Oxalato de cálcio na urina: o que pode ser e o que fazer

Revisão médica: Dr.ª Clarisse Bezerra
Médica de Saúde Familiar
julho 2022

Os cristais de oxalato de cálcio são estruturas que podem ser encontradas em urina de pH ácido ou neutro, sendo muitas vezes considerado normal quando nenhuma outra alteração é identificada no exame de urina e quando não existem sinais ou sintomas associados, podendo nesse caso estar relacionada à diminuição do consumo de água durante o dia ou dieta rica em cálcio e oxalato.

Esses cristais possuem formato de envelope e são identificados através da análise microscópica da urina durante o exame de urina tipo 1, também chamado de EAS. Além do cristal de oxalato de cálcio, outros cristais podem ser identificados na urina, como cristal de fosfato triplo, leucina ou de ácido úrico, cuja causa deve ser identificada e tratada. Saiba mais sobre os cristais na urina.

Cristais de oxalato de cálcio
Cristais de oxalato de cálcio

As principais causas do aparecimento de cristais de oxalato de cálcio na urina são:

1. Alterações na alimentação

Alterações na alimentação do dia a dia podem favorecer a formação de cristais de oxalato de cálcio, principalmente quando há alimentação rica em cálcio, como ao ingerir tomate, espinafre, ruibarbo, alho, laranja e aspargo, e usar altas doses de vitamina C, em quantidades diárias acima do recomendado, além da baixa ingestão de água durante o dia. Isso faz com que a urina fique mais concentrada e ocorra a precipitação do cálcio em excesso, sendo notados os cristais no exame de urina.

O que fazer: apesar da presença de cristais de oxalato de cálcio na urina não ser considerado motivo de preocupação, é importante aumentar a ingestão de água e ajustar a dieta com a orientação de um nutricionista, pois assim é possível também diminuir o risco de desenvolver cálculos renais. Dessa forma, é importante aumentar o consumo de frutas, verduras e alimentos integrais, além de diminuir o consumo de sal. Veja mais detalhes da alimentação para evitar pedra nos rins.

2. Cálculo renal

O cálculo renal, também conhecido como pedra nos rins, é uma sensação bastante desconfortável caracterizada pela presença de massas semelhantes a pedras no trato urinário. Através do exame de urina do tipo 1, é possível identificar o tipo de pedra presente no rim, pois são identificados cristais na urina, podendo haver a presença de cristais de oxalato de cálcio quando a pedra surge como consequência de uma alimentação rica em cálcio, sódio e proteínas.

As pedras normalmente causam bastante dor e desconforto, principalmente no fundo das costas, além de causar dor e sensação de queimação ao urinar. Em alguns casos, a pessoa pode notar também que a urina está rosa ou vermelha, o que é indicativo de que a pedra pode estar presa no canal urinário, causando obstrução e inflamação. Saiba como reconhecer os sintomas de pedra nos rins.

O que fazer: nesse caso, é importante que a pessoa vá ao hospital para que seja avaliada e o melhor tratamento possa ser iniciado, o que pode variar de acordo com a localização, quantidade e tamanho da pedra. De forma geral, o urologista ou o nefrologista pode indicar o uso de medicamentos para aliviar a dor e para favorecer a eliminação da pedra através da urina.

No entanto, nos casos em que a pedra é muito grande e não consegue ser eliminada, pode ser necessária a realização de um pequeno procedimento cirúrgico. Veja como é feito o tratamento para pedra nos rins.

3. Diabetes

A diabetes pode ser caracterizada por diversas alterações no exame de sangue e de urina, podendo ser notada em alguns casos a presença de cristais de oxalato de cálcio na urina, principalmente quando a diabetes não está controlada e resulta em alterações nos rins, seja por falta de tratamento ou ausência de resposta ao tratamento indicado pelo médico.

Além da presença de cristais de oxalato de cálcio, pode ser notado também em alguns casos a presença de glicose na urina e de bactérias ou leveduras, uma vez que pessoas com diabetes não controlada têm maior probabilidade de desenvolver infecções urinárias devido à elevada concentração de glicose circulante, o que favorece o desenvolvimento de microrganismos.

O que fazer: é fundamental que a pessoa siga o tratamento indicado pelo endocrinologista, pois assim é possível manter a glicose em uma concentração adequada, evitando as complicações. O tratamento para a diabetes normalmente envolve o uso de medicamentos que ajudam a regular a quantidade de glicose circulante, bem como melhora dos hábitos alimentares e prática de atividade física. Confira como é feito o tratamento para diabetes.

4. Alterações no fígado

Algumas alterações no fígado podem também favorecer a formação de cristais de oxalato de cálcio, que são identificados através do exame de urina. Além disso, quando há alterações no fígado, o exame de urina também pode indicar a presença de bilirrubina e/ ou de hemoglobina na urina. Veja outros exames que avaliam o fígado.

O que fazer. nesse caso, é importante que o hepatologista ou clínico geral seja consultado para que seja feita uma avaliação completa do fígado e seja identificada a alteração, dando início ao tratamento mais adequado.

5. Doenças renais

Alterações nos rins como infecção, inflamação ou insuficiência também podem resultar no aparecimento de cristais de oxalato de cálcio na urina, já que a atividade dos rins pode estar prejudicada de forma de o processo de filtração e reabsorção pode estar prejudicado.

O que fazer: é importante que o médico que indicou a realização do exame avalie o resultado, verificando se há qualquer outra alteração além da presença de cristais para que seja identificada a causa e iniciado o tratamento adequado, evitando danos mais graves aos rins.

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Atualizado por Marcela Lemos - Biomédica, em julho de 2022. Revisão médica por Dr.ª Clarisse Bezerra - Médica de Saúde Familiar, em junho de 2020.

Bibliografia

  • MUNDT, Lilian A.; SHANAHAN, Kristy. Exame de urina e de fluidos corporais de Graff. 2 ed. Porto Alegre : Artmed, 2012. p. 66-67.
Revisão médica:
Dr.ª Clarisse Bezerra
Médica de Saúde Familiar
Formada em Medicina pelo Centro Universitário Christus e especialista em Saúde da Família pela Universidade Estácio de Sá. Registro CRM-CE nº 16976.