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Lepra: o que é, sintomas, transmissão e tratamento

Revisão médica: Drª Sylvia Hinrichsen
Infectologista
janeiro 2023

A lepra é uma doença infecciosa causada pela bactéria Mycobacterium leprae (M. leprae), que leva ao aparecimento de manchas esbranquiçadas na pele e alteração dos nervos periféricos, o que diminui a sensibilidade da pessoa à dor, toque e calor, por exemplo.

As partes do corpo mais afetadas são os olhos, as mãos e os pés, mas as feridas também podem aparecer no rosto, orelhas, nádegas, braços, pernas e costas e a transmissão acontece por meio do contato com as secreções da pessoa contaminada.

A lepra, também conhecida como hanseníase ou doença de Hansen tem cura quando o tratamento é seguido de acordo com a orientação do médico, respeitando a dosagem e o tempo de tratamento, sendo normalmente indicado o uso de antibióticos.

Imagem ilustrativa número 1

Sintomas de lepra

Os principais sintomas de lepra são;

  • Aparecimento de manchas planas ou elevadas, arredondadas e de cor mais clara que a pele;
  • Perda de sensibilidade no local das manchas;
  • Inchaço da região;
  • Perda da força nos músculos inervados pelos nervos afetados, principalmente nos olhos, braços e pernas.
  • Perda da capacidade de suar;
  • Pele ressecada;
  • Perda da sensibilidade e dormência;
  • Lesões e feridas na planta dos pés;
  • Lesões no nariz;
  • Lesão dos olhos pode causar cegueira;
  • Paralisia dos braços ou pernas;
  • Impotência e esterilidade, pois a infecção pode reduzir tanto a quantidade de testosterona quanto a quantidade de espermatozoides produzidos pelos testículos.

Os sintomas da lepra podem demorar anos para a aparecer dependendo da resposta imune da pessoa, e o período de incubação da bactéria, ou seja, o tempo que o agente infeccioso leva para provocar sinais e sintomas da doença, varia de 6 meses à 5 anos.

Como confirmar que é lepra

O diagnóstico da lepra é feito pelo infectologista ou clínico geral através da observação das manchas na pele e dos sintomas apresentados pela pessoa. Normalmente realizam-se alguns testes de sensibilidade na região, além de verificar se existe algum tipo de deformidade nos olhos, mãos, pés e rosto, uma vez que pode acontecer devido ao espessamento da pele em alguns tipo de lepra, principalmente no caso do tratamento não ter sido realizado corretamente.

Além disso, pode-se fazer uma pequena raspagem nas feridas e enviar para o laboratório para que seja feita análise para identificação da bactéria causadora da hanseníase.

Tipos de lepra

De acordo com a quantidade de manchas, a lepra pode ser classificada em:

  • Lepra ou hanseníase paucibacilar, em que são observadas entre 1 e 5 lesões que podem ter bordas bem ou mal definidas e comprometimento de até 1 nervo;
  • Lepra ou hanseníase multibacilar, em que são observadas mais de 5 lesões com bordas bem ou mal definidas e comprometimento de 2 ou mais nervos, além de também poder se difícil diferenciar a pela normal da pele com lesão, em alguns casos.

É importante que o tipo de hanseníase seja identificados, pois assim o médico consegue avaliar a gravidade da doença e indicar o tratamento mais adequado.

Como acontece a transmissão

A lepra é uma doença altamente contagiosa, podendo ser transmitida de pessoa para pessoa através do contato com secreções respiratórias de uma pessoa infectada. Assim, é recomendado que a pessoa com lepra evite falar, beijar, tossir ou espirrar muito perto de outras pessoas, enquanto não iniciar tratamento.

A pessoa pode contaminar-se com o bacilo da lepra e só manifestar sintomas muitos anos depois. O contato através do toque do doente não representa um alto risco de transmissão e cerca de 90% da população tem defesa natural contra essa doença, e por isso a forma como a doença se manifesta também depende da genética de cada pessoa.

Como é feito o tratamento

O tratamento da lepra é feito com o uso de antibióticos, que devem ser iniciados assim que surgem os primeiros sintomas e mantidos por alguns meses. Dessa forma, o tratamento deve ser sempre bem orientado, sendo por isso aconselhado ir num posto de saúde ou no centro de tratamento de referência, geralmente 1 vez por mês, ou de acordo com as orientações do médico, pra que possa ser avaliado o efeito do medicamento e se há necessidade de alterar a dose.

Os antibióticos podem interromper a evolução da hanseníase e eliminar completamente a doença, mas para que a cura seja alcançada o tratamento pode ter que ser mantido por longos períodos, que variam entre 6 meses a 2 anos, porque a eliminação completa do bacilo causador da lepra pode ser difícil de alcançar.

O tratamento acaba quando a cura é alcançada, o que geralmente ocorre quando a pessoa toma, pelo menos, 12 vezes o medicamento prescrito pelo médico. No entanto, nos casos mais graves, quando há complicações devido o aparecimento de deformidades, pode ser preciso fazer fisioterapia e ou realizar uma cirurgia. Veja mais detalhes do tratamento para curar a lepra.

A lepra tem cura?

A lepra tem cura quando o tratamento com antibiótico é realizado conforme a orientação do médico, pois assim é possível garantir a eliminação da bactéria, prevenindo o aparecimento de novos sintomas e a transmissão da doença.

Como tratar a hanseníase na gravidez

Como a gestação diminui a imunidade das mulheres, por vezes, é durante a gravidez que aparecem os primeiros sinais de hanseníase. O tratamento da lepra na gravidez pode ser feito com os mesmos antibióticos, porque não prejudicam o bebê, podendo também serem usados durante a amamentação. O recém-nascido pode apresentar a pele um pouco mais escura nos primeiros dias de vida, mas o tom de pele tende a clarear naturalmente.

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Atualizado por Marcela Lemos - Biomédica, em janeiro de 2023. Revisão médica por Drª Sylvia Hinrichsen - Infectologista, em abril de 2019.

Bibliografia

  • ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE. Tratamento da Lepra. Disponível em: <https://www.who.int/lep/resources/Guide_P3.pdf>. Acesso em 01 fev 2021
  • SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA. Hanseníase. Disponível em: <https://www.sbd.org.br/dermatologia/pele/doencas-e-problemas/hanseniase/9/>. Acesso em 01 fev 2021
Mostrar bibliografia completa
  • BARER, Michael R. Medical Microbiology: A guide to microbial infections - pathogenesis, immunity, laboratory investigation and control. 19 ed. Elsevier, 2018. 277-280.
Revisão médica:
Drª Sylvia Hinrichsen
Infectologista
Médica infectologista, doutorada em Medicina Tropical pela Universidade Federal de Pernambuco, em 1995. Cremepe: 6522