Morte cerebral: o que é, sintomas e causas comuns

Revisão médica: Dr. Gonzalo Ramirez
Clínico Geral e Psicólogo
agosto 2022

A morte cerebral é a perda irreversível de todas as funções do cérebro, incluindo o controle da respiração, dos batimentos cardíacos e da pressão arterial, além dos movimentos e da audição. Isto significa que uma pessoa com morte cerebral não tem capacidade de manter as funções vitais do corpo, como respirar sozinho e nem responder a estímulos.

Algumas condições, como traumatismo craniano, AVC ou hemorragia no cérebro, podem causar a morte cerebral, que é confirmada por um ou mais médicos, como neurologista ou neurocirurgião, através da avaliação dos danos no cérebro e de testes que svaliam a atividade cerebral. 

As funções vitais da pessoa em morte cerebral podem ser mantidas no hospital com ajuda de aparelhos, mas a pessoa é considerada legalmente e clinicamente morta, pois não existe chance de recuperação. Apesar de ser uma situação difícil e delicada para os familiares, é nesse momento que se pode fazer a doação de órgãos, se for possível.

Possíveis causas

As causas mais comuns para a morte cerebral são:

  • Traumatismo craniano;
  • Parada cardiorrespiratória;
  • Infarto;
  • Derrame cerebral (AVC);
  • Inchaço no cérebro;
  • Infecções no cérebro como encefalite;
  • Hemorragia cerebral;
  • Embolia;
  • Aneurisma cerebral;
  • Aumento da pressão intracraniana;
  • Tumor no cérebro;
  • Overdose;
  • Hipoglicemia grave. 

Estas causas afetam o fornecimento de sangue e/ou oxigênio para o cérebro, o que faz com que o cérebro inche, o que é conhecido cientificamente como edema cerebral. Quando isso acontece, o crânio, que não aumenta de tamanho, faz compressão sobre o cérebro, resultando em diminuição da atividade cerebral. Com o tempo, e se esse inchaço não for tratado, podem surgir danos irreversíveis no sistema nervoso central que colocam a vida em risco.

Principais sinais e sintomas

Os sinais que indicam que se trata de uma morte cerebral são: 

  • Ausência de respiração espontânea, ou seja, a pessoa não consegue respirar sozinha, sendo a respiração mantida com ajuda de aparelhos ;
  • Ausência de dor ou de resposta a estímulos, como picar uma agulha no corpo ou tocar no globo ocular da pessoa;
  • Ausência de contração das pupilas dos olhos, quando estimulada por uma fonte de luz como lanterna, por exemplo;
  • Não engasgar quando algo é colocado na parte superior da garganta.

Na presença desses sinais e sintomas, os médicos devem confirmar o diagnóstico através da realização de testes para morte cerebral.

Como confirmar o diagnóstico

O diagnóstico da morte cerebral deve ser feito por dois médicos diferentes, mediante a observação dos sintomas e através de exames que devem ser realizados em dois dias diferentes, que incluem:

  • Teste de reação das pupilas utilizando uma lanterna para verificar se as pupilas se contraem quando expostas à luz; 
  • Teste de sensibilidade dos olhos para avaliar se a pessoa reage quando se encosta um tecido ou pedaço de algodão no globo ocular;
  • Avaliação da resposta à estímulos ao aplicar pressão na testa e no nariz;
  • Teste de movimento dos olhos inserindo água gelada em cada orelha para ver se a pessoa movimenta os olhos ao receber esse estímulo;
  • Teste de engasgo ou reflexo de tosse ao inserir um pequeno tubo fino de plástico na traqueia;
  • Teste de apnéia que avalia a capacidade da pessoa respirar por conta própria, ao desligar o aparelho de respiração por um curto período de tempo;
  • Teste de resposta a estímulos verbais, em que é verificada a capacidade da pessoa falar ou responder;
  • Avaliação da frequência cardíaca em aumentar em mais de 5 batimentos por minuto após tomar uma dose de 1 a 2 mg de atropina diretamente na veia;
  • Eletroencefalograma para avaliar se o cérebro possui atividade elétrica;
  • Angiografia cerebral para verificar a presença de fluxo sanguíneo no cérebro;
  • Doppler Transcraniano para confirmar a ausência de fluxo sanguíneo no cérebro;
  • Cintilografia de perfusão cerebral para analisar se existe fluxo sanguíneo e metabolismo cerebral.

Antes de iniciar os testes para confirmar a morte cerebral, os médicos devem realizar uma série de exames e verificações para garantir que os sintomas não sejam causados por outros fatores como overdose de drogas, venenos ou medicamentos, hipotermia, hipotireoidismo, encefalite do tronco cerebral, encefalopatia causada por insuficiência hepática ou síndrome de Guillain-Barré, por exemplo. 

A morte cerebral tem cura?

A morte cerebral não tem cura pois o cérebro sofreu um dano que não é possível reverter. Isto significa que o cérebro já não está mais funcionando e não existe possibilidade de voltar a funcionar. No entanto, apesar do cérebro não ter mais nenhuma atividade, outros órgãos como rins, fígado ou coração ainda podem funcionar por um curto período de tempo, enquanto a pessoa é mantida “viva” por aparelhos no hospital.

Quando os médicos confirmam a morte cerebral, isto significa que a pessoa já morreu, mas é apenas no momento em que os aparelhos são desligados que a pessoa é verdadeiramente dita como morta. Neste caso, desligar os aparelhos não é considerado eutanásia, pois não existem chances da pessoa sobreviver.

A pessoa com morte cerebral pode ser mantida “viva” através dos aparelhos por quanto tempo a família desejar, embora só seja desejado que o paciente seja mantido neste estado por algum tempo se for doador de órgãos, para garantir a retirada dos órgãos para posterior transplante em outro paciente.

A morte cerebral é o mesmo que coma ou estado vegetativo?

Quando uma pessoa tem a morte cerebral confirmada significa que nenhuma parte do cérebro da pessoa está funcionando mais e, legalmente a pessoa é considerada morta, o que é diferente de estar em coma ou em estado vegetativo, pois nesses casos existe alguma função do tronco cerebral e possivelmente de alguma outra parte do cérebro e a pessoa é legalmente considerada viva. Entenda melhor a diferença entre morte cerebral e coma.

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Atualizado por Manuel Reis - Enfermeiro, em agosto de 2022. Revisão médica por Dr. Gonzalo Ramirez - Clínico Geral e Psicólogo, em agosto de 2022.

Bibliografia

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Revisão médica:
Dr. Gonzalo Ramirez
Clínico Geral e Psicólogo
Clínico geral pela UPAEP com cédula profissional nº 12420918 e licenciado em Psicologia Clínica pela UDLAP nº 10101998.