Vacina do sarampo: para que serve, quando tomar e eventos adversos

Revisão médica: Dr.ª Sani Santos Ribeiro
Pediatra e Pneumologista infantil
maio 2022

No Calendário Nacional de Vacinação do Ministério da Saúde constam dois tipos de vacinas que protegem contra o sarampo: a vacina tríplice viral, que protege também contra a caxumba e a rubéola, e a vacina tetra viral, que protege ainda da catapora (varicela). Estas vacinas apresentam indicações específicas estabelecidas no referido Calendário, de acordo com a idade.

É importante destacar que a vacina tetra viral, quando não disponível no serviço de vacinação, pode ser substituída pelas vacinas tríplice viral e varicela (monovalente), as quais devem ser aplicadas com seringas, agulhas e locais de administração diferentes.

Estas vacinas estimulam o sistema imune, induzindo a formação de anticorpos contra os vírus que as compõem. Assim, se a pessoa for exposta a esses vírus, já tem os anticorpos que vão impedir o desenvolvimento e a multiplicação dos vírus, deixando-a protegida.

Para que serve

A vacinação contra o sarampo é a medida mais eficaz de proteger contra a doença. Essa proteção é conferida tanto para a pessoa que recebe a vacina quanto para a comunidade, pois é um imunobiológico que induz a imunidade coletiva, isto é, a imunidade de rebanho, protegendo, assim, aqueles que têm alguma contraindicação para a vacinação como as gestantes e as crianças menores de seis meses de vida.

Geralmente, a primeira dose da vacina é administrada aos 12 meses e a segunda dose entre os 15 e os 24 meses. No entanto, todos os adolescentes e adultos que não tenham sido vacinados podem tomar 1 dose desta vacina em qualquer fase da vida, sem necessidade de reforço.

Entenda porque acontece o sarampo, como se prevenir e outras dúvidas comuns.

Quando e como tomar

As vacinas tríplice viral e tetra viral são injetáveis e são recomendadas de acordo com o esquema estabelecido no Calendário Nacional de Vacinação:

  • Pessoas de 12 meses até 29 anos de idade: devem receber duas doses da vacina contendo o componente sarampo, sendo a primeira dose aos 12 meses com a tríplice viral e a segunda dose aos 15 meses com a tetra viral. Crianças não vacinadas oportunamente aos 15 meses de idade poderão receber a vacina tetra viral até 4 anos 11 meses e 29 dias. A partir dos cinco anos de idade, o esquema vacinal deve ser feito com a tríplice viral.
  • Pessoas de 30 a 59 anos de idade: devem receber uma dose de tríplice viral, se ainda não estiverem vacinadas.

Após completar o esquema, o efeito protetor da vacinação é duradouro e na maioria dos casos, se mantém por toda a vida.

Mulheres em idade fértil devem evitar a gravidez por pelo menos um mês após a vacinação.

Confira quais as vacinas obrigatórias no calendário de vacinação da criança.

Possíveis eventos adversos

De modo geral, as vacinas tríplice viral e tetra viral são bem toleradas e provocam poucas reações.

Entretanto, eventos adversos pós-vacinação (EAPV) podem ocorrer devido a reações de hipersensibilidade a qualquer componente das vacinas ou manifestações clínicas semelhantes às causadas pelo vírus selvagem (replicação do vírus vacinal), geralmente com menor intensidade. Em sua grande maioria são não graves e autolimitados como dor e hiperemia (vermelhidão) no local da injeção. Muito raramente, podem ser graves e necessitarem de assistência de saúde

Quem não deve tomar

As vacinas tríplice viral e tetra viral são contraindicadas nas seguintes situações:

  • Anafilaxia à dose anterior da vacina;
  • Crianças menores de 5 anos de idade com imunodepressão grave (LT-CD4+<15%) por pelo menos 6 meses, ou com sintomatologia grave;
  • Gestação. Mulheres grávidas não vacinadas ou com esquema incompleto para o sarampo não deverão ser vacinadas contra o sarampo.  A vacinação deverá ser agendada para o pós-parto.

Por precaução, a administração da vacinação contra o sarampo viral deve ser adiada nas seguintes situações:

  • Doenças agudas febris moderadas ou graves - recomenda-se adiar a vacinação até resolução do quadro com o intuito de não se atribuir à vacina as manifestações da doença;
  • Após uso de imunoglobulina, sangue e derivados à vacinação - deverá ser adiada por 3 a 11 meses, dependendo do hemoderivado e da dose administrada, devido ao possível prejuízo na resposta imunológica;
  • As crianças em uso de drogas imunossupressoras ou de biológicos devem ser avaliadas nos CRIE e quando for o caso, vaciná-las;
  • Crianças em uso de corticosteroides em doses imunossupressoras devem ser vacinadas com intervalo de pelo menos 1 mês após a suspensão da droga;
  • Crianças em uso de quimioterapia antineoplásica só devem ser vacinadas 3 meses após a suspensão do tratamento;
  • Transplantados de medula óssea recomenda-se vacinar com intervalo de 12 a 24 meses após o transplante para a primeira dose.

Campanha de vacinação do Ministério da Saúde

Todos os anos o Ministério da Saúde lança campanhas nacionais de vacinação para ampliar o acesso às vacinas e proteger o maior número de pessoas possível.

Em 2022, a Campanha de Vacinação Nacional contra o Sarampo se inicia a 4 de abril e se mantém até 3 de junho.

O objetivo principal desta campanha é vacinar o maior número de crianças entre os 6 meses e os 4 anos, 11 meses e 29 dias de idade, com a vacina tríplice viral.

  • Onde se vacinar: em qualquer um dos 38 mil postos públicos de vacinação do Brasil. Em momentos de campanha, as vacinas também estão disponíveis em postos instalados em locais estratégicos, fixo ou volante, para facilitar o acesso da população à vacinação.

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Atualizado por Manuel Reis - Enfermeiro, em maio de 2022. Revisão médica por Dr.ª Sani Santos Ribeiro - Pediatra e Pneumologista infantil, em outubro de 2020.
Revisão médica:
Dr.ª Sani Santos Ribeiro
Pediatra e Pneumologista infantil
Médica formada pela Universidade Federal do Rio Grande com CRM nº 28364 e especialista em Pediatria pela Sociedade Brasileira de Pediatria.

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