Meningite eosinofílica: o que é, sintomas, causas e tratamento

Revisão médica: Dr. Arthur Frazão
Oftalmologista
novembro 2021

A meningite eosinofílica é um tipo raro de meningite que se manifesta após o consumo da carne de animais contaminados com o parasita Angiostrongylus cantonensis, que infesta o caracol, a lesma, o caranguejo ou o caramujo gigante africano. Mas além disso, o consumo de alimentos contaminados pela secreção liberada pelos caramujos também pode causar essa doença.

Após a ingestão dos alimentos contaminados pelo parasita é comum o surgimento de sintomas como forte dor de cabeça, náuseas, vômitos e rigidez da nuca. Nestes casos, deve-se ir rapidamente ao pronto socorro, para confirmar o diagnóstico e iniciar o tratamento.

O tratamento, geralmente, é feito com analgésicos para aliviar as dores de cabeça e corticoides para tratar a inflamação dos tecidos que revestem o sistema nervoso central.

Principais sintomas

Os sintomas mais comuns da meningite eosinofílica incluem:

  • Dor de cabeça forte;
  • Rigidez na nuca, dor e dificuldade em mexer o pescoço;
  • Náuseas e vômitos;
  • Febre baixa;
  • Formigamento no tronco, braços e pernas;
  • Confusão mental.

Perante estes sintomas, a pessoa deve ir imediatamente ao hospital para fazer um exame chamado punção lombar, que consiste na retirada de uma pequena quantidade de liquor da medula espinhal. Este exame é capaz de identificar se este líquido encontra-se contaminado, e se estiver, por qual micro-organismo, o que é fundamental para decidir como será feito o tratamento.

Saiba mais sobre como é feita a punção lombar.

O que causa a meningite eosinofílica

A meningite eosinofílica é causada por parasitas que são transmitidos aos seres humanos da seguinte forma:

  1. As pequenas larvas alojam-se no intestino dos ratos, sendo eliminadas através de suas fezes;
  2. O caramujo se alimenta das fezes do rato, ingerindo o parasita;
  3. Ao consumir o caramujo contaminado, ou alimentos contaminados com suas secreções, o parasita chega na corrente sanguínea do homem e alcança seu cérebro, causando meningite.

Desta forma, é possível contrair essa meningite quando se:

  • Ingere moluscos mal cozidos, como caracóis, caramujo ou lesmas que estão contaminados com as larvas;
  • Ingere alimentos, como verduras, legumes ou frutas mal lavadas que estão contaminadas com as secreções liberadas pelos caracóis e as lesmas para se moverem;
  • Ingere camarão de água doce, caranguejos ou rãs que se alimentaram de moluscos infectados.

Depois da pessoa ingerir as larvas, elas vão pela corrente sanguínea até ao cérebro, causando esta meningite.

Como é feito o tratamento

O tratamento para meningite eosinofílica deve ser feito em internamento no hospital e, geralmente, é feito com remédios antiparasitários, analgésicos, para aliviar as dores de cabeça, e corticoides, para tratar a inflamação da meningite, que afeta as membranas que envolvem o cérebro e a medula espinal, chamadas meninges, e também é útil para diminuir a pressão cerebral.

Se a pressão no cérebro não diminuir com os remédios, o médico poderá fazer várias punções lombares para aliviar mais eficazmente a pressão.

Quando o tratamento não é feito o mais rapidamente possível, o paciente pode ficar com sequelas, como perda de visão e audição ou diminuição da força muscular, principalmente nos braços e nas pernas. Veja quais as outras possíveis sequelas da meningite.

Como se proteger 

Para se proteger e não ser contaminado com o parasita que causa a meningite eosinofílica é importante não consumir animais que estejam contaminados, mas como não é possível identificar se um animal está contaminado, somente pela sua aparência, não é recomendado comer este tipo de animal.

Além disso, para evitar esta doença deve-se lavar muito bem todas as verduras e frutas que possam estar contaminadas com as secreções deixadas pelas lesmas, por exemplo. 

Os caramujos costumam surgir em épocas de chuvas, não têm predadores naturais e se reproduzem muito rapidamente, sendo facilmente encontrados em jardins e quintais até mesmo nas grandes cidades. Por isso, para eliminar as lesmas e caramujos é recomendado coloca-las numa sacola plástica totalmente fechada, quebrando sua casca. O animal não é capaz de sobreviver mais de 2 dias fechado dentro de um saco plástico onde não pode beber água e se alimentar. Não é recomendado colocar sal por cima deles porque isso causará sua desidratação, liberando intensa secreção, que pode contaminar o ambiente à sua volta.

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Atualizado por Manuel Reis - Enfermeiro, em novembro de 2021. Revisão médica por Dr. Arthur Frazão - Oftalmologista, em fevereiro de 2016.
Revisão médica:
Dr. Arthur Frazão
Clínico geral
Médico generalista, especialista em Oftalmologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em 2008, com registro profissional no CRM/PE 16878