Hiperlordose: o que é, tipos, sintomas e tratamento

dezembro 2021

A hiperlordose é uma curvatura mais acentuada da coluna "para dentro", que pode acontecer tanto na região cervical como na lombar, e que pode causar dor e desconforto no pescoço e no fundo das costas.

De acordo com o local da coluna onde surge a hiperlordose, a condição pode ser classificada em dois tipos principais:

  • Hiperlordose cervical: há alteração na curvatura na região cervical, sendo percebido principalmente pelo alongamento do pescoço para frente, o que pode ser bastante desconfortável;
  • Hiperlordose lombar: é o tipo mais comum e acontece devido à alteração da região lombar, de forma que a região pélvica fica mais para trás, ou seja a região glútea fica mais "arrebitada", e o abdômen fica mais para frente.

Tanto na hiperlordose cervical quanto na lombar, o grau de curvatura da coluna é grande e está associado a diversos sintomas que podem interferir diretamente na qualidade de vida. Por isso, é importante consultar um ortopedista para que seja possível identificar a causa da hiperlordose e iniciar o tratamento mais adequado, que pode incluir fisioterapia e/ou cirurgia.

Principais sintomas

Os sintomas de hiperlordose podem variar de acordo com o local da curvatura, mas de forma geral incluem:

  • Alteração na curvatura da coluna, notada principalmente quando a pessoa fica de lado;
  • Alteração na postura;
  • Dor no fundo das costas;
  • Não conseguir colar as costas no chão quando se está deitado de barriga para cima;
  • Abdômen fraco, globoso e anteriorizado;
  • Diminuição da movimentação da coluna;
  • Pescoço mais alongado para frente, no caso da hiperlordose cervical.

Além disso, mulheres com hiperlordose lombar podem ainda apresentar mais facilidade para ter celulite nos glúteos e parte de trás das pernas, já que a curvatura acentuada da região pode dificultar o retorno venoso e linfático.

Como confirmar o diagnóstico

O diagnóstico de hiperlordose é feito pelo ortopedista a partir da avaliação física, em que é observada a postura e a posição da coluna da pessoa de frente, de lado e de costas. Além disso, podem ainda ser pedidos alguns testes ortopédicos e exame de raio-X para avaliar a gravidade da hiperlordose e, assim, estabelecer o tratamento mais adequado.

Possíveis causas

A hiperlordose pode acontecer como consequência de diversas situações, estando principalmente relacionada com má postura, sedentarismo e obesidade, por exemplo, além de também poder estar relacionada com doenças que levam ao enfraquecimento muscular progressivo, como é o caso da distrofia muscular.

Outras situações que podem também favorecer a hiperlordose são luxação do quadril, lesão na região lombar, hérnia de disco e gravidez.

Como é feito o tratamento

O tratamento para hiperlordose pode variar com a causa da alteração e gravidade e deve ser feito de acordo com a orientação do ortopedista. Normalmente, são recomendadas sessões de fisioterapia e prática de atividade física como natação ou pilates para ajudar no fortalecimento dos músculos que estão enfraquecidos, especificamente o abdômen, e no alongamento dos músculos que encontram-se "atrofiados", alongando a coluna.

Os exercícios que podem ser realizados em solo, como no pilates com ou sem equipamentos, ou na água, no caso da hidroterapia, são uma ótima opção para melhorar a postura global e corrigir a curvatura da coluna. Mobilização da coluna e exercícios de reeducação postural global (RPG) também podem fazer parte do tratamento.

O RPG consiste em exercícios posturais, onde o fisioterapeuta posiciona o indivíduo numa determinada posição e este deve permanecer nela durante alguns minutos, sem mover-se. Este tipo de exercício é feito parado e promove alguma dor durante a sua realização mas é essencial para o realinhamento da coluna e das outras articulações.

Hiperlordose tem cura?

A hiperlordose de causa postural pode ser corrigida com exercícios posturais, de resistência, e técnicas manipulativas, alcançando ótimos resultados, no entanto, quando existem síndromes presentes ou alterações graves como distrofia muscular pode ser necessário realizar cirurgia na coluna.

A cirurgia não elimina completamente a hiperlordose, mas pode melhorar a postura e aproximar a coluna do seu eixo central. Assim, pode-se dizer que a hiperlordose nem sempre tem cura, mas os casos mais comuns, que acontecem devido a alterações posturais, podem ser curados.

Exercícios para hiperlordose

Os objetivos dos exercícios são principalmente fortalecer o abdômen e os glúteos, aumentando também a mobilidade da coluna. Alguns exemplos são:

1. Prancha abdominal

Para fazer a prancha abdominal basta se deitar de barriga para baixo no chão e, depois, apoiar o corpo somente na ponta dos pés e nos antebraços, deixando o corpo suspenso como mostra a imagem a seguir, ficando parado nessa posição durante pelo menos 1 minuto, e à medida que for ficando fácil, aumentar o tempo em 30 segundos.

2. Alongamento da coluna

Ficar na posição de 4 apoios com as mãos e os joelhos apoiados no chão e movimentar a coluna para cima e para baixo. Curvar completamente a coluna contraindo o abdômen mobilizando todas as vértebras da coluna para cima, desde coluna cervical, até a coluna lombar, e depois deve fazer o movimento contrário da coluna, como se quisesse deixar a coluna mais próxima do chão. Depois voltar à posição inicial neutra. Repetir 4 vezes.

3. Mobilização pélvica deitado

Deitar de barriga para cima, dobrar as pernas e forçar a coluna para trás para manter totalmente as costas apoiadas no chão. Realizar essa contração por 30 segundos e depois voltar ao repouso inicia. Repetir 10 vezes.

É necessário realizar, pelo menos, 12 semanas de tratamento para a seguir avaliar os resultados, e não são recomendados exercícios abdominais tradicionais porque favorecem o aumento da cifose, que normalmente já se encontra acentuada nessas pessoas.

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Atualizado por Manuel Reis - Enfermeiro, em dezembro de 2021. Revisão clínica por Marcelle Pinheiro - Fisioterapeuta, em dezembro de 2021.

Bibliografia

  • VANÍCOLA, Maria Claudia e GUIDA, Sergio. Postura e condicionamento físico. 2 ed. São Paulo: Phorte, 2014. 163-178.
Revisão clínica:
Marcelle Pinheiro
Fisioterapeuta
Formada em Fisioterapia pela UNESA em 2006 com registro profissional no CREFITO- 2 nº. 170751 - F e especialista em dermatofuncional.