Surto psicótico: o que é, sintomas, causas e tratamento

Revisão médica: Dr. Gonzalo Ramirez
Clínico Geral e Psicólogo
março 2022
  1. Sintomas
  2. Causas
  3. Diagnóstico
  4. Tratamento
  5. Prevenção

O surto psicótico é uma alteração temporária do estado mental em que há uma dissociação entre a realidade e a percepção que a pessoa tem dela, podendo haver alucinações, ansiedade e agressividade durante o episódio.

Essa situação pode ser desencadeada por algumas doenças psiquiátricas, como transtorno bipolar ou esquizofrenia, ou ser resultado do consumo de drogas alucinógenas ou da exposição a produtos industriais, como o chumbo, por exemplo. Portanto, a ocorrência de um surto psicótico não necessariamente está relacionado com um transtorno psiquiátrico, sendo importante que a pessoa seja avaliada por um médico.

O tratamento para o surto psicótico deve ser feito no hospital, sendo necessário o uso de medicamentos antipsicóticos e, em alguns casos, benzodiazepínicos prescritas por um psiquiatra. Além disso, é importante que durante o surto a pessoa encontre um lugar tranquilo e não confronte as alucinações e ideias delirantes, devendo entrar em contato com uma ambulância para receber atenção médica imediata.

Sintomas de surto psicótico

A pessoa no surto psicótico pode apresentar alguns sintomas, sendo os principais:

  • Alucinações, que corresponde à presença de sons, imagens ou sensações que não existem;
  • Não saber diferenciar o real e o fictício, apesar da demonstração de evidências;
  • Ideias delirantes, como pensar que o vizinho é um espião que quer roubar informações, por exemplo;
  • Ilusões, que são distorções de algo real, como ver uma mesa e acreditar que é um animal, por exemplo.

Esses sintomas podem ser acompanhados por alterações motoras, como movimentos agressivos, gritos, choro e linguagem inadequada.

É importante levar em consideração que a ocorrência de um surto psicótico em uma pessoa sem antecedentes de doença psiquiátrica, não necessariamente indica que sofre de psicose, sendo importante que seja avaliada por um psiquiatra e neurologista para descartar outra possível alteração cerebral ou mental que possa estar associada ao surto psicótico.

Possíveis causas

Alguns fatores podem favorecer a ocorrência de um surto psicótico, como:

  • Complicações antes e durante o parto, como infecções ou estresse materno;
  • Familiar com esquizofrenia ou psicose;
  • Doenças psiquiátricas, como transtorno bipolar ou esquizofrenia;
  • Falta de adesão ao tratamento antipsicótico;
  • Consumo de drogas alucinógenas;
  • Abstinência de álcool ou medicamentos sedativo-hipnóticos, como o Zolpidem;
  • Medicamentos com efeito anticolinérgico, como os antiparkinsonianos ou antidepressivos tricíclicos;
  • Exposição a produtos industriais, como o chumbo;
  • Alterações metabólicas, como hipoglicemia e hiper ou hipotireoidismo;
  • Deficiência de vitamina B12;
  • Fases iniciais da doença de Alzheimer.

Além disso, tem sido proposto que vivenciar experiências extremamente estressantes poderia desencadear um surto psicótico, fazendo com que exista uma perda do sentido e da realidade e que haja a necessidade de atenção psiquiátrica imediata.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico do surto psicótico deve ser feito em ambiente hospitalar por um psiquiatra, o qual deve realizar uma avaliação física e neurológica para verificar o estado de consciência da pessoa e sua situação clínica. No caso da pessoa estar agitada e não ser capaz de responder às perguntas do médico, pode ser necessário sedá-lo, devendo o médico buscar informações com familiares e/ ou amigos.

Além disso, o médico pode recomendar a realização de exames de sangue e urina para identificar a possível ingestão de drogas, além de exames de imagem como eletroencefalograma, tomografia ou ressonância magnética para descartar outras possíveis doenças ou alterações cerebrais que podem causar o surto.

Tratamento para surto psicótico

O tratamento para o surto psicótico tem início com a estabilização ou correção da sua causa, como suspender o medicamento ou administrar o antídoto adequado à droga alucinógena, por exemplo. Em seguida, o psiquiatra pode indicar o tratamento mais adequado, que pode envolver o uso de antipsicóticos, como Haloperidol, Olanzapina ou Ziprasidona, e benzodiazepínicos.

É importante garantir um ambiente seguro para a pessoa que teve um surto psicótico, assim como para equipe que irá tratá-la, evitando estímulos estressantes como ruídos, por exemplo. Além disso, não é recomendado que seja feito o confronto das ideias delirantes, alucinações ou ilusões que a pessoa tenha tido, pois isso pode alterar ainda mais a pessoa, de forma que pode vir a ter comportamentos agressivos.

Como prevenir

Para prevenir o surto psicótico é importante ter em consideração o risco da pessoa em tê-lo, devendo levar em consideração o diagnóstico estabelecido de um transtorno psiquiátrico, o histórico pessoal e familiar de surto psicótico, a falta de adesão ao tratamento psiquiátrico, assim como experiências e comportamentos que favoreçam o surto.

Dessa forma, o psiquiatra pode indicar a realização da terapia cognitiva-comportamental, com ou sem intervenção familiar, para oferecer ferramentas à pessoa e aos familiares sobre como lidar com esses episódios. É importante também não realizar a automedicação e nem oferecer à pessoa medicamentos antipsicóticos que não tenham sido orientados pelo psiquiatra.

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Atualizado por Equipe Editorial do Tua Saúde, em março de 2022. Revisão médica por Dr. Gonzalo Ramirez - Clínico Geral e Psicólogo, em março de 2022.

Bibliografia

  • VISPE, Amaia et al. De la psicosis aguda al primer episodio psicótico: rumbo a la cronicidad. Rev. Asoc. Esp. Neuropsiq. 35. 128; 731-748, 2015
  • SERVICIO ANDALUZ DE SALUD. CONSEJERÍA DE SALUD. Guía de práctica clínica para el tratamiento de la psicosis y la esquizofrenia. Manejo en Atención Primaria y en Salud Mental. 2016. Disponível em: <https://www.consaludmental.org/publicaciones/gpc-tratamiento-psicosis-esquizofrenia.pdf>. Acesso em 21 mar 2022
Mostrar bibliografia completa
  • MORLET, Arturo et al. Manejo del Paciente Psicótico en el Servicio de Urgencias de un Hospital General. SALUD EN TABASCO. 14. 3; 792-806, 2008
Revisão médica:
Dr. Gonzalo Ramirez
Clínico Geral e Psicólogo
Clínico geral pela UPAEP com cédula profissional nº 12420918 e licenciado em Psicologia Clínica pela UDLAP nº 10101998.