Transplante renal: quando é indicado e como é a recuperação

fevereiro 2022

O transplante renal, ou transplante de rins, é uma cirurgia indicada nos casos de doença renal avançada, com danos graves no rim que prejudicam a sua função ou que fazem o rim parar de funcionar completamente, geralmente causados pela insuficiência renal crônica.

Os rins têm como principal função filtrar e eliminar toxinas do organismo, manter o equilíbrio de água e minerais no corpo, além de regular a pressão arterial e produzir hormônios. Assim, o transplante renal tem como objetivo restaurar a função do rim por meio da substituição de um rim doente por outro saudável, proveniente de um doador saudável e compatível.

O transplante renal deve ser indicado pelo nefrologista e o tempo de recuperação geralmente é de cerca de 3 meses, sendo importante seguir alguns cuidados para a recuperação, como tomar os remédios indicados pelo médico e fazer uma alimentação balanceada, conforme orientação do nutricionista.

Quando é indicado

O transplante renal é indicado pelo nefrologista no caso de doença renal crônica avançada, que é uma condição caracterizada por uma lesão no rim que persiste por mais de 3 meses, fazendo com que o rim perca a capacidade de filtrar o sangue e eliminar resíduos do organismo, acumulando líquidos no corpo e aumentando a pressão arterial. Entenda melhor o que é a doença renal crônica avançada e principais causas.  

Alguns fatores podem contribuir para o desenvolvimento da doença renal crônica avançada, como:

  • Inflamação crônica dos glomérulos renais, responsáveis pela filtração do sangue;
  • Doença renal policística;
  • Isquemia crônica ou aguda do rim, em que ocorre uma diminuição do fluxo sanguíneo no rim;
  • Lesões irreversíveis no rim, como a nefropatia de refluxo.

Geralmente, o transplante renal é indicado pelo médico quando os danos no rim são irreversíveis, ou seja, não é possível recuperar a função do rim, ou em casos de múltiplas hemodiálises por semana, e, desta forma, é possível melhorar a qualidade de vida da pessoa.

Como se preparar para o transplante

Alguns cuidados são importantes para se preparar para o transplante, como esclarecer com o médico todas as dúvidas sobre a cirurgia, a recuperação e possíveis riscos do transplante.

De forma a avaliar as condições de saúde e a função do rim, o médico deve solicitar exames, como exame físico completo, análises de sangue, exames de imagem como tomografia computadorizada ou ressonância magnética.

Como é feito 

O transplante renal pode ser feito com o rim de um doador vivo, sem qualquer doença, podendo ser relacionado ou não com o paciente, ou de um doador já falecido, nesse caso a doação só poderá ser realizada após confirmação de morte encefálica e autorização da família.

O rim do doador é retirado juntamente com uma porção da artéria, veia e ureter, por meio de uma pequena incisão no abdômen. Dessa forma, o rim transplantado é colocado no receptor, as porções da veia e artéria são ligadas às veias e artérias do receptor e o ureter transplantado é ligado à bexiga. 

O rim não funcional da pessoa transplantada normalmente não é retirado, pois sua pouca função é útil quando o rim transplantado ainda não é completamente funcional. O rim doente só é retirado caso esteja causando infecção, por exemplo.

O transplante de rim é realizado de acordo com as condições de saúde, não sendo indicado para pessoas que tenham doenças cardíacas, do fígado ou infecciosas, por exemplo, pois pode aumentar os riscos do procedimento cirúrgico.

Como se avalia se o transplante é compatível

Antes de ser realizado o transplante, devem ser feitos exames de sangue com o objetivo de verificar a compatibilidade dos rins para, assim, diminuir as chances de rejeição do órgão. Dessa forma, os doadores podem ser ou não relacionados com o paciente que será transplantado, desde que haja compatibilidade.

Como é a recuperação

A recuperação após o transplante de rim, na primeira semana, é feita no hospital, com acompanhamento do cirurgião, do anestesista e do enfermeiro, para que possam ser observados de perto possíveis sinais de reação ao transplante e o tratamento possa ser feito imediatamente. 

Nesse período, o rim transplantado deve começar a funcionar normalmente, o que pode ocorrer imediatamente após a cirurgia ou demorar alguns dias, sendo que nesse caso, é recomendado fazer hemodiálise até que o novo rim comece a funcionar.

O curativo na barriga que protege a cicatriz contra infecções será trocado pelo enfermeiro sempre que houver necessidade e, caso a pessoa sinta dor, o médico poderá receitar o uso de analgésicos.

A partir do momento em que a pessoa encontra-se estabilizada, não há sinais de rejeição e os exames são considerados normais, o médico pode dar alta, sendo importante seguir o tratamento e as recomendações médicas em casa.

1. Cuidados diários

Após a alta hospitalar, alguns cuidados diários devem ser seguidos em casa para ajudar na recuperação do transplante renal, como:

  • Tomar os remédios imunossupressores, como prednisolona, azatioprina e ciclosporina, nos horários certos conforme indicado pelo médico para evitar a rejeição do rim;
  • Tomar os antibióticos receitados pelo médico para evitar possíveis infecções;
  • Não realizar atividades físicas nos primeiros 3 meses;
  • Realizar exames semanais durante o primeiro mês, espaçando para duas consultas mensais até o 3º mês devido ao risco de rejeição do órgão pelo organismo;
  • Evitar fumar;
  • Evitar o contacto com pessoas doentes e locais poluídos.

A recuperação total do transplante, geralmente dura cerca de 3 meses e após esse período, o médico pode recomendar atividades físicas, como caminhada ou natação, por exemplo, feitas com a orientação de um educador físico, para que se possa controlar o peso e prevenir complicações do transplante renal, como aumento da pressão arterial ou do colesterol.

2. Cuidados com a alimentação

Após o transplante renal, deve-se fazer uma dieta equilibrada que ajude a controlar o peso, de forma a evitar a rejeição do rim transplantado, diminuir o risco de desenvolver infecção ou complicações, como doenças cardiovasculares, diabetes ou pressão alta.

Desta forma, a dieta deve ser orientada por um nutricionista e normalmente, deve ser mantida de forma rigorosa até os valores de exame de sangue estarem estáveis, sendo recomendado:

  • Comer vegetais e frutas, pelo menos 5 porções por dia; 
  • Consumir alimentos ricos em fibra, como cereais e sementes, todos os dias;
  • Aumentar a quantidade de alimentos com cálcio e fósforo, como leite desnatado, amêndoa e salmão, em alguns casos tomar um suplemento indicado pelo nutricionista, para manter os ossos e dentes fortes;
  • Não consumir sódio, que é encontrado no sal de cozinha e alimentos enlatados e congelados, para ajudar a controlar a retenção de líquido, inchaço e pressão alta;
  • Consumir carnes magras, como frango ou peixe, nas quantidades recomendadas pelo nutricionista;
  • Fazer uma dieta pobre em açúcares, como doces, pois levam ao aumento rápido do açúcar no sangue, devendo-se optar por carboidratos, encontrados no arroz, milho, pão, massas e batata. Confira os alimentos ricos em açúcar que devem ser evitados;  
  • Evitar consumir alimentos gordurosos e frituras;
  • Evitar bebidas alcoólicas, pois prejudicam o funcionamento do fígado;
  • Limitar a quantidade de potássio, encontrado na banana e laranja, por exemplo, pois a medicação aumenta o potássio. Veja alimentos ricos em potássio que devem ser evitados;   
  • Não ingerir legumes crus, optando por cozer, lavando sempre com 20 gotas de hipoclorito de sódio em dois litros de água, deixando repousar por 10 minuto;
  • Não comer marisco, gemada e embutidos;
  • Guardar os alimentos na geladeira apenas por um período de 24 horas, evitando comer comida congelada;
  • Lavar muito bem a fruta e optar por fruta cozida e assada;
  • Beber líquidos para hidratar o corpo, nas quantidades recomendadas pelo médico e nutricionista.

É importante seguir as recomendações do nutricionista e manter uma dieta equilibrada e variada para manter o bom funcionamento do organismo e evitar complicações do transplante renal.

Possíveis complicações

Algumas complicações que podem surgir após o transplante renal são:

  • Rejeição do rim transplantado;
  • Infecção na cicatriz cirúrgica;
  • Infecções urinárias ou generalizadas;
  • Formação de coágulos no sangue ou trombose;
  • Obstrução urinária;
  • Sangramento ou hemorragia.

Embora sejam raros, também podem ocorrer complicações da anestesia geral como reações anafiláticas, náuseas, vômitos, queda da pressão arterial, calafrios, tremores, febre, infecção, por exemplo. 

Além disso, também podem surgir efeitos colaterais dos remédios imunossupressores, como aumento do peso, osteoporose, diabetes, inchaço corporal, alterações na pele e mucosas, como acne ou aftas, aumento do risco de câncer de pele ou linfoma, ou aumento da quantidade de pelos no corpo, especialmente no rosto das mulheres.

Sinais de alerta para voltar ao médico

É importante consultar o obstetra ou procurar o pronto socorro mais próximo caso surjam sintomas como:

  • Febre superior a 38ºC;
  • Ardor ao urinar;
  • Aumento de peso repentino;
  • Tosse frequente;
  • Diarréia;
  • Dificuldade para respirar;
  • Inchaço, calor e vermelhidão no local da cicatriz.

Esses sintomas podem indicar uma infecção e, nesses casos, deve-se buscar ajuda médica imediatamente.

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Atualizado por Flávia Costa - Farmacêutica, em fevereiro de 2022.

Bibliografia

  • VOORA, S.; ADEY, D. B. Management of Kidney Transplant Recipients by General Nephrologists: Core Curriculum 2019. Am J Kidney Dis. 73. 6; 866-879, 2019
  • ABRAMYAN, S.; HANLON, M. IN: STATPEARLS [INTERNET]. TREASURE ISLAND (FL): STATPEARLS PUBLISHING. Kidney Transplantation. 2022. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK567755/>. Acesso em 21 fev 2022
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  • AUGUSTINE, J. Kidney Transplant: New opportunities and challenges. Cleve Clin J Med. 85. 2; 138-144, 2018
Equipe editorial constituída por médicos e profissionais de saúde de diversas áreas como enfermagem, nutrição, fisioterapia, análises clínicas e farmácia.

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  • Dieta para tratar a insuficiência renal

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