9 efeitos colaterais do anticoncepcional (e o que fazer)

Revisão médica: Drª. Sheila Sedicias
Ginecologista
março 2022

A pílula anticoncepcional é o método mais utilizado pelas mulheres para evitar o desenvolvimento de uma gravidez, pois é fácil de usar e possui elevada eficácia contra gestações indesejadas.

Este medicamento atua inibindo a ovulação e, assim, prevenindo a fecundação. Além disso, também atua impedindo a dilatação do colo uterino, o que diminui a entrada de espermatozoides e evita que o útero tenha as condições necessárias para implantação do óvulo fecundado no colo do útero, no caso de ter havido fecundação.

No entanto, a pílula anticoncepcional, devido às alterações hormonais que causa no corpo da mulher, pode provocar o surgimento de alguns efeitos colaterais como dor de cabeça, ganho de peso e surgimento de espinhas, por exemplo. Por isso, na presença de efeitos colaterais, é importante que o ginecologista seja consultado para que seja avaliada a possibilidade de troca do anticoncepcional e/ ou alteração da dose.

1. Dor abdominal e náuseas

Alguns sintomas pré-menstruais, como dores de cabeça, dor abdominal e náuseas, são comuns nas primeiras semanas de utilização da pílula anticoncepcional devido às grandes alterações hormonais.

O que fazer: é recomendado consultar o ginecologista quando estes sintomas impedem a realização de atividades diárias ou demoram mais de 3 meses para desaparecer, pois pode ser necessário alterar o tipo de pílula contraceptiva.

2. Alteração do fluxo menstrual

É frequente existir uma diminuição na quantidade e duração do sangramento durante a menstruação, assim como sangramentos de escape entre cada ciclo menstrual, especialmente no uso de pílulas com doses baixas que tornam o revestimento do útero mais fino e frágil.

O que fazer: pode ser necessário tomar uma pílula com dosagem mais elevada sempre que o sangramento de escape, ou spotting, surge em mais de 3 ciclos menstruais seguidos. Veja o que pode ser o sangramento fora do período menstrual.

3. Aumento de peso

O aumento de peso pode surgir quando as alterações hormonais provocadas pela pílula levam ao aumento da vontade de comer. Além disso, algumas pílulas anticoncepcionais, também podem causar retenção de líquidos devido ao acúmulo de sódio e potássio nos tecidos corporais, provocando aumento do peso corporal.

O que fazer: deve-se manter uma dieta saudável e equilibrada, assim como fazer exercício físico regularmente. Porém, quando a mulher suspeita de retenção de líquidos, devido ao inchaço das pernas, por exemplo, deve consultar o ginecologista para trocar de pílula anticoncepcional ou tomar um remédio diurético. Confira 7 chás que pode usar contra a retenção de líquidos.

4. Surgimento de espinhas

Embora a pílula anticoncepcional seja muitas vezes utilizada como tratamento para evitar o surgimento de acne na adolescência, algumas mulheres que utilizam mini pílula (pílula só com progesterona) podem apresentar aumento da quantidade de espinhas nos primeiros meses de utilização.

O que fazer: quando a acne surge ou piora após o início da pílula anticoncepcional é aconselhado informar o ginecologista e consultar um dermatologista para adequar o tratamento ou iniciar o uso de cremes anti-espinhas.

5. Alterações do humor

As alterações do humor surgem principalmente com o uso prolongado da pílula concepcional com elevada dose hormonal, pois altos níveis de estrogênio e progestina podem diminuir a produção de serotonina, um hormônio que melhora o humor, podendo aumentar o risco de depressão.

O que fazer: é recomendado consultar o ginecologista para alterar o tipo de pílula ou iniciar um método de contracepção diferente, como DIU ou Diafragma, por exemplo.

6. Diminuição da libido

A pílula anticoncepcional pode provocar uma diminuição da libido devido à redução da produção de testosterona no organismo, no entanto, este efeito é mais frequente em mulheres que apresentam grandes níveis de ansiedade.

O que fazer: deve-se consultar o ginecologista para adequar os níveis hormonais da pílula anticoncepcional ou iniciar reposição hormonal para evitar a diminuição da libido. Veja algumas formas naturais de aumentar a libido e evitar este efeito.

7. Dor de cabeça

Algumas mulheres podem sentir dor de cabeça devido ao uso do anticoncepcional, que pode ser leve ou intensa, ou surgir como enxaqueca, principalmente no início do ciclo. No entanto, essa dor tende a diminuir com o uso contínuo do anticoncepcional.

O que fazer: caso a dor de cabeça permaneça por mais de 3 meses consecutivos ou seja muito intensa no primeiro mês, é recomendado consultar o ginecologista para que seja feita uma mudança na dose do anticoncepcional ou troca do medicamento.

8. Inchaço ou maior sensibilidade dos seios

A concentração hormonal nas pílulas anticoncepcionais pode produzir um aumento transitório do tamanho das mamas, assim como aumento da sensibilidade, podendo haver dor ao toque ou com o contato com a roupa. No entanto, esse desconforto é mais comum de acontecer no início do uso da pílula anticoncepcional, diminuindo ao longo do tempo.

O que fazer: é recomendado o uso de sutiãs esportivos e o uso de roupa mais folgadas para evitar a dor e do desconforto. Caso a dor nos seios seja persistente ou acompanhada por outros sintomas, como vermelhidão, mudança na coloração da mama ou da pele desse local ou saída de líquido pelos mamilos, por exemplo, é indicado consultar o ginecologista para que seja feita uma avaliação e seja considerada a possibilidade de mudança do anticoncepcional, podendo ser necessário também, em alguns casos, a realização de exames para descartar doenças da mama.

9. Aumento do risco de trombose

A pílula anticoncepcional pode aumentar o risco de trombose venosa profunda quando a mulher apresenta outros fatores de risco cardiovascular como pressão alta, diabetes ou colesterol alto, por exemplo. Entenda porque o risco de trombose é maior em mulheres que usam anticoncepcional.

O que fazer: deve-se manter uma alimentação saudável e fazer exercício físico regular, assim como fazer consultas regulares no clínico geral para avaliar a pressão arterial, nível de açúcar no sangue e colesterol para evitar a formação de coágulos sanguíneos que podem causar a trombose venosa profunda.

Quando trocar o método contraceptivo

É recomendado consultar o ginecologista e avaliar a possibilidade de usar outro método para evitar a gravidez indesejada sempre que surjam efeitos colaterais que impeçam a realização de atividades diárias ou quando os sintomas demoram mais de 3 meses para desaparecer.

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Atualizado por Equipe Editorial do Tua Saúde, em março de 2022. Revisão médica por Drª. Sheila Sedicias - Ginecologista, em agosto de 2016.
Revisão médica:
Drª. Sheila Sedicias
Ginecologista
Médica mastologista e ginecologista formada pela Universidade Federal de Pernambuco, em 2008 com registro profissional no CRM PE 17459.