Síndrome do desfiladeiro torácico: o que é, sintomas e tratamento

Revisão clínica: Marcelle Pinheiro
Fisioterapeuta
abril 2022

A síndrome do desfiladeiro torácico é uma compressão dos nervos e/ou dos vasos sanguíneos que estão localizados na região do desfiladeiro torácico, entre a clavícula e a primeira costela, devido a lesões ou irritações nessas estruturas, levando ao surgimento de sintomas como dor no braço, ombro e pescoço, sensação de formigamento ou dificuldade para movimentar os braços.

Normalmente, a síndrome do desfiladeiro torácico é causada por traumas, acidentes ou esforços repetitivos, como no caso de atletas ou atividade profissional, mas também pode se desenvolver em grávidas, reduzindo ou desaparecendo após o parto.

O tratamento da síndrome do desfiladeiro torácico é feito pelo ortopedista que pode indicar o o uso de remédios para aliviar a dor e fisioterapia para diminuir a compressão dos nervos e/ou vasos sanguíneos.

Principais sintomas

Os sintomas da síndrome do desfiladeiro torácico variam de acordo com a estrutura que está comprimida, que pode ser os nervos, as artérias ou as veias entre a clavícula e a primeira costela.

Os principais sintomas da síndrome do desfiladeiro torácico são:

  • Dor no braço, mão, ombro ou pescoço;
  • Sensação de formigamento ou queimação no braço, mão e dedos;
  • Fraqueza ou
  • Dificuldade para movimentar o braço;
  • Fraqueza no pescoço, braços ou tórax;
  • Inchaço dos braços, mãos ou dedos;
  • Mãos e dedos roxos ou pálidos;
  • Alteração da sensibilidade ou diminuição da temperatura no das mãos e dedos;
  • Dor ou ferida nos dedos;
  • Saliência perto da clavícula;
  • Dor na lateral da cabeça ou nuca;
  • Dor na lateral do braço e em cima da mão, entre o indicador e o polegar;
  • Dor na região supraclavicular que piora ao abrir o braço ou segurar objetos pesados;
  • Sensação de peso, dor, aumento da temperatura da pele, roxidão e inchaço, especialmente no ombro.

Além disso, a síndrome do desfiladeiro torácico pode causar dor no peito que muitas vezes pode ser confundida com a dor da angina. No entanto, a dor no peito do desfiladeiro torácico não piora após esforços, mas aumenta ao levantar o braço afetado. Veja como identificar os sintomas da angina.

É importante consultar o ortopedista sempre que surgirem sintomas ou procurar o pronto socorro no caso de apresentar dor no peito, para que seja feito o diagnóstico e iniciado o tratamento mais adequado.

Como confirmar o diagnóstico

O diagnóstico da síndrome do desfiladeiro torácico é feito pelo ortopedista através da avaliação dos sintomas e histórico de saúde, exame físico e raio X do tórax e da coluna cervical.

Além disso, o médico também pode solicitar exames de ultrassom com Doppler, tomografia computadorizada ou ressonância magnética, para verificar qual estrutura da região do desfiladeiro torácico está comprimida.

Outros exames que o médico pode solicitar são arteriografia ou angiografia, para confirmar se existe compressão dos vasos sanguíneos, ou eletromiografia para verificar danos no nervo.

Tipos de síndrome do desfiladeiro torácico

A síndrome do desfiladeiro torácico é classificada em diferentes tipos de acordo com a estrutura afetada e inclui:

  • Síndrome do desfiladeiro torácico neurogênico: é o tipo mais comum desta síndrome, que afeta os nervos do plexo braquial, responsáveis pelos movimentos e sensibilidade dos braços e mãos;
  • Síndrome do desfiladeiro torácico venoso: afeta as veias entre a clavícula e a primeira costela, que ficam comprimidas, o que resulta na formação de coágulos sanguíneos, o que leva a uma diminuição do fluxo sanguíneo para o braço e mão. Esse tipo de síndrome do desfiladeiro torácico geralmente está associada a esforços repetitivos, sendo mais comum em homens;
  • Síndrome do desfiladeiro torácico arterial: é o tipo mais raro desta síndrome, e também mais grave, pois afeta as artérias subclávia, localizada sob a clavícula, que fica comprimida, podendo levar ao surgimento de aneurisma. Geralmente esse tipo de síndrome do desfiladeiro torácico está associado à alterações congênitas da musculatura do pescoço.

Seja qual for o tipo de síndrome do desfiladeiro torácico, o tratamento deve ser feito com orientação médica, com o objetivo de aliviar os sintomas, descomprimir a estrutura afetada e evitar complicações.

Possíveis causas

A síndrome do desfiladeiro torácico é causada uma compressão nos nervos e/ou vasos sanguíneos da região do desfiladeiro torácico, localizado entre a clavícula e a primeira costela, sendo que algumas situações podem levar ao seu surgimento, como:

  • Distúrbios congênitos, como alterações anatômicas na primeira costela ou no músculo do pescoço, ou presença de uma costela extra;
  • Má postura;
  • Traumas ou acidentes no pescoço;
  • Lesões cervicais;
  • Fratura na clavícula;
  • Tumor na região do pescoço;
  • Má posição ao dormir.

Além disso, a síndrome do desfiladeiro torácico pode surgir devido a lesões no braço ou na clavícula por esforço repetitivo, como no caso de atletas ou atividades profissionais que envolvem movimentos repetitivos do ombro ou braço.

Como é feito o tratamento

O tratamento da síndrome do desfiladeiro torácico deve ser feito com orientação do ortopedista, e varia de acordo com o tipo de síndrome e sua causa.

Os principais tratamentos para a síndrome do desfiladeiro torácico incluem:

1. Remédios

Os remédios que podem ser indicados para o tratamento da síndrome do desfiladeiro torácico, ajudam a aliviar a dor ou evitar a formação de coágulos nos vasos sanguíneos, e incluem:

  • Anti-inflamatórios, como ibuprofeno;
  • Analgésicos, como paracetamol;
  • Anticoagulantes, como varfarina ou heparina;

Além disso, o médico também pode recomendar o uso de remédios trombolíticos aplicados diretamente na veia, em ambiente hospitalar, para dissolver coágulos sanguíneos.

2. Fisioterapia

A fisioterapia pode ser indicada pelo ortopedista, especialmente no caso da síndrome do desfiladeiro torácico neurogênica, e deve ser feita com orientação do fisioterapeuta, com exercícios de alongamento e fortalecimento dos músculos do ombro e do pescoço, para melhorar a força muscular, a amplitude do movimento e a postura, o que ajuda a aliviar os sintomas.

Além disso, a fisioterapia também pode ajudar a aliviar a compressão dos vasos sanguíneos e melhorar o fluxo de sangue, podendo ser indicada pelo médico para complementar o tratamento da síndrome do desfiladeiro torácico arterial ou venoso.

3. Cirurgia

A cirurgia pode ser recomendada pelo ortopedista nos casos mais graves, em que os sintomas não melhoram com o uso de remédios ou fisioterapia.

A cirurgia para a síndrome do desfiladeiro torácico pode ser feita pelo cirurgião para descomprimir os vasos sanguíneos e/ou nervos afetados. Na cirurgia, o médico pode-se cortar o músculo escaleno, remover a costela cervical, remover as estruturas que podem estar comprimindo o nervo ou vaso sanguíneo, ou aplicar remédios trombolíticos diretamente na veia ou artéria para dissolver coágulos sanguíneos.

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Atualizado por Flávia Costa - Farmacêutica, em abril de 2022. Revisão clínica por Marcelle Pinheiro - Fisioterapeuta, em abril de 2022.

Bibliografia

  • JONES, M. R.; et al. Thoracic Outlet Syndrome: A Comprehensive Review of Pathophysiology, Diagnosis, and Treatment. Pain Ther. 8. 1; 5–18, 2019
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Mostrar bibliografia completa
  • PEEK, J.; et al. Outcome of Surgical Treatment for Thoracic Outlet Syndrome: Systematic Review and Meta-Analysis. Ann Vasc Surg. 40. 303-326, 2017
  • LEVINE, N. A.; RIGBY, B. R. Thoracic Outlet Syndrome: Biomechanical and Exercise Considerations. Healthcare (Basel). 6. 2; 68, 2018
Revisão clínica:
Marcelle Pinheiro
Fisioterapeuta
Formada em Fisioterapia pela UNESA em 2006 com registro profissional no CREFITO- 2 nº. 170751 - F e especialista em dermatofuncional.