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Síndrome de Estocolmo: o que é, sintomas, causas e tratamento

Revisão médica: Dr. Gonzalo Ramirez
Psicólogo e Clínico Geral
novembro 2022
  1. Sintomas
  2. Causas
  3. Tratamento

A síndrome de Estocolmo é uma resposta psicológica que pode acontecer em pessoas que encontram-se em situação de tensão, como no caso de sequestros, prisão domiciliar ou situações de abuso, por exemplo, fazendo com que a vítima, de forma subconsciente, estabeleça simpatia ou uma conexão mais pessoal e laços emocionais de amizade ou afeto com o agressor, ao invés de medo ou repulsa, como forma de preservar a vida.

Essa síndrome foi primeiramente descrita em 1973 após o sequestro de um banco em Estocolmo, na Suécia, em que as vítimas estabeleceram laços de amizade com os sequestradores, de modo que acabaram por visitá-los na prisão, além de afirmarem que não houve qualquer tipo de violência física ou psicológica que pudesse sugerir que suas vidas estavam em perigo.

O tratamento da síndrome de Estocolmo é feito através da psicoterapia, para ajudar a aliviar os sintomas causados pelas situações traumáticas, como ansiedade ou depressão, além de ajudar a entender o próprio comportamento e desenvolver mecanismos de enfrentamento saudáveis.

Imagem ilustrativa número 1

Sintomas da síndrome de Estocolmo

Os principais sintomas da síndrome de Estocolmo são:

  • Desenvolvimento de sentimentos positivos para o agressor;
  • Simpatia pelas crenças, valores, objetivos e comportamento do agressor;
  • Desenvolvimento de identificação emocional ou laços de amizade, afeto ou amor pelo agressor;
  • Desenvolvimento de sentimentos negativos pela polícia, autoridades ou outras pessoas que estejam ajudando a vítima a se afastar do agressor;
  • Ressentimento da vítima por qualquer pessoa que esteja tentando ajuda-la a escapar do agressor;
  • Desejo de proteger o agressor.

Além disso, ao longo do tempo, devido aos laços emocionais criados, os pequenos atos de gentileza por parte dos agressores, por exemplo, tendem a ser ampliados pelas pessoas que possuem a Síndrome, o que faz com que sintam-se mais seguras e tranquilas diante da situação e que qualquer tipo de ameaça seja esquecida ou desconsiderada.

A síndrome de Estocolmo não está listada no manual de doenças psiquiátricas e, por isso, não possui sinais e sintomas comprovados cientificamente e nem amplamente estudados, no entanto, é possível identificar essa síndrome através das características que podem ser notadas quando a pessoa encontra-se em uma situação de estresse e tensão em que sua vida está em risco.

Algumas pessoas com a síndrome de Estocolmo, também podem apresentar sintomas do transtorno do estresse pós-traumático, como ter recordações intensas ou "flashbacks", irritação, ansiedade, nervosismo, problemas de concentração, ou sentir-se desconfiado ou ter menor interesse por atividades agradáveis e que causam prazer. Veja outros sintomas do transtorno do estresse pós-traumático.

Possíveis causas

A causa exata da síndrome de Estocolmo não é completamente conhecida, mas acredita-se que seja uma resposta psicológica desencadeada pelo sentimento de insegurança, isolamento e/ou ameaças, que se desenvolve quando uma pessoa é refém, como uma forma do subconsciente preservar a vida.

Alguns fatores que foram identificados que podem influenciar o desenvolvimento dessa síndrome são:

  • Tipo de personalidade e história pessoal da pessoa feita de refém;
  • Necessidade de aprovação por figuras de autoridade, como chefe ou pais;
  • Tempo que a vítima passou com o sequestrador;
  • Estar refém por tempo prolongado;
  • Compartilhar espaços em más condições com o agressor;
  • Depender do agressor para as necessidades básicas, como usar o banheiro;
  • Humanização da vítima pelo agressor.

Porém existem outros estudos que indicam que outros fatores podem também levar à síndrome de Estocolmo, como identificação com o agressor, necessidade de segurança e esperança que faz com que o refém ignore o lado negativo da situação e do sequestrador.

Como é feito o tratamento

Como a síndrome de Estocolmo não é facilmente identificável, apenas quando a pessoa encontra-se em uma situação de risco, não há tratamento específico para esse tipo de síndrome.

Além disso, as características da Síndrome de Estocolmo são devido à resposta do subconsciente, não sendo possível verificar o motivo pela qual realmente acontecem, porém acredita-se que quem tenha sofrido alguma experiência traumática, como relacionamentos abusivos e abuso sexual, por exemplo, desenvolvem essa síndrome com maior facilidade.

Apesar de não haver tratamento muito bem estabelecido, esta síndrome pode ser tratada como as síndromes de estresse, com psicoterapia cognitivo-comportamental e em casos mais graves, medicamentos como inibidores da recaptação de serotonina, por exemplo.

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Atualizado por Flávia Costa - Farmacêutica, em novembro de 2022. Revisão médica por Dr. Gonzalo Ramirez - Psicólogo e Clínico Geral, em novembro de 2022.

Bibliografia

  • SANTOS, ANTONIO D. O Síndrome de Estocolmo, a Narcose Social e a Qualidade da Democracia em Portugal. 2017. Disponível em: <http://repositorio.ual.pt/bitstream/11144/3403/1/O%20SINDROME%20DE%20ESTOCOLMO.Final.pdf>. Acesso em 09 abr 2019
  • GÓMEZ, Andrés M. Psicopatología del Síndrome de Estocolmo: Ensayo de un modelo etiológico. Ciencia Policial. Vol 51. 1999
Mostrar bibliografia completa
  • Namnyak, M. et al. Stockholm syndrome: psychiatric diagnosis or urban myth?. Acta Psychiatr Scand. 4–11, 2008
  • LOBATO, Bruna Larissa; CARDOSO, Jéssica P.; OLIVEIRA, Gislene S.; MACIEL, Ranyelle F. A Síndrome de Estocolmo: Consequências Sociais e Jurídicas. Tese de Conclusão de Curso, 2014. Universidade Católica de Brasília.
Revisão médica:
Dr. Gonzalo Ramirez
Psicólogo e Clínico Geral
Clínico geral pela UPAEP com cédula profissional nº 12420918 e licenciado em Psicologia Clínica pela UDLAP nº 10101998.