Intolerância à lactose: o que é, sintomas, tipos e tratamento

abril 2022
  1. Sintomas
  2. Tipos
  3. Causas
  4. Diagnóstico
  5. Tratamento

A intolerância à lactose é uma síndrome causada pela diminuição ou falta de lactase no organismo, que é a enzima responsável pela digestão e absorção da lactose, um açúcar presente no leite e derivados, como iogurte, manteiga, sorvete e queijos.

Essa dificuldade em digerir e absorver a lactose pode causar alguns sinais e sintomas, como inchaço abdominal, excesso de gases, diarreia, dor na barriga e dor de cabeça. Conheça outros sinais e sintomas da intolerância à lactose.

A intolerância à lactose pode surgir nos primeiros dias de vida, na idade adulta, ou ainda pode acontecer devido à presença de situações, como tratamento de quimioterapia, doença de Crohn ou gastroenterite, por exemplo. O diagnóstico de intolerância à lactose é feito por um médico, que vai avaliar os sinais e sintomas, e solicitar testes e exames, como o teste respiratório e oral, e exame de sangue e de fezes.

Principais sinais e sintomas

Os principais sinais e sintomas da intolerância à lactose são:

  • Excesso de gases;
  • Dor na barriga;
  • Diarreia;
  • Náuseas;
  • Dor de cabeça;
  • Barriga inchada;
  • Cansaço;
  • diminuição da concentração e memória;
  • Dor muscular ou nas articulações.

Além disso, em casos mais graves, a intolerância à lactose também pode causar perda de peso, desidratação, atraso no crescimento infantil e óbito.

Tipos de intolerância à lactose

De acordo com a idade e com a presença de algumas situações de saúde, a intolerância à lactose pode ser classificada em primária, secundária ou congênita:

1. Intolerância à lactose congênita

Esse tipo de intolerância é muito raro e surge nos primeiros dias de vida após a ingestão da lactose, através do leite materno, quando a mãe consome leites e derivados, ou da ingestão de outros tipos de leite, causando diarreia intensa, vômitos, desidratação e dificuldades para ganhar peso.

A intolerância à lactose genética acontece quando o organismo do bebê não consegue produzir a enzima lactase por uma alteração genética, sendo uma situação grave e que, quando não identificada precocemente,  pode levar a óbito.

2. Intolerância à lactose primária

Esse tipo de intolerância à lactose é o mais comum e acontece devido à uma diminuição ou falta da enzima lactase no intestino, causada por um processo natural do organismo com o passar dos anos.

No entanto, em alguns adultos podem ocorrer mudanças genéticas que mantêm a produção normal da lactase, permitindo a digestão da lactose e impedindo o surgimento da intolerância.

3. Intolerância à lactose secundária

A intolerância à lactose secundária é uma condição que pode ser temporária e é causada por danos nas células do intestino responsáveis pela produção da enzima lactase, como no caso de rotavírus, gastroenterite, medicamentos (antibióticos e quimioterapia), radioterapia, diarreia crônica, doença celíaca, infecções intestinais bacterianas.

Possíveis causas

A intolerância à lactose pode ser causada por uma alteração genética que impede a produção da enzima lactase ou pode ser causada pela diminuição natural na produção da enzima lactase com o avançar da idade.

Além disso, algumas situações que causam danos à células do intestino, como tratamentos com quimioterapia ou radioterapia, o uso de antibióticos orais, diarreia crônica, doença de Crohn, infecções bacterianas, virais e por protozoários, como giárdia e ameba, também podem causar a intolerância à lactose.

Diferença entre APLV e intolerância à lactose

A alergia à proteína do leite de vaca, ou APLV, é uma reação do sistema imunológico à uma ou mais proteínas presentes no leite de vaca,  como caseína, lactoglobulina, lactoalbumina, soroalbumina  e imunoglobulinas.

A APLV acontece quando se ingere ou tem contato da pele com os produtos, como leite de vaca e seus derivados, como sorvete, queijo, manteiga e bolos, causando o surgimento de sinais e sintomas, como urticária, vômitos, diarreia e atraso no crescimento infantil. Conheça outros sintomas da APLV.

Já a intolerância à lactose é uma dificuldade que o organismo tem para digerir e absorver a lactose, devido à diminuição ou ausência da enzima lactase no intestino, causando principalmente sintomas, como excesso de gases, dor abdominal e diarreia.

Como confirmar o diagnóstico

O diagnóstico da intolerância à lactose deve ser feito por um médico, que vai avaliar os sinais e sintomas apresentados e o histórico de saúde da pessoa, podendo também recomendar a retirada dos alimentos com lactose, como leite, iogurte e queijos, da dieta, por 2 semanas para verificar se existe melhora dos sintomas.

Além disso, o médico também pode pedir alguns exames para confirmar o diagnóstico, verificar as possíveis causas e a quantidade de lactase que o organismo ainda produz, como teste respiratório, teste oral de tolerância à lactose, exame de fezes e de sangue. Veja todos os exames e testes para diagnosticar a intolerância à lactose.

Como é feito o tratamento

O tratamento da intolerância à lactose deve ser feito sob o acompanhamento de um médico e um nutricionista, onde é recomendado diminuir ou excluir o consumo do leite e seus derivados, como manteiga, iogurte, queijo e sorvete. Veja outros alimentos que devem ser evitados ou excluídos na intolerância à lactose.

Na intolerância primária, a recomendação é diminuir o consumo de lactose, mantendo o máximo de 15 g de lactose por dia, o que equivale a 300 ml de leite ou 300 g de iogurte, por exemplo, que devem ser divididos em 2 refeições ou mais ao longo do dia. No entanto, a redução dos leites e derivados da dieta pode não diminuir os sinais e sintomas da intolerância em algumas pessoas, sendo indicado tomar a enzima lactase  junto com as refeições que contêm lactose.

Já nos casos de intolerância secundária, pode ser aconselhado excluir totalmente o leite e seus derivados da alimentação por 1 mês ou mais, até a recuperação do intestino. No entanto, essa exclusão deve ser sempre orientada e acompanhada por um médico, ou nutricionista, para evitar a deficiência de nutrientes importantes, como cálcio, vitamina D, vitamina A e fósforo.

Veja no vídeo a seguir outras dicas de dieta para a intolerância à lactose:

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Atualizado por Karla S. Leal - Nutricionista, em abril de 2022.

Bibliografia

  • UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS-SERVIÇO DE GASTROENTEROLOGIA PEDIÁTRICA DO HOSPITAL DAS CLÍNICAS. Gastroped: intolerância à lactose. 2018. Disponível em: <https://www.medicina.ufmg.br/gastroped/wp-content/uploads/sites/58/2018/07/GASTROPED-intolerancia-a-lactose-31-07-2018.pdf>. Acesso em 18 abr 2022
  • OLIVEIRA, F, Joana Alexandra. Intolerância à Lactose . Tese de conclusão de mestrado em ciências farmacêuticas,, 2020. Universidade Fernando Pessoa.
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  • NATIONAL HEALTH SERVICE. Conditions: lactose intolerance. Disponível em: <https://www.nhs.uk/conditions/lactose-intolerance/>. Acesso em 18 abr 2022
  • BRANCO, S, C, Maiara et al. Classificação da intolerância à lactose: uma visão geral sobre causas e tratamentos. Revista de Ciências Médicas. Vol.26. 3.ed; 117-125, 2017
Equipe editorial constituída por médicos e profissionais de saúde de diversas áreas como enfermagem, nutrição, fisioterapia, análises clínicas e farmácia.

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  • O que comer se tem intolerância à lactose

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