Uratos amorfos: o que são, o que significam e tratamento

abril 2022

Os uratos amorfos são um tipo de cristal que pode ser identificado no exame de urina e que pode surgir devido ao resfriamento da amostra ou devido ao pH ácido da urina, sendo muitas vezes possível observar no exame a presença de outros cristais, como cristal de ácido úrico e de oxalato de cálcio.

O surgimento do urato amorfo não causa sintoma, sendo verificado apenas por meio de exame de urina de tipo 1. No entanto, quando há grande quantidade de urato é possível visualizar mudança da cor da urina para rosa, sendo importante que o médico seja consultado para que seja feita uma avaliação.

O tratamento para urato amorfo é feito de acordo com a causa do seu surgimento, podendo ser indicado pelo médico mudança nos hábitos alimentares, como diminuição do consumo de alimentos ricos em proteína ou cálcio, ou tratamento específico no caso de alterações no rim ou no fígado.

Como identificar

A presença de uratos amorfos na urina não causa sintomas, sendo identificada por meio do exame de urina do tipo 1, o EAS, também chamado de exame de Elementos Anormais do Sedimento, em que a amostra do segunda jato de urina é coletada e entregue ao laboratório para análise.

Por meio desse exame, é verificada o pH da urina, que nesse caso é ácido, além de ser identificado microscopicamente a presença do urato amorfo e de cristais, como o cristal de ácido úrico e, algumas vezes, de oxalato de cálcio. Além disso, são verificadas outras características da urina, como presença, ausência e quantidade de células epiteliais, microrganismos, leucócitos e hemácias. Entenda como é feito o exame de urina.

O urato amorfo é identificado na urina como sendo uma espécie de granulado que varia de amarelo a preto e que é visualizado microscopicamente na urina. Quando há grande quantidade de urato a amorfo, é possível que exista alteração macroscópica, ou seja é possível que seja identificado o excesso de urato amorfo na urina por meio da mudança da coloração da urina para rosa.

O que significam

O aparecimento do urato amorfo está diretamente relacionado com o pH da urina, sendo frequente de observar quando o pH é igual ou inferior a 5.5. No entanto, o aparecimento do urato amorfo na urina pode significar outras situações, sendo as principais:

  • Dieta hiperproteica;
  • Baixa ingestão de água;
  • Gota;
  • Inflamação crônica do rim;
  • Cálculo renal;
  • Cálculo biliar;
  • Doença hepáticas;
  • Doenças renais graves;
  • Dieta rica em vitamina C;
  • Dieta rica em cálcio;

O urato amorfo também pode aparecer como consequência do resfriamento da amostra, isso porque temperatura mais baixas favorecem a cristalização de alguns dos componentes da urina, havendo formação do urato. Por isso, é recomendado que a urina seja analisada até 2 horas após a sua coleta e não seja refrigerada para evitar interferência no resultado.

Como é feito o tratamento

Não há tratamento para urato amorfo mas sim para a sua causa. Por isso, é importante que o resultado do exame de urina seja analisado juntamente com os sintomas que possam estar sendo apresentados pela pessoa e resultado de outros exames que possam ter sido solicitados pelo urologista ou clínico geral para que seja iniciado o tratamento mais adequado.

No caso de ser devido a questões alimentares, é recomendada mudança nos hábitos, evitando alimentos com grande quantidade de proteínas ou ricos em cálcio. Por outro lado, no caso de problemas no fígado ou nos rins, além de adequação da alimentação, pode ser recomendado pelo médico o uso de remédios de acordo com a causa do urato amorfo.

Quando o urato amorfo é identificado sozinho, sem que existam outras alterações do EAS, é possível que seja devido a variações de temperatura ou tempo elevado entre a coleta e a análise, sendo recomendado nesses casos a repetição do exame para confirmar o resultado.

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Atualizado e revisto clinicamente por Marcela Lemos - Biomédica, em abril de 2022.

Bibliografia

  • STRASINGER, Susan K.; DI LORENZO, Marjorie S. Urianalysis and body fluids. 5.ed. Estados Unidos: E. A Davis Company, 2008. 112-113.
  • LOPATA, Victor José et al. Análise de dados clínicos e laboratoriais associados à litíase urinária em pacientes de um laboratório de análises clínicas. Visão Acadêmica. Vol 17. 3 ed; 18-28, 2016
Revisão clínica:
Marcela Lemos
Biomédica
Mestre em Microbiologia Aplicada, com habilitação em Análises Clínicas e formada pela UFPE em 2017 com registro profissional no CRBM/ PE 08598.