Teplizumabe é um anticorpo monoclonal indicado para retardar o início do diabetes tipo 1 em estágio 2, caracterizado pela presença de dois ou mais autoanticorpos contra as células beta do pâncreas e alterações na glicemia, mas sem apresentar sintomas.
O medicamento atua modulando o sistema imunológico, reduzindo a destruição das células beta do pâncreas, responsáveis pela produção de insulina, e ajudando a atrasar o aparecimento do diabetes tipo 1.
Disponível com o nome comercial Tzield, o teplizumabe é aplicado por infusão intravenosa, ou seja, diluído e administrado na veia, geralmente durante 14 dias consecutivos, sempre em hospital ou centro especializado sob supervisão médica.
Para que serve
O teplizumabe serve para:
- Atuar em pessoas com diabetes tipo 1 em estágio 2, com autoanticorpos e alterações na glicemia;
- Reduzir a velocidade com que as células do pâncreas que produzem insulina são destruídas;
- Atrasar a progressão do estágio 2 para o estágio 3 da diabetes tipo 1 (fase com sintomas e necessidade de insulina).
O Tzield é usado principalmente em pessoas que ainda não apresentam sintomas de diabetes tipo 1, mas possuem alterações imunológicas e glicêmicas compatíveis com o estágio 2 da doença.
Como funciona
O teplizumabe é um anticorpo que atua diretamente no sistema imunológico, se ligando a uma proteína presente em células de defesa chamadas linfócitos T.
No diabetes tipo 1, essas células atacam as células beta do pâncreas, que produzem insulina. O Tzield ajuda a modificar essa resposta do sistema imunológico, reduzindo o ataque às células do pâncreas. Entenda melhor o que é a diabetes tipo 1.
Com isso, a destruição dessas células pode acontecer mais lentamente, o que ajuda a atrasar o desenvolvimento do diabetes tipo 1 clínico.
Para entender melhor como funciona o teplizumabe, fale com um profissional Rede D'Or especializado no uso de imunobiológicos.
Para quem é indicado
O teplizumabe é indicado para adultos e crianças a partir de 8 anos de idade que apresentam diabetes tipo 1 em estágio 2, confirmado por exames laboratoriais, mas ainda sem sintomas da doença.
No estágio 2 da diabetes tipo 1, não há sintomas evidentes, sendo a doença detectada apenas por exames laboratoriais. Veja os sintomas da diabetes tipo 1.
Como usar
O teplizumabe é aplicado por infusão intravenosa, ou seja, o medicamento é diluído, geralmente em soro, e administrado lentamente diretamente na veia, em hospital ou centro especializado, sob supervisão médica.
O tratamento geralmente é feito uma vez por dia durante 14 dias consecutivos, com aumento progressivo da dose a cada dia. Podendo o esquema de doses incluir:
- Dia 1: 65 mcg/m²;
- Dia 2: 125 mcg/m²;
- Dia 3: 250 mcg/m²;
- Dia 4: 500 mcg/m²;
- Dia 5 ao Dia 14: 1.030 mcg/m².
O valor total da dose é calculado multiplicando a dose diária pela superfície corporal da pessoa, que considera peso e altura, por isso a dose pode variar entre crianças, adolescentes e adultos.
Cada infusão dura cerca de pelo menos 30 minutos, e durante esse tempo a pessoa é monitorada para acompanhar a pressão arterial, os batimentos do coração e possíveis reações ao medicamento.
Além disso, antes das infusões, pode ser recomendado o uso de medicamentos para prevenir reações, como antialérgicos, analgésicos ou medicamentos para febre.
Possíveis efeitos colaterais
Os efeitos colaterais mais comuns do teplizumabe incluem febre, dor de cabeça, cansaço, náuseas, dor muscular, erupções na pele e redução temporária de alguns tipos de células do sangue, como linfócitos, neutrófilos e plaquetas.
Entre os efeitos menos frequentes podem ocorrer aumento das enzimas do fígado, calafrios, queda de pressão durante a infusão e infecções respiratórias leves.
Em casos raros, podem ocorrer reações graves, como síndrome de liberação de citocinas, infecções sérias ou fortes reações alérgicas, como anafilaxia, que pode causar dificuldade para respirar e inchaço no rosto, exigindo atendimento médico imediato. Saiba o que é anafilaxia.
Quando não é indicado
O teplizumabe não é indicado nas seguintes situações:
- Crianças menores de 8 anos;
- Estágio 1 ou estágio 3 da diabetes tipo 1;
- Alergia ao teplizumabe ou a qualquer componente da fórmula;
- Infecções graves ou ativas, como pneumonia grave ou tuberculose ativa;
- Alterações importantes nas células do sangue, como anemia grave, baixa contagem de glóbulos brancos ou plaquetas.
O medicamento também pode não ser indicado em situações que aumentam o risco de infecções ou problemas no sistema imunológico, como quimioterapia, transplante, HIV avançado ou doenças autoimunes graves.
O uso durante a gravidez ou amamentação deve ser avaliado pelo médico, já que ainda existem poucos dados sobre segurança nessas situações.
O teplizumabe não é indicado para outros tipos de diabetes, como diabetes tipo 2 ou diabetes gestacional. Conheça outros tipos de diabetes.
Cuidados durante o uso
Antes de iniciar o tratamento, exames de sangue podem ser solicitados para avaliar a quantidade de células de defesa e a função do fígado. Durante o tratamento, esses exames podem ser repetidos para acompanhar possíveis alterações.
Também é importante ter cuidado ao usar outros medicamentos que afetam o sistema imunológico, como corticoides ou remédios para doenças autoimunes, pois a combinação pode aumentar o risco de infecções.
Além disso, é recomendado informar ao médico caso tenha recebido recentemente ou esteja programada para receber alguma vacina, pois o teplizumabe pode reduzir a eficácia da imunização, especialmente vacinas com microrganismos vivos.