem ter um elevado risco de transmissão para o feto, sendo ainda mais grave quando a mãe sem anticorpos para um destes vírus adquire a doença durante a gestação, como é o caso da toxoplasmose, sífilis, rubéola, herpes simples e citomegalovírus.

Assim, é muito importante realizar a vacinação contra a rubéola cerca de um mês antes da gravidez e fazer o teste sorológico de forma a tratar as outras infecções antecipadamente. Veja quais são os exames indicados no pré-natal.

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Atualizado e revisto clinicamente por Marcela Lemos - Biomédica, em março de 2022.

Bibliografia

  • BARER, Michael R.. Medical Microbiology: A guide to microbial infections - pathogenesis, immunity, laboratory investigation and control. 19 ed. Elsevier, 2018. 92-93.
  • FILHO, Geraldo B. Bogliolo: Patologia Geral. 6 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018. 214-222.
Mostrar bibliografia completa
  • AROSA, Fernando A.; CARDOSO, Elsa M.; PACHECO, Francisco C. Fundamentos de Imunologia. 2 ed. Lisboa: LIDEL, 2012. 31-37.
Revisão clínica:
Marcela Lemos
Biomédica
Mestre em Microbiologia Aplicada, com habilitação em Análises Clínicas e formada pela UFPE em 2017 com registro profissional no CRBM/ PE 08598.