Vaginite: o que é, sintomas, causas e tratamento

Revisão médica: Drª. Sheila Sedicias
Ginecologista
fevereiro 2022

A vaginite, também chamada de vulvovaginite, é uma inflamação na região íntima da mulher, que pode acontecer devido a infecção, alergias, alterações na pele ou ser consequência da menopausa ou gravidez, por exemplo.

Algumas situações do dia-a-dia aumentam o risco de ter uma vaginite, como o uso de calças apertadas, o uso muito frequente de absorventes internos ou a má higiene da região, causando sintomas como coceira, dor e ardor ao urinar e corrimento vaginal. Em alguns casos, a inflamação na vagina pode estender-se e afetar os lábios vaginais, levando ao desenvolvimento de mais sintomas.

O tratamento para vaginite depende da causa, sendo importante que o ginecologista seja consultado para identificar o que está na origem do problema e iniciar o tratamento mais adequado, que pode envolver o uso de antibióticos, antifúngicos ou óvulos vaginais, por exemplo.

Sintomas de vaginite

Os sintomas de vaginite podem variar de acordo com a causa da inflamação da vagina, sendo os principais:

  • Coceira na região íntima;
  • Vermelhidão na região genital;
  • Corrimento vaginal, que pode ser esbranquiçado, amarelo-esverdeado ou ou cinza, podendo ter mau cheiro, em alguns casos;
  • Dor durante a relação sexual;
  • Dor e ardor ao urinar;
  • Sensação de peso na região íntima;
  • Vontade frequente para urinar, podendo também haver sensação de que a bexiga não foi esvaziada por completo;
  • Sensação de queimação da região genital.

Na presença desses sinais e sintomas, é importante que o ginecologista seja consultado para que seja feito o exame ginecológico e sejam indicados exames laboratoriais, como exames de sangue e de urina, para identificar a causa dos sintomas e, assim, ser possível indicar o tratamento mais adequado.

Principais causas

A vaginite acontece com maior frequência em mulheres que possuem vários parceiros sexuais, que fizeram uso de antibióticos ou corticoides recentemente, que possuem más condições de higiene ou que possuem o sistema imunológico mais enfraquecido devido à doenças ou estresse, por exemplo. Dessa forma, a vaginite pode acontecer como consequência de qualquer situação que promova uma inflamação da região genital, sendo as principais:

  • Tricomoníase, que é uma infecção causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis, que pode ser transmitido através da relação sexual sem preservativo;
  • Candidíase, que é uma infecção causada pelo fundo Candida sp., que está naturalmente presente na região genital, mas que pode proliferar quando existem condições favoráveis;
  • Alteração da microbiota normal da vagina, havendo diminuição da quantidade de lactobacilos e aumento da quantidade de Gardnerella sp., por exemplo, caracterizando a vaginose bacteriana;
  • Aumento da quantidade de lactobacilos, aumentando a acidez da vagina e resultando na sua inflamação, sendo essa situação conhecida como vaginose citolítica;
  • Alergia a medicamentos, cosméticos, lubrificantes, papel higiênico, tecido, amaciante de roupa ou látex da camisinha, por exemplo.

Algumas situações podem deixar a pele da vagina mais fina e sensível, como acontece na menopausa, no período pós-parto, na amamentação ou quando se está fazendo tratamento com radio ou quimioterapia. Nestes casos, a condição é chamada de vaginite atrófica e a mulher pode apresentar um corrimento amarelado e malcheiroso, além de irritação no local, secura, ardência e dor durante a relação íntima.

Além disso, a gravidez também causa alterações no tecido que forma a vagina, devido a oscilações hormonais típicas do período, o que pode provocar corrimento amarelado e predisposição a infecções, principalmente candidíase. Quando a mulher grávida apresenta algum destes sintomas, deve comunicar o mais rápido possível ao obstetra, para investigação se existe alguma infecção para tratamento e acompanhamento.

Como é o tratamento

O tratamento da vaginite deve ser orientado pelo ginecologista de acordo com os sinais e sintomas apresentados pela pessoa e causa da vaginite. Nos casos em que a vaginite está associada com infecção por fungos ou parasitas, como no caso da tricomoníase, por exemplo, pode ser indicado o uso de antibióticos, coo Metronidazol, Tinidazol ou Clindamicina, que normalmente são recomendados na forma de pomada vaginal.

Nos casos em que a vaginite é causada por fungos, o médico pode recomendar o uso de pomadas vaginais ou comprimidos de Nistatina ou Fluconazol, por exemplo. Já no caso em que a vaginite está associado ao aumento da quantidade de lactobacilos, por exemplo, pode ser indicado pelo médico o uso de óvulos de bicarbonato de sódio, intravaginal, 3 vezes por semana ou banhos de assento com bicarbonato de sódio na diluição de uma colher de sopa em 600 ml de água, duas vezes ao dia.

Quando a vaginite está associada a alergias, é importante identificar o fator responsável pela alergia, pois dessa forma é possível evitá-lo, além de também poder ser indicado pelo médico o uso de pomadas ou comprimidos a base de corticoides e antialérgicos para promover o alívio dos sintomas.

Além disso, nos casos em que a causa da vaginite poder ser transmitido por via sexual, é recomendado que o (a) parceiro (a) também realize o tratamento, mesmo que não existam sinais ou sintomas aparentes de infecção, pois assim é possível prevenir a ocorrência de novas infecções.

Como evitar a vaginite

Para se evitar este tipo de inflamação, a mulher deve tomar algumas precauções, como:

  • Evitar usar calças apertadas em dias de calor;
  • Dormir com roupas leves ou sem calcinha;
  • Não usar absorventes internos por muitas horas seguidas;
  • Não fazer duchas vaginais;
  • Evitar uso de antibióticos desnecessariamente;
  • Não ter relações íntimas desprotegidas.

O uso de preservativos é importante, também, para evitar diversos tipos de doenças sexualmente transmissíveis, como HIV, hepatite B e C, gonorreia, HPV e sífilis, que causam muitas complicações e risco até de morte.

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Atualizado por Equipe Editorial do Tua Saúde, em fevereiro de 2022. Revisão médica por Drª. Sheila Sedicias - Ginecologista, em fevereiro de 2016.

Bibliografia

  • CONTEMPORARY OB/GYN. Enfoque práctico de la vulvovaginitis recurrente. 2020. Disponível em: <http://www.fasgo.org.ar/images/VAGINITIS.pdf>. Acesso em 14 jan 2022
  • SÁNCHEZ, Esteban. Manejo de vulvovaginitis en la atención primaria. Revista médica sinergia. 3. 8; 2018
Mostrar bibliografia completa
  • PAPADAKIS, Maxine A.; MCPHEE, Stephen J.; RABOW, Michael W. Current Medical Diagnosis & Treatment 2019. 58th. NEW YORK: McGraw-Hill Education, 2019.
  • NYIRSJESY, Paul. Manejo de Vaginitis Persistente. Obstetrics & Gynecology. 124. 1135-46, 2014
Revisão médica:
Drª. Sheila Sedicias
Ginecologista
Médica mastologista e ginecologista formada pela Universidade Federal de Pernambuco, em 2008 com registro profissional no CRM PE 17459.