Pé torto congênito: o que é, como identificar e tratamento

Revisão médica: Dr.ª Sani Santos Ribeiro
Pediatra e Pneumologista infantil
junho 2022

O pé torto congênito, também conhecido como pé torto congênito equinovaro ou, popularmente, como "pé torto para dentro", é uma má formação congênita em que o bebê já nasce com um pé ou os dois pés virados para dentro.

Essa alteração pode ser identificada ainda durante a gestação, através do exame de ultrassom, mas só é confirmada após o nascimento a partir da observação da posição dos pés, sem que seja necessário realizar qualquer outro exame para confirmar o diagnóstico.

O pé torto congênito tem cura desde que o tratamento seja feito de acordo com a orientação do pediatra e ortopedista, podendo ser indicada a realização do método de Ponseti, que consiste no uso de gesso e botas ortopédicas, ou realização de cirurgia para corrigir a posição dos pés, no entanto a cirurgia só é indicada quando os outros métodos de tratamento não têm efeito.

Como identificar

A identificação do pé torto congênito pode ser feita ainda durante a gestação por meio da realização da ultrassonografia, podendo ser visualizado por esse exame a alteração na posição dos pés. No entanto, a confirmação do pé torto congênito só é possível após o nascimento através da realização de um exame físico, não sendo necessário realizar qualquer outro exame de imagem, em que pode ser observado:

  • Pés voltados para baixo;
  • Parte da frente dos pés voltadas para dentro, em direção à perna contrária;
  • Panturrilha mais fina;
  • Pés menores que o normal para a idade.

Após a confirmação do pé torto congênito, o médico pode indicar a realização de outros exames com o objetivo de identificar a possível causa, uma vez que pode estar associado a alterações genéticas ou neuromusculares, ou ser apenas uma alteração postural, melhorando ao longo do tempo. Dessa forma, é possível iniciar o tratamento mais adequado.

Possíveis causas

As causas do pé torto ainda são desconhecidas e bastante discutidas, no entanto alguns pesquisadores acreditam que essa condição é essencialmente genética e que ao longo do desenvolvimento do bebê houve ativação de genes responsáveis por essa deformidade.

Outra teoria também aceita e discutida é a de que células com capacidade de contrair e estimular o crescimento podem estar presentes na parte interna da perna e o pé e que, ao contrair, direcionavam o crescimento e desenvolvimento dos pés para dentro.

Apesar de existirem várias teorias a respeito da ocorrência do pé torto, é importante que o tratamento seja iniciado cedo para garantir a qualidade de vida da criança.

Tratamento para pé torto congênito

É possível corrigir os pés tortos desde que o tratamento seja iniciado rapidamente. A idade ideal para se iniciar o tratamento é controverso, sendo recomendado por alguns ortopedistas que o tratamento seja iniciado logo após o nascimento, e por outros que seja iniciado apenas quando o bebê completar 9 meses ou quando tiver cerca de 80 cm de altura.

O tratamento pode ser feito por meio de manipulações, que corresponde ao tratamento conservador, ou cirurgia, sendo esta apenas indicada quando o primeiro método não é eficaz.

Tratamento conservador

O principal método de manipulações para tratamento de pé torto é conhecido como método de Ponseti, que envolve a manipulação das pernas da criança pelo médico ortopedista e a colocação de gesso a cada semana durante cerca de 5 meses para alinhamento correto dos ossos do pé e tendões.

Depois deste período, a criança deve usar umas botas ortopédicas 23 horas por dia, durante 3 meses, e à noite até completar os 3 ou 4 anos de idade, para evitar que o pé volte a entortar. Quando o método de Ponseti é realizado corretamente, a criança consegue andar e se desenvolver normalmente.

No entanto, nos casos em que o método de Ponseti não é eficaz, pode ser indicada a realização de cirurgia, que deve ser feita antes da criança completar 1 ano. Nessa cirurgia, os pés são colocados na posição correta e é realizado o alongamento do tendão de Aquiles, chamada de tenotomia. Apesar de também ser eficaz e melhorar a aparência do pé da criança, é possível que ao longo do tempo a criança vá perdendo força nos músculos das pernas e dos pés, que com o tempo podem causar dor e ficar rígidos.

Além disso, a fisioterapia para pé torto congênito pode ajudar melhorando a posição correta dos pés e fortalecendo os músculos das pernas e dos pés da criança.

Cirurgia para pé torto congênito

Nos casos em que o método de Ponseti não é eficaz, pode ser indicada a realização de cirurgia, que deve ser feita antes da criança completar 1 ano. Nessa cirurgia, os pés são colocados na posição correta e é realizado o alongamento do tendão de Aquiles, chamada de tenotomia.

Apesar de também ser eficaz e melhorar a aparência do pé da criança, é possível que ao longo do tempo a criança vá perdendo força nos músculos das pernas e dos pés, que com o tempo podem causar dor e ficar rígidos.

Dessa forma, a fisioterapia para pé torto congênito pode ajudar a fortalecer os músculos das pernas e ajuda a criança a apoiar os pés corretamente. O tratamento fisioterapêutico para pé torto congênito inclui manipulações, alongamentos e bandagens para ajudar a posicionar os pés.

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Atualizado e revisto clinicamente por Dr.ª Sani Santos Ribeiro - Pediatra e Pneumologista infantil, em junho de 2022.

Bibliografia

  • CHUEIRE, Alceu José F. G. et al. Tratamento do pé torto congênito pelo método de Ponseti. Revista Brasileira de Ortopedia. Vol 51. 3 ed; 313-318, 2016
  • MERLOTTI, Maria Henriqueta R.; BRAGA, Susana R.; SANTILI, Cláudio. Pé torto congênito. Revista Brasileira de Ortopedia. Vol 41. 5 ed; 137-144, 2006
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  • PÉ TORTO. Tratamento para o pé torto. Disponível em: <http://petorto.com.br/tratamento/>. Acesso em 13 set 2019
Revisão médica:
Dr.ª Sani Santos Ribeiro
Pediatra e Pneumologista infantil
Médica formada pela Universidade Federal do Rio Grande com CRM nº 28364 e especialista em Pediatria pela Sociedade Brasileira de Pediatria.