Circuncisão: o que é, para que serve, como é feita e riscos

Revisão clínica: Rodolfo Favaretto
Urologista
abril 2022

A circuncisão é o ato cirúrgico de retirar o prepúcio nos homens, que é a pele que recobre a cabeça do pênis.

Embora tenha começado como um ritual em algumas religiões, a circuncisão é cada vez mais usada por motivos de higiene e também para tratamento da fimose.

A cirurgia geralmente é feita após os 2 a 3 anos de vida, em casos de fimose, quando não há possibilidade de expor a glande, mesmo após o tratamento com pomadas. Porém, também pode ser realizada mais tarde, desde que descartados os riscos à saúde após avaliação médica.

Para que serve

Do ponto de vista médico, os principais benefícios da circuncisão são:

  • Diminui o risco de infecções no pênis;
  • Diminui o risco de infecções urinárias;
  • Facilita a higiene do pênis;
  • Diminui o risco de passar e pegar DST's;
  • Previne o surgimento de fimose;
  • Diminui o risco de câncer do pênis.

Além disso, também existem vários casos em que a circuncisão é feita apenas por motivos religiosos, como acontece na população judaica, por exemplo, que devem ser respeitados.

Como é feita a cirurgia

A circuncisão geralmente é feita no hospital sob anestesia local associado à sedação quando necessário, como no caso de crianças e pacientes mais ansiosos, por exemplo, devendo o procedimento ser realizado por um urologista.

A retirada do prepúcio é relativamente rápida, demorando entre 15 a 30 minutos, dependendo das características do pênis e da experiência do médico.

Como é a recuperação

Embora a cirurgia seja muito rápida, a recuperação é um pouco mais lenta, podendo demorar até 10 dias. Nesse período, é comum que surja algum desconforto na região do pênis, e por isso, nas crianças, é possível notar um aumento da irritabilidade.

Nos primeiros dias é normal que o pênis esteja ligeiramente inchado e com manchas roxas, mas o aspecto melhora ao longo do tempo.

Para evitar complicações, especialmente infecções, deve-se manter uma higiene regular do pênis lavando pelo menos 1 vez por dia o local com água morna e sabão. Pode-se cobrir com um penso limpo, especialmente no caso de bebês que ainda utilizam fralda, para proteger das fezes.

Nos adultos, além da limpeza do pênis os principais cuidados incluem evitar atividades físicas intensas nas primeiras 2 a 4 semanas e evitar o contato sexual por, pelo menos, 6 semanas.

O que é a circuncisão feminina

Do ponto de vista médico, não existe circuncisão feminina, já que esse termo é usado para referir a retirada do prepúcio do pênis. No entanto, em algumas culturas existem meninas que são circuncidadas para retirar o clitóris ou a pele que o cobre.

Esse procedimento pode ser também conhecido como mutilação feminina, já que é uma alteração provocada nos genitais da mulher que não traz qualquer benefício para a saúde e que pode, inclusive, causar complicações graves como:

  • Hemorragia grave;
  • Dor intensa;
  • Problemas urinários;
  • Aumento das chances de infecções vaginais;
  • Dor durante a relação sexual.

Por estes motivos, este procedimento não deve ser realizado, sendo presente somente em algumas tribos e populações indígenas de países da África e Ásia.

Segundo a OMS, a mutilação feminina deve ser abolida por não trazer reais benefícios para a saúde da mulher e poder causar várias alterações a nível físico e psicológico.

Possíveis riscos da circuncisão

Assim como qualquer outra cirurgia, a circuncisão também apresenta alguns riscos, como:

  • Hemorragia;
  • Infecção do local do corte;
  • Dor e desconforto;
  • Atraso na cicatrização.

Além disso, alguns homens podem sentir uma alteração na sensibilidade do pênis, que é recuperada após algumas semanas de pós operatório.

Para evitar complicações graves, é aconselhado ir ao médico se, após a cirurgia, surgirem sintomas como dor muito forte, sangramento do local da cirurgia, dificuldade para urinar, febre ou inchaço exagerado do pênis.

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Atualizado por Manuel Reis - Enfermeiro, em abril de 2022. Revisão clínica por Rodolfo Favaretto - Urologista, em dezembro de 2021.
Revisão clínica:
Rodolfo Favaretto
Urologista
Médico formado pela Universidade de Ribeirão Preto com CRM-SP 133358 e especialista em Urologia desde 2016 pela Sociedade Brasileira de Urologia.