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Quais os remédios que não se pode tomar antes da cirurgia

Para a cirurgia decorrer com menos riscos e para que a recuperação seja mais rápida, é importante seguir as indicações do médico em relação à continuidade de determinados tratamentos, já que em alguns casos, é necessário suspender o uso de certos remédios, principalmente os que facilitam o risco de sangramento ou trazem algum tipo de descompensação hormonal, como é o caso do ácido acetilsalicílico, clopidogrel, anticoagulantes, anti-inflamatórios não esteroides ou alguns remédios para diabetes, por exemplo.

Muitos medicamentos também devem ser avaliados caso a caso, como os anticoncepcionais e antidepressivos, que são suspensos em pessoas com maior risco de ter alguma reação. Já outros medicamentos, como os anti-hipertensivos, antibióticos e corticoides de uso crônico, precisam ser mantidos e tomados mesmo no dia da cirurgia, pois a sua interrupção pode provocar picos hipertensivos ou uma descompensação hormonal durante a cirurgia.

Assim, é importante que, antes da cirurgia, seja feita uma lista dos medicamentos que a pessoa está a tomar, para entregar ao médico, devendo-se incluir também os homeopáticos ou outros que não pareçam importantes, para que seja evitado qualquer risco no momento do procedimento cirúrgico.

Quais os remédios que não se pode tomar antes da cirurgia

Além disso, outros cuidados devem ser adotados, como parar de fumar, evitar bebidas alcoólicas e manter uma alimentação equilibrada, principalmente nos dias que antecedem a cirurgia e ao longo do pós operatório. Veja mais detalhes sobre os cuidados que se deve ter antes e depois da cirurgia.

1. Antiagregantes plaquetários

Os medicamentos antiagregantes plaquetários, como o ácido acetilsalicílico, clopidogrel, ticagrelor, cilostazol e a ticlopidina, conhecidos popularmente por medicamentos para "afinar o sangue", não devem ser usados antes da cirurgia, e devem ser suspensos 7 a 10 dias antes, ou conforme indicação do médico. Os antiagregantes plaquetários que têm uma ação reversível, poderão ser suspensos de acordo com a sua meia vida, o que implica suspender o medicamento cerca de 72 horas antes da cirurgia.

2. Anticoagulantes

Pessoas que usam anticoagulante do tipo cumarínico, como Marevan ou Coumadin, só podem passar por uma cirurgia após a sua suspensão, sendo necessário que os níveis de coagulação, avaliados pelo exame INR estejam dentro da normalidade.

Já as pessoas que usam os novos anticoagulantes, como rivaroxabano, apixabano e dabigatrano, podem não precisar suspender a medicação para cirurgias menores, como dermatológicas, dentárias, endoscopias e cirurgia de catarata. Entretanto, se forem cirurgias mais complexas, estes medicamentos podem ser suspensos por um período que pode variar entre cerca de 36 horas e 4 dias, de acordo com o tamanho da cirurgia e as condições de saúde da pessoa.

Após a suspensão dos anticoagulantes, o médico poderá indicar o uso da heparina injetável, para que no período que a pessoa esteja sem a medicação, também não haja o risco aumentado de complicações, como trombose e AVC, por exemplo. Entenda quais são as indicações da heparina e como usar.

3. Anti-inflamatórios não esteroides

Os anti-inflamatórios não esteroides não devem ser utilizados antes das cirurgias, porque também interferem com a capacidade de coagulação do sangue e, só podem ser usados até, no máximo, 3 dias antes do procedimento.

4. Terapias hormonais

Os anticoncepcionais não precisam ser suspensos antes de cirurgias pequenas e em mulheres que têm baixo risco de ter algum tipo de trombose. Entretanto, as mulheres com risco aumentado, como as que têm história prévia ou familiar de trombose, por exemplo, devem parar de usar o medicamento cerca de 6 semanas antes e, neste período, deve-se utilizar outro tipo de método contraceptivo.

A terapia de reposição hormonal com tamoxifeno ou raloxifeno, deve ser retirada em todas as mulheres, 4 semanas antes do procedimento cirúrgico, pois seus níveis de hormônios são maiores, portanto causam maior risco de trombose.

Quais os remédios que não se pode tomar antes da cirurgia

5. Remédios para diabetes

Os remédios em comprimido para diabetes de vários tipos, como glimepirida, gliclazida, liraglutida e acarbose, por exemplo, devem ser suspensos no dia anterior à cirurgia. Já a metformina, deve ser descontinuada 48 horas antes da cirurgia, pois proporciona risco de desencadear uma acidose no sangue durante a cirurgia. No período após suspensão dos medicamentos, é importante que a glicemia seja monitorizada e, em casos de glicose sanguínea aumentada, deve ser usada insulina.

Nos casos em que a pessoa faz uso de insulina, ela deve ser continuada, exceto as insulinas de longa duração, como glargina e NPH, em que o médico poderá reduzir a sua dose para metade ou 1/3, para que seja diminuído o risco de haver uma hipoglicemia durante a cirurgia.

6. Medicamentos para colesterol

Os remédios para o colesterol devem ser suspensos 1 dia antes da cirurgia, podendo ser mantidos apenas os do tipo estatinas, como a sinvastatina, pravastatina ou atorvastatina, por exemplo, pois não causam riscos durante o procedimento.

7. Remédios para doenças reumatológicas

Os remédios como o alopurinol ou colchicina, indicados para doenças como gota, por exemplo, devem ser suspensos no manhã da cirurgia.

Quanto aos medicamentos usados para tratar doenças como a osteoporose ou artrite reumatoide, maior parte deles devem ser suspensos no dia anterior à cirurgia, porém, em alguns casos, pode ser necessário suspender o tratamento cerca de uma semana antes da cirurgia, em remédios como a sulfassalazina e a penicilamina.

8. Fitoterápicos

Os fitoterápicos são considerados, pela população em geral, mais seguros em relação aos remédios alopáticos, sendo muito frequente o seu uso, assim como a omissão da sua utilização perante o médico. Porém, são medicamentos que também podem causar efeitos colaterais, além de muitos deles carecerem de uma comprovação científica de eficácia, podendo interferir gravemente na cirurgia, por isso devem ser sempre suspensos.

Fitoterápicos como o Ginkgo biloba, Ginseng, Arnica, Valeriana, Kava-kava ou erva de São João ou chá de alho, por exemplo, podem causar efeitos colaterais durante a cirurgia, como aumentar o risco de sangramento, conduzir a problemas cardiovasculares ou mesmo aumentar o efeito sedativo dos anestésicos, por isso, dependendo do fitoterápico em questão, eles devem ser suspensos entre 24 horas a 7 dias antes do procedimento.

9. Diuréticos

Os diuréticos devem ser suspensos sempre que a cirurgia envolver risco ou quando haja previsão de perda de sangue, já que estes medicamentos podem alterar a capacidade dos rins para concentrar a urina, podendo prejudicar as respostas à hipovolemia.

Além disso, bebidas e suplementos ricos em cafeína, como café, chá verde e chá preto também devem ser evitados na semana anterior à cirurgia.

Quais os remédios que não se pode tomar antes da cirurgia

Após o procedimento cirúrgico, o tratamento poderá ser retomado, de acordo com a indicação médica, a depender da recuperação e diminuição dos riscos de efeitos colaterais. Saiba também quais são os principais cuidados a ter para se recuperar mais rápido da cirurgia.

Remédios que podem ser mantidos

Os medicamentos que devem ser mantidos, mesmo no dia da cirurgia e durante o jejum, são:

  • Anti-hipertensivos e antiarrítmicos, como carvedilol, losartana, enalapril ou amiodarona, por exemplo;
  • Corticoides de uso crônico, como prednisona ou prednisolona, por exemplo;
  • Remédios para asma, como salbutamol, salmeterol ou fluticasona, por exemplo;
  • Tratamento de doenças da tireoide, com levotiroxina, propiltiouracil ou metimazol, por exemplo;
  • Remédios para gastrite e refluxo, como omeprazol, pantoprazol, ranitidina e domperidona, por exemplo;
  • Tratamento para infecções, com antibióticos, não pode ser interrompido;

Além disso, alguns remédios podem ser mantidos com precaução, como os ansiolíticos, antidepressivos e anticonvulsivantes, pois apesar de não serem contra-indicados antes da cirurgia, seu uso deve ser discutido com o cirurgião e o anestesista, já que podem interferir em alguns tipos de anestesias e, em alguns casos, aumentar o risco de complicações.

Bibliografia >

  • GARBERO, Rodrigo F.; VIEIRA, Luiz A.. Fármacos no pré-operatório. Revista do Hospital Universitário Pedro Ernesto. 28-37, 2007
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