A lobotomia foi um procedimento cirúrgico cerebral que consistia em destruir ligações nos lobos frontais do cérebro, para tentar controlar transtornos mentais graves, como esquizofrenia, depressão profunda e ansiedade extrema.
Embora algumas pessoas apresentassem redução de sintomas, a lobotomia causava frequentemente efeitos colaterais graves, como perda de personalidade, apatia, dificuldades cognitivas e incapacidade de funcionar de forma independente.
Com o avanço da medicina, o surgimento de medicamentos psiquiátricos e técnicas mais seguras e precisas levou ao abandono da lobotomia, considerada hoje eticamente controversa e sem evidência científica suficiente.
Para que serve
A lobotomia era um procedimento utilizado em pessoas com transtornos mentais graves e considerados incuráveis, com os objetivos de:
- Controlar a agressividade, para reduzir comportamentos violentos ou crises de agitação em hospitais psiquiátricos;
- Tratar psicoses, tentando eliminar alucinações e delírios em pessoas com esquizofrenia. Conheça os sintomas da esquizofrenia;
- Aliviar angústia extrema, servindo como última alternativa em casos de depressão profunda ou ansiedade que não respondiam a outros tratamentos. Faça o teste de depressão.
Em alguns casos, o objetivo da lobotomia era apenas tornar a pessoa mais fácil de ser cuidada por familiares ou profissionais de saúde.
Apesar de deixar a pessoa mais calma, havia uma perda de criatividade e autonomia, o que acabou tornando a técnica condenada pela ciência.
Significado de lobotomia
O termo lobotomia vem do grego lobos, que significa lobo e tomē, que significa corte ou incisão. Ou seja, significa literalmente “corte do lobo”, referindo-se à cirurgia que corta ou destrói conexões nos lobos frontais do cérebro.
Lobotomia ainda existe?
A lobotomia não é mais usada atualmente como tratamento para doenças mentais, foi abandonada por ser perigosa, causar efeitos graves e não ter comprovação científica de eficácia.
A lobotomia frequentemente provocava efeitos colaterais severos, como perda de personalidade, apatia, dificuldades cognitivas e comprometimento da autonomia, tornando a vida diária da pessoa extremamente limitada.
Atualmente, existem tratamentos muito mais seguros e eficazes para doenças mentais graves, que incluem medicamentos psiquiátricos, como antidepressivos, antipsicóticos e estabilizadores de humor. Saiba quais são e como tomar os antidepressivos.
Leia também: Antipsicóticos: para que servem, tipos e como usar tuasaude.com/antipsicoticosAlém de terapias modernas de neurocirurgia, como a estimulação cerebral profunda, cingulotomia estereotática e capsulotomia.
Estes procedimentos são cuidadosamente planejados, guiados por imagens cerebrais e aplicados apenas em casos específicos, geralmente quando outras abordagens não surtiram efeito.
Como era feita a lobotomia
A lobotomia era realizada por neurocirurgiões ou, em alguns casos, por psiquiatras treinados, consistindo em cortar ou destruir conexões nos lobos frontais do cérebro.
As principais técnicas de lobotomia eram:
1. Lobotomia frontal
A lobotomia frontal, também chamada de lobotomia pré-frontal, consistia na abertura do crânio para que o cirurgião pudesse acessar os lobos frontais diretamente.
O procedimento utilizava instrumentos cirúrgicos especializados, como leucótomos, para cortar ou destruir as fibras nervosas que conectavam os lobos frontais a outras áreas do cérebro.
Geralmente, era necessária anestesia geral, devido à invasividade da cirurgia, embora os riscos de complicações fossem altos.
O tempo de recuperação física levava algumas semanas para a cicatrização completa das feridas, mas o impacto mental era imediato e permanente.
Embora a pessoa pudesse caminhar em pouco tempo, passava por um longo período de reabilitação, no qual precisava reaprender tarefas básicas, como se alimentar sozinha, vestir-se, tomar banho e organizar suas atividades diárias.
2. Lobotomia transorbital
A lobotomia transorbital era uma técnica em que o cirurgião acessava os lobos frontais através da região atrás dos olhos, usando uma ferramenta semelhante a um picador de gelo, por isso chamada de "técnica do picador de gelo".
Diferente da lobotomia frontal, que exigia abrir o crânio, esse método era mais rápido e podia ser feito sem anestesia geral, com a pessoa geralmente colocada em inconsciência por choques elétricos breves.
Essa facilidade tornou a prática muito perigosa e banalizada, sendo aplicada até em consultórios e em pessoas com problemas leves, como insônia ou mau comportamento.
3. Lobotomia química
A lobotomia química era uma forma de intervenção cerebral que não envolvia cirurgia, mas o uso de medicamentos para alterar ou suprimir a atividade de regiões do cérebro, especialmente os lobos frontais.
O objetivo era reduzir sintomas de transtornos mentais graves, como agressividade, ansiedade intensa ou psicose, de maneira semelhante à lobotomia cirúrgica.
No entanto, esse método também podia causar efeitos colaterais significativos, incluindo alterações de personalidade, apatia, sedação excessiva e comprometimento cognitivo, e nunca se mostrou uma alternativa segura ou eficaz.