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O que é infecção hospitalar e como prevenir

A infecção hospitalar é definida como qualquer infecção adquirida enquanto a pessoa está internada no hospital, podendo se manifestar ainda durante a internação, ou após a alta, desde que seja relacionada com a internação ou a procedimentos realizados no hospital.

Adquirir uma infecção no hospital não é incomum, pois este é um ambiente em que estão muitas pessoas doentes e em tratamento com antibióticos. Durante o período em um hospital, alguns dos principais fatores que causam a infecção são:

  • Desequilíbrio da flora bacteriana da pele e do organismo, geralmente devido ao uso de antibióticos;
  • Queda da defesa do sistema imune da pessoa internada, tanto pela doença, como por uso de medicamentos;
  • Realização de procedimentos invasivos como passagem de catéter, passagem de sondas, biópsias, endoscopias ou cirurgias, por exemplo, que quebram a barreira de proteção da pele.

Geralmente, os microorganismos que causam a infecção hospitalar não causam infecções em outras situações, pois eles aproveitam o ambiente com poucas bactérias inofensivas e a queda da resistência do paciente para se instalar. Apesar disto, as bactérias hospitalares costumam desenvolver infecções graves e de difícil tratamento, já que são mais resistentes aos antibióticos, por isso, em geral, é necessário usar antibióticos mais potentes para curar este tipo de infecção. 

O que é infecção hospitalar e como prevenir

Como é feito o controle

No Brasil, o Ministério da Saúde e a Anvisa determinam que todo ambiente destinado a cuidados com a saúde possuam certos cuidados para prevenir a infecção hospitalar. No hospital, deve haver uma Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH), formada por um grupo de profissionais de saúde, como médicos e enfermeiros, que têm a responsabilidade de estudar as fontes e causas de infecções daquele hospital, e montar um programa de prevenção para reduzir ao máximo o número de infecções. 

As atividades importantes da CCIH podem ser divididas em:

  • Elaboração de normas e rotinas para a limpeza e desinfecção dos ambientes, estabelecendo a freqüência, tipo de desinfetante, especialmente em áreas críticas, como berçários, centros cirúrgicos ou UTI, por exemplo;
  • Determinação de regras para pacientes, visitantes e profissionais, para diminuir o risco de infecções, como limitar o número de visitantes, estabelecimento de normas e treinamentos para higiene, coleta de exames, aplicação de medicações, realização de curativos ou preparo dos alimentos, por exemplo;
  • Estimulação de medidas de higiene, principalmente das mãos, que sãoum dos principais veículos de transmissão de microorganismos, com a lavagem frequentes, ou com uso do álcool gel;
  • Orientações para uso correto de antibióticos, evitando que os mesmos sejam prescritos de maneira indevida, e aumentem a proliferação de bactérias resistentes;
  • Orientação sobre o uso de produtos químicos para eliminar microorganismos, como germicidas, desinfetantes, antissépticos, agentes de limpeza;
  • Realização da vigilância de casos de infecção, para entender as causas e elaborar formas de prevenção.

Para diminuir a taxa de infecção de um hospital, os cuidados básicos devem ser tomados com todos os pacientes, independentemente de seu diagnóstico e tratamento realizado.

Além disso, é importante incentivar a alta hospitalar sempre que possível, evitando-se permanecer muito tempo no hospital, já que as chances de infecção aumentam com o passar do tempo.

Tipos de infecção hospitalar

A infecção hospitalar pode ser adquirida em diversos locais do corpo, sendo que os tipos mais comuns são:

1. Pneumonia

A pneumonia adquirida no hospital costuma ser grave, e mais comum em pessoas que estão acamadas, desacrodadas ou que têm dificuldades da deglutição, pelo risco de aspiração de alimentos ou da saliva. Algumas bactérias mais comuns neste tipo de pneumonia são Klebsiella, Enterobacter, Pseudomonas, Acinetobacter, Staphylococcus aureus, Legionella, Mycoplasma, além de alguns tipos de vírus. 

  • Sintomas: dor no tórax, tosse com secreção amarelada ou sanguinolenta, febre, cansaço, falta de apetite e falta de ar.  

2. Infecção urinária

A infecção urinária hospitalar é facilitada pelo uso de sonda durante o período de internação, apesar de qualquer pessoa poder desenvolver. Algumas das bactérias mais envolvidas nesta situação incluem Proteus sp, Pseudomonas aeruginosa, Klebsiella sp., Enterobacter sp., Enterococcus faecalis e de fungos, como cândida.

  • Sintomas: dor ou ardência ao urinar, dor abdominal, sangramento pela urina, febre.
O que é infecção hospitalar e como prevenir

3. Infecção de pele

As infecções de pele são muito comuns devido às aplicações de injeções e acessos venosos para medicamentos ou coletas de exames, cicatriz de cirurgia ou biópsia ou pela formação de escaras de decúbito. Alguns dos microorganismos envolvidos neste tipo de infecção são Staphylococcus aureus, Enterococcus Klebsiella, E. Proteus, Enterobacter sp, Serratia sp, Streptococcus sp, Staphylococcus aureus ou Staphylococcus epidermitis, por exemplo.

  • Sintomas: pode haver presença de área de vermelhidão e inchaço na pele, com ou sem a presença de bolhas. Geralmente, o local é doloroso e quente, e pode haver produção de secreção purulenta e mal cheirosa. 

4. Infecção do sangue

A infecção da corrente sanguínea é chamada de septicemia, e, geralmente, surge após infecção de algum local do corpo, que se espalha pela corrente sanguínea. Este tipo de infecção é grave, e se não for rapidamente tratada pode rapidamente causar falência dos órgãos e risco de morte. Qualquer dos microorganismos das infecções pode se disseminar pelo sangue, e alguns dos mais comuns são E. coli, Estaphylococcus aureus, Staphylococcus epidermitis ou Candida, por exemplo.

  • Sintomas: febre, calafrios, queda da pressão, batimentos cardíacos fracos, sonolência.

Existem, ainda, diversos outros tipos de infecção hospitalar menos comuns, que afetam variadas regiões do corpo, como cavidade oral, trato digestivo, genitais, olhos ou ouvidos, por exemplo. Qualquer infecção hospitalar deve ser identificada rapidamente e tratada com antibióticos potentes, para evitar que se torne grave e causa risco à vida da pessoa, por isso na presença de qualquer sinal ou sintoma desta situação, deve-se comunicar ao médico responsável.

Algumas destas bactérias podem desenvolver uma resistência à grande maioria dos antibióticos, sendo conhecidas como superbactérias. Saiba como o uso de antibióticos inadequados são origem às superbactérias e como tratar

Quem tem mais risco

Qualquer pessoa pode desenvolver uma infecção hospitalar, entretanto têm maior risco aquelas com um maior fragilidade da imunidade, como:

  • Idosos;
  • Recém-nascidos;
  • Pessoas com comprometimento da imunidade, por doenças como AIDS, pós-transplantados ou em uso de medicamentos imunossupressores;
  • Diabetes mellitus mal controlada;
  • Pessoas acamadas ou com alteração da consciência, pois apresentam maior risco de aspiração;
  • Doenças vasculares, com o comprometimento da circulação, já que dificulta a oxigenação e cicatrização dos tecidos;
  • Pacientes com necessidade de uso de dispositivos invasivos, como sondagem urinária, inserção de cateter venoso, utilização de ventilação por aparelhos;
  • Realização de cirurgias.

Além disso, quanto maior o tempo de internação, maior o risco de se adquirir uma infecção hospitalar, pois há maior chance de exposição aos riscos e aos microorganismos responsáveis. 

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