Alzheimer: o que é, sintomas, causas e tratamento

Revisão médica: Dr. Gonzalo Ramirez
Clínico Geral e Psicólogo
março 2022

O Alzheimer, ou mal de Alzheimer, é uma doença que provoca uma degeneração do cérebro, causando demência, caracterizada por dificuldade de aprendizado e de lembrar informações recentes, desorientação, problemas para nomear objetos e entender comandos.

A doença de Alzheimer está relacionada a idade e os sintomas geralmente surgem após os 65 anos, sendo a causa mais frequente de demência nos idosos e manifestando-se mais frequentemente nas mulheres do que nos homens. Essa doença piora com o tempo, e em uma fase mais avançada da doença, a pessoa necessita de cuidados familiares.

O tratamento da doença de Alzheimer tem como objetivo atrasar o progresso da doença e aliviar os sintomas, por isso, é recomendado ter hábitos de vida saudáveis, realizar exercícios mentais e consultar o médico no caso de suspeita de algum dos sintomas dessa doença.

Principais sintomas

Os sintomas do Alzheimer podem ser confundidos com o processo natural de envelhecimento, no entanto, alguns sinais podem indicar o início da doença, como:

  • Perda de memória de eventos recentes, lembrando os mais antigos;
  • Falta de capacidade de concentração nas atividades diárias;
  • Dificuldade progressiva de se expressar e compreender a linguagem;
  • Desorientação espacial, sem poder chegar a lugares onde normalmente se ia sem dificuldade.

Com a evolução da doença, os sintomas podem piorar e a pessoa ficar cada vez mais dependente dos familiares, pois perde a capacidade de realizar sua higiene pessoal, cozinhar, ou limpar a casa, por exemplo. Veja outros sintomas da doença de Alzheimer

Teste online de Alzheimer

Faça este teste rápido para saber se existe risco de estar com Alzheimer:

Avalie o seu risco de desenvolver Alzheimer

Começar o teste
Imagem ilustrativa do questionário
Considera que a sua memória é boa?
  • Tenho boa memória, apesar de haver pequenos esquecimentos que não interferem no meu dia-a-dia.
  • Às vezes esqueço algumas coisas como a pergunta que me fizeram, esqueço compromissos ou onde deixei as chaves.
  • Costumo esquecer o que fui fazer na cozinha, na sala, ou no quarto e também o que estava fazendo.
  • Não consigo lembrar de informações simples e recentes como o nome de quem acabei de conhecer, mesmo se me esforçar muito.
  • É impossível lembrar onde estou e quem são as pessoas à minha volta.
Você sabe que dia é hoje?
  • Sim! Também tenho facilidade em reconhecer as pessoas e os lugares.
  • Não me lembro muito bem que dia é hoje e tenho uma leve dificuldade para guardar datas.
  • Não sei bem em que mês estamos, mas sou capaz de reconhecer locais familiares. No entanto, fico meio confuso em locais novos e posso me perder.
  • Não sei. Também não me lembro exatamente quem são meus familiares, onde moro e não me lembro de nada do meu passado.
  • Tudo que sei é o meu nome, mas às vezes lembro-me dos nomes dos meus filhos, netos ou outros parentes
Você é capaz de tomar decisões?
  • Sou plenamente capaz de resolver problemas do dia a dia e lido bem com questões pessoais e financeiras.
  • Tenho alguma dificuldade para entender alguns conceitos abstratos (como por exemplo o por quê de uma pessoa ficar triste).
  • Estou me sentindo um pouco inseguro e tenho medo de tomar decisões. Por isso prefiro que outros decidam por mim.
  • Não me sinto capaz de resolver qualquer problema e a única decisão que tomo é o que quero comer.
  • Não sou capaz de tomar nenhuma decisão e sou totalmente dependente da ajuda de outras pessoas.
Você tem uma vida ativa fora de casa?
  • Sim, consigo trabalhar normalmente, faço compras, estou envolvido com a comunidade, igreja e outros grupos sociais.
  • Sim, mas estou começando a ter alguma dificuldade para dirigir. Ainda assim, me sinto seguro e sei lidar situações de emergência ou não planejadas.
  • Sim, mas sou incapaz de ficar sozinho em situações importantes e preciso de alguém para me acompanhar em compromissos sociais.
  • Não, não saio de casa sozinho porque não tenho capacidade e preciso sempre de ajuda.
  • Não, sou incapaz de sair de casa sozinho e estou muito doente para isso.
Como estão suas habilidades dentro de casa?
  • Ótimas. Continuo tendo tarefas dentro de casa, tenho hobbies e interesses pessoais.
  • Já não tenho vontade de fazer nada dentro de casa, mas se insistirem, posso tentar fazer alguma coisa.
  • Abandonei completamente minhas atividades, assim como hobbies e interesses mais complexos.
  • Tudo o que sei é tomar banho sozinho, me vestir e ver televisão e não sou capaz de fazer nenhuma outra tarefa dentro de casa.
  • Não sou capaz de fazer nada sozinho e preciso de ajuda para tudo.
Como está sua higiene pessoal?
  • Sou totalmente capaz de me cuidar, vestir, lavar, tomar banho e usar o banheiro.
  • Estou começando a ter alguma dificuldade para cuidar da minha própria higiene pessoal.
  • Preciso que outros me lembrem de que tenho que ir ao banheiro, mas consigo fazer minhas necessidades sozinho.
  • Preciso de ajuda para me vestir e me limpar e às vezes faço xixi na roupa.
  • Não consigo fazer nada sozinho e preciso que outra pessoa cuide da minha higiene pessoal.
Seu comportamento está mudando?
  • Tenho um comportamento social normal e não há nenhuma mudanças na minha personalidade.
  • Tenho pequenas mudanças no meu comportamento, personalidade e controle emocional.
  • Minha personalidade está mudando aos poucos, antes eu era muito simpático e agora estou meio rabugento.
  • Dizem que eu mudei muito e já não sou a mesma pessoa e já sou evitado pelos meus antigos amigos, vizinhos e parentes distantes.
  • Meu comportamento mudou muito e me tornei uma pessoa difícil e desagradável.
Você consegue se comunicar bem?
  • Não tenho nenhuma dificuldade para falar ou escrever.
  • Estou começando a ter alguma dificuldade em encontrar as palavras certas e levo mais tempo para completar meu raciocínio.
  • Está cada vez mais difícil encontrar as palavras certas e tenho tido dificuldade para nomear objetos e noto que tenho menos vocabulário.
  • Está muito difícil me comunicar, tenho dificuldade com as palavras, de entender o que me dizem e não sei bem ler ou escrever.
  • Simplesmente não consigo me comunicar, não falo quase nada, não escrevo e não entendo muito bem o que me dizem.
Como está seu humor?
  • Normal, não noto nenhuma mudança no meu humor, interesse ou motivação.
  • Por vezes fico triste, nervoso, ansioso ou deprimido, mas sem grandes preocupações na vida.
  • Fico triste, nervoso ou ansioso todos os dias e isso tem se tornado cada vez mais frequente.
  • Todos os dias sinto-me triste, nervoso, ansioso ou deprimido e não tenho qualquer interesse ou motivação para realizar qualquer tarefa.
  • A tristeza, depressão, ansiedade e o nervosismo são meus companheiros diários e perdi totalmente meu interesse pelas coisas e já não tenho motivação para nada.
Você consegue se concentrar e prestar atenção?
  • Tenho uma atenção perfeita, boa concentração e ótima interação com tudo o que está à minha volta.
  • Estou começando a ter dificuldade em prestar atenção em alguma coisa e fico sonolento durante o dia.
  • Tenho alguma dificuldade de atenção e pouca concentração e por isso posso ficar olhando fixamente para um ponto ou de olhos fechados durante algum tempo, mesmo sem dormir.
  • Passo boa parte do dia dormindo, não presto atenção em nada e quando converso digo coisas sem lógica ou que não têm relação ao tema da conversa.
  • Não consigo prestar atenção a nada e sou completamente desconcentrado.

Possíveis causas

Ainda não existe uma causa específica para o desenvolvimento da doença de Alzheimer, no entanto, vários fatores podem contribuir para o seu desenvolvimento, como:

1. Genética

Foi demonstrado que a alteração em alguns genes, como APP, apoE, PSEN1 e PSEN2, influenciam a função cerebral, e parecem estar relacionadas a lesões em neurônios que causam o Alzheimer, porém, ainda não se sabe exatamente o que determina essas alterações.

Apesar disso, os casos de Alzheimer hereditário, também chamado de Alzheimer precoce, representam 1% de todos os casos de Alzheimer, e são extremamente raros. Isso ocorre em jovens, entre 40 e 50 anos, tendo um desenvolvimento mais rápido dos sintomas. Entenda melhor o que é o Alzheimer precoce.  

2. Acúmulo de proteínas no cérebro

O acúmulo da proteína beta-amilóide e da proteína Tau tem sido observado no cérebro de pessoas com a doença de Alzheimer, causando uma inflamação, desorganização e destruição de células neuronais, principalmente nas áreas do cérebro responsáveis pela memória e interpretação das informações para a execução de tarefas.

3. Diminuição do neurotransmissor acetilcolina

A acetilcolina é um neurotransmissor liberado pelos neurônios, importante para as tarefas de raciocínio e cognição, além de ter um papel importante no comportamento, por isso, uma diminuição desse neurotransmissor pode alterar o aprendizado e a memória, assim como o comportamento.

Na doença de Alzheimer, a acetilcolina encontra-se diminuída e os neurônios que a produzem se degeneram, embora ainda não exista uma explicação para isso. Por isso, o neurologista pode indicar o uso de remédios como donepezila, galantamina ou rivastigmina, que apesar de não curarem a doença, agem aumentando os níveis de acetilcolina, retardando a progressão da demência.

4. Fatores ambientais

Alguns fatores ambientais podem levar ao desenvolvimento da doença de Alzheimer, como a exposição a metais pesados, como mercúrio e alumínio, pois são substâncias tóxicas que podem se acumular no organismo e causar danos a diversos órgãos do corpo, como o cérebro.

Além disso, traumas no cérebro devido a acidentes, esportes de alto impacto ou um AVC, podem aumentar o risco de desenvolvimento do Alzheimer, devido à destruição dos neurônios. Veja outras sequelas do traumatismo craniano.  

5. Vírus do herpes simples

Estudos recentes [1] mostram que outra causa possível do Alzheimer é a infecção pelo vírus herpes simples tipo 1 (HSV-1), que entra no corpo na infância e pode permanecer adormecido no sistema nervoso, podendo ser ativado em momentos de estresse e enfraquecimento do sistema imunológico.

No entanto, verificou-se que nem todas as pessoas como o HSV-1 desenvolvem Alzheimer, assim como nem todas as pessoas que são diagnosticadas com Alzheimer têm infecção pelo vírus herpes simplex tipo 1. Portanto, ainda são necessários mais estudos que relacionem esse vírus com a manifestação dos sintomas de danos cerebrais que levam a este tipo de demência.

Como confirmar o diagnóstico

O diagnóstico da doença de Alzheimer é feito pelo neurologista ou geriatra quando há sintomas sugestivos de demência e comprometimento da memória, o que pode ser confirmado através da realização de exames como Mini-Mental, Teste do Desenho do Relógio ou Teste de Fluência Verbal, além de outros exames neuropsicológicos.

Além disso, o médico pode solicitar exame de ressonância magnética para detectar alterações no cérebro, e exames clínicos, que podem descartar outras doenças que causam alterações de memória, como hipotireoidismo, depressão, deficiência de vitamina B12, hepatite ou HIV, por exemplo. Conheça mais sobre os sintomas da deficiência de vitamina B12.  

O Alzheimer é hereditário?

Existem alguns genes que podem ser herdados dos pais que aumentam o risco de desenvolver a doença de Alzheimer. No entanto, esses genes não causam a doença, e outros fatores de risco como idade avançada, falta de exercício mental ou traumatismo craniano, por exemplo, são necessários para o desenvolvimento do Alzheimer.

Dessa forma, pode-se dizer que essa doença não é hereditária, pois quando existe um ou mais casos da doença na família, não significa que os demais membros estejam em pleno risco de desenvolvê-la. Apesar disso, existe uma forma precoce de Alzheimer, que está relacionada a uma mutação genética que pode ser hereditária, porém esse tipo de Alzheimer é muito raro.

Como é feito o tratamento

O tratamento da doença de Alzheimer deve ser orientado pelo geriatra ou neurologista, com o objetivo de aliviar os sintomas e atrasar a evolução da doença. Assim, podem ser indicados remédios, como a donepezila, galantamina ou rivastigmina, que aumentam os níveis do neurotransmissor acetilcolina no cérebro. Veja todos os remédios que podem ser indicados para o tratamento do Alzheimer

Além disso, é importante que o tratamento para Alzheimer seja acompanhado por uma equipe multidisciplinar composta por médicos, nutricionista, fisioterapeuta e terapeuta ocupacional, por exemplo, de forma que seja possível evitar o aparecimento de outros sintomas e de complicações, e assim melhorar a qualidade de vida.

Esta informação foi útil?

Atualizado por Flávia Costa - Farmacêutica, em março de 2022. Revisão médica por Dr. Gonzalo Ramirez - Clínico Geral e Psicólogo, em março de 2022.

Bibliografia

  • BRIGGS, Robert et al. Drug treatments in Alzheimer’s disease . Clinical Medicine. 16. 3; 247-253, 2016
  • SORIA, José. Alzheimer’s disease. Handbook of Clinical Neurology. Geriatric Neurology. 167. 231–255, 2019
Mostrar bibliografia completa
  • KUMAR, A.; ET AL. IN: STATPEARLS [INTERNET]. TREASURE ISLAND (FL): STATPEARLS PUBLISHING. Alzheimer Disease. 2021. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK499922/>. Acesso em 16 mar 2022
  • MANCUSO, Roberta et al. Herpes simplex virus type 1 and Alzheimer's disease: link and potential impact on treatment. Review Expert Rev Anti Infect Ther. 17. 9; 1-17, 2019
  • ERATNE, Dhamidhu et al. Alzheimer’s disease paper 1: clinical update on epidemiology, pathophysiology and diagnosis. 1-11, 2018
  • Tellecheaa, P et al. Enfermedad de Alzheimer de inicio precoz y de inicio tardío: ¿son la misma entidad?. Neurología. 33. 4; 244-253, 2018
  • FERREIRA, Talita et al. Alzheimer's Disease: Targeting the Cholinergic System. Current Neuropharmacology. 14. 1; 101-115, 2016
Revisão médica:
Dr. Gonzalo Ramirez
Clínico Geral e Psicólogo
Clínico geral pela UPAEP com cédula profissional nº 12420918 e licenciado em Psicologia Clínica pela UDLAP nº 10101998.

Tuasaude no Youtube

  • 7 Dicas para Aumentar a Capacidade do Cérebro

    01:41 | 296774 visualizações