Anticoncepcional para acne

Revisão clínica: Mafalda Abreu
Farmacêutica
julho 2020

O tratamento da acne na mulher pode ser feito com uso de alguns anticoncepcionais, porque estes medicamentos ajudam no controle de hormônios, como os androgênios, diminuindo a oleosidade da pele e a formação de espinhas. 

Normalmente, o efeito na pele é observado entre 3 e 6 meses de uso contínuo da pílula e os melhores anticoncepcionais para ajudar no controle da acne são os que têm na sua composição um derivado de estrogênio, associado a progestágenos como:

  • Drospirenona: como as marcas Elani, Aranke, Generise ou Althaia;
  • Ciproterona: como Diane 35, Selene, Diclin ou Lydian;
  • Dienogeste: como Qlaira;
  • Clormadinona: Belara, Belarina ou Chariva.

A ciproterona é o progestágeno que tem efeitos mais fortes e por isso só deve ser usado em casos mais severos de acne, por um período de tempo o mais curto possível, porque não é tão seguro. A drospirenona, dienogeste e clormadinona são mais utilizados para o tratamento da acne leve a moderada.

Quando usar anticoncepcional para a acne

O tratamento para acne deve ser feito, preferencialmente, com o uso de produtos tópicos, como loções de limpeza e cremes com ácido retinoico, adapaleno ou peróxido de benzoíla, por exemplo. Além disso, também se podem utilizar antibióticos tópicos e orais ou comprimidos de isotretinoína ou espironolactona, prescritos pelo dermatologista. Veja quais os remédios mais usados para tratar a acne.

Entretanto, os anticoncepcionais podem ser uma opção para o controle das espinhas em algumas mulheres, especialmente quando:

  • Acne que não melhorou com os outros produtos;
  • Desejo de usar algum método contraceptivo, além de controlar as espinhas;
  • Espinhas que pioram ou ficam mais inflamadas no período pré-menstrual;
  • Quando a causa da acne é alguma doença que aumenta os níveis de androgênios no organismo, como síndrome dos ovários policísticos.

Como o anticoncepcional modifica os níveis de hormônios no corpo da mulher, deve-se consultar o ginecologista antes de iniciar o seu uso.

Além disto, ele pode causar alguns efeitos colaterais, como enjoo, dor e sensibilidade nas mamas, dor de cabeça e menstruação fora da época, e, se estes sintomas forem muito intensos, deve-se parar o uso da medicação e consultar o médico. Entenda melhor como funciona o anticoncepcional e tire suas dúvidas sobre como usar.

Como funcionam

Os anticoncepcionais mais indicados como auxiliares do tratamento da acne, atuam diminuindo a produção de sebo pelas glândulas sebáceas, reduzem a hiper queratinização folicular, diminuem a proliferação da bactéria que causa a acne, chamada de P. acnes e reduzem ainda a inflamação, melhorando por isso a aparência da pele e diminuindo o aparecimento de novas espinhas.

Parar o anticoncepcional pode causar acne

É muito comum que a mulher que parou de usar anticoncepcional sinta a pele mais oleosa e com surgimento de espinhas, por isso, pode-se usar produtos que limpam a pele do rosto, para controle da oleosidade, como loções ou sabonetes vendidos em farmácias.

Caso os sintomas sejam muito intensos, deve-se ir ao dermatologista para uma avaliação da pele e prescrição de tratamentos mais individualizados. Entenda melhor os tipos de acne, e o melhor tratamento para cada um

Quando não se deve usar anticoncepcional

O uso do anticoncepcional está contra-indicado nos casos de:

  • Gravidez e amamentação;
  • Crianças;
  • Homens;
  • Tabagismo;
  • Pressão alta;
  • Presença de sangramento vaginal sem explicação;
  • Diabetes descontrolada;
  • História prévia de trombose, ataque cardíaco ou derrame cerebral;
  • História prévia ou familiar de doenças que aumentam a coagulação do sangue;
  • Câncer de mama;
  • Cirrose ou câncer do fígado;
  • Enxaquecas muito fortes.

Além disso, também não deve ser usado em pessoas com hipersensibilidade a qualquer um dos componentes da fórmula do anticoncepcional. Saiba quais são as principais complicações dos anticoncepcionais.

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Atualizado por Equipe Editorial do Tua Saúde, em julho de 2020. Revisão clínica por Mafalda Abreu - Farmacêutica, em junho de 2018.
Revisão clínica:
Mafalda Abreu
Farmacêutica
Ex-colaboradora formada pela Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, em 2013 e membro nº19685 da Ordem dos Farmacêuticos de Portugal.

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