Sachê de nicotina: o que é, como funciona (e riscos)

O sachê de nicotina é uma pequena bolsa, similar a um saquinho de chá ou goma de mascar, que contém diferentes concentrações de nicotina, além de fibras vegetais, aromatizantes e adoçantes.

Também conhecido como bolsa de nicotina oral, snus ou nicotine pouche, esse produto pode aumentar o risco de dependência, doenças cardiovasculares e no desenvolvimento cerebral de jovens.

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Assim, devido à ausência de estudos conclusivos sobre a sua segurança e os potenciais riscos à saúde pública, a fabricação e a comercialização do sachê de nicotina é proibido pela Anvisa no Brasil.

Imagem ilustrativa número 1

Como funciona o sachê de nicotina

O sachê de nicotina é colocado na boca entre o lábio e a gengiva, e funciona pela absorção por meio da mucosa oral. 

Assim, a partir do contato com a saliva, a nicotina entra diretamente na corrente sanguínea através dos tecidos da boca, não necessitando chegar aos pulmões.

Existem diferentes níveis de concentração de nicotina nestes produtos, podendo variar desde doses mais baixas, como 1,5 mg ou 2 mg, até concentrações muito altas, como 50 mg ou até 150 mg por sachê.

Principais riscos

Os principais riscos do uso do sachê de nicotina são:

1. Dependência e toxicidade

A nicotina é uma substância altamente viciante em todas as formas de uso, incluindo na forma de sachê.

Muitos sachês têm um pH alcalino, fazendo com que uma grande quantidade de nicotina chegue à corrente sanguínea de forma muito rápida, aumentando muito o potencial de dependência.

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O sachê de nicotina também pode causar toxicidade e sintomas como náuseas, tontura, dor de cabeça, soluço, irritação na garganta e desconforto no estômago.

Além disso, como os sachês não são regulamentados, podem conter nicotina sintética, como a 6-metil nicotina, que é muito mais potente, neurotóxica e aumenta o risco de convulsões.

2. Doenças cardiovasculares

O sachê de nicotina é uma potente toxina cardiovascular, porque ativa o sistema nervoso simpático. Esse mecanismo leva à liberação de adrenalina, noradrenalina, causando aumentos na frequência cardíaca, pressão arterial e na força de contração, aumentando o trabalho do coração e a demanda de oxigênio.

A nicotina também prejudica a função do endotélio, que é uma fina camada de células que reveste o interior dos vasos sanguíneos e linfáticos, e da câmaras cardíacas, diminuindo a disponibilidade de óxido nítrico e favorecendo o estresse oxidativo e a inflamação.

Assim, a nicotina pode provocar danos ao coração e aos vasos sanguíneos, aumentando o risco de infarto, arritmias, pressão alta, insuficiência cardíaca e derrame.

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3. Problemas de saúde bucal

O sachê de nicotina tem um potencial risco de problemas de saúde bucal, pois o seu posicionamento entre os lábios e a gengiva pode provocar irritação e lesão local.

Assim, alguns estudos sugerem que este produto pode aumentar o risco de condições como inflamação, lesões e doença periodontal.

4. Riscos ao desenvolvimento cerebral de jovens

O uso de sachê de nicotina por adolescentes e jovens adultos pode afetar o desenvolvimento cerebral, prejudicando as regiões cerebrais responsáveis por controlar a atenção, a memória, o aprendizado e o controle dos impulsos.

Isso acontece porque na adolescência existe uma remodelação significativa dos circuitos cerebrais, especialmente os que envolvem o córtex pré-frontal e o sistema límbico.

Como os receptores nicotínicos têm um papel essencial nesse processo de maturação, o cérebro do adolescente possui uma sensibilidade particular à nicotina.

Assim, adolescentes que usam sachê de nicotina podem apresentar dependência de nicotina rapidamente e têm um risco elevado de desenvolver dependência de cigarro e outras drogas no futuro.

As alterações cerebrais causadas pela nicotina também podem persistir na idade adulta, causando aumento da predisposição à ansiedade e à depressão.

5. Complicações na gravidez

A nicotina é tóxica para o desenvolvimento dos bebês, aumentando o risco de complicações na gravidez como bebês sem vida ao nascer e a síndrome da morte súbita do lactente (SMSL).

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6. Aumento do risco de câncer

O sachê de nicotina poderia aumentar o risco de câncer, pois pode irritar a mucosa oral e por conter nitrosaminas conhecidas por causarem esta doença, como NNN e NNK, embora em concentrações bem menores do que nos cigarros comuns.

Além disso, estudos constataram a presença de substâncias como amônia, formaldeído, cinamaldeído, eugenol e metais pesados, como cromo e níquel, em algumas amostras de sachê de nicotina.

Entretanto, por serem produtos recentes, ainda não se tem evidências científicas suficientes sobre se o uso das bolsas de nicotina pode aumentar o risco de câncer no longo prazo.

O sachê de nicotina ajuda a parar de fumar?

Não existem evidências suficientes que indiquem que o sachê de nicotina ajuda a parar de fumar. Isso porque a nicotina é altamente viciante, o que pode dificultar a pessoa a parar de fumar.

São necessárias mais pesquisas robustas e com maior número de participantes, para entender melhor os efeitos do sachê de nicotina no abandono ou redução do tabagismo.

Existem muitos recursos já comprovados para ajudar a parar de fumar, como uso de remédios benzodiazepínicos, programa de desintoxicação e apoio psicológico.

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