Hepatite aguda: o que é, sintomas, causas e tratamento

maio 2022

A hepatite aguda é a inflamação do fígado que pode ser causada por vírus, principalmente, uso prolongado de medicamentos, consumo excessivo de bebidas alcoólicas e alterações da imunidade, e que inicia-se subitamente, durando apenas algumas semanas

Apesar das diversas causas, os sintomas apresentados em uma hepatite aguda costumam ser semelhantes, incluindo mal-estar, dor de cabeça, fadiga, falta de apetite, náuseas, vômitos, pele e olhos amarelados. Geralmente, esta inflamação evolui de forma benigna, apresentando cura após algumas semanas ou meses, entretanto, alguns casos podem se tornar graves, podendo evoluir para o óbito.

Por isso, é sempre necessário que, na presença de sintomas que sugiram hepatite, a pessoa consulte o médico para que seja feita uma avaliação clínica e sejam solicitados exames, como dosagem das enzimas hepáticas (ALT e AST) e ultrassom abdominal. O tratamento inclui repouso, hidratação e uso de remédios em casos específicos, de acordo com a causa.

Sintomas de hepatite aguda

Apesar de poderem variar dependendo da causa, os principais sintomas de hepatite são:

  • Cansaço ou fadiga;
  • Perda do apetite;
  • Febre;
  • Dores nas articulações e músculos;
  • Mal-estar;
  • Dores de cabeça;
  • Náuseas;
  • Vômitos.

Após alguns dias do início das queixas, em alguns casos pode surgir uma coloração amarela na pele e nos olhos chamada de icterícia, acompanhada ou não de coceira na pele, urina escura e fezes esbranquiçadas. Posteriormente, é comum seguir-se um período de recuperação, com diminuição dos sinais e sintomas, evoluindo frequentemente para a cura da doença. Em alguns casos, o processo inflamatório da hepatite pode durar mais que 6 meses, transformando-se em uma hepatite crônica.

Quando pode ser grave

Apesar de não ser comum, qualquer hepatite aguda pode se tornar grave, principalmente quando não é detectada de forma precoce e quando o tratamento não é iniciado adequadamente. Caso a hepatite se torne grave, pode comprometer o funcionamento do fígado e das vias biliares, o que aumenta o risco de sangramentos, interfere na produção de proteínas ou no funcionamento do sistema imune podendo afetar o funcionamento de outros órgãos do corpo.

Além disso, durante a fase aguda das hepatites, pode haver a insuficiência aguda do fígado, a qual deve ser feito o diagnóstico precoce já que podem ser necessárias rápidas intervenções terapêuticas, como o transplante do fígado.

Quando pode se tornar fulminante

A hepatite aguda fulminante é também conhecida como falência hepática aguda, e surge apenas em raros casos de hepatite que evoluem de forma muito intensa e prejudicam todo o metabolismo do corpo. Trata-se de uma das doenças mais graves do fígado, podendo evoluir para óbito em 70 a 90% dos pacientes, sendo o risco aumentado de acordo com a idade.

Os sintomas iniciais da hepatite fulminante são iguais aos de uma hepatite comum, acrescentando-se a presença de urina escura, olhos amarelos, perturbações do sono, voz imprecisa, confusão mental e raciocínio lento, havendo o risco de complicações como a falência múltipla de órgãos. Estas complicações podem levar à morte, sendo muito importante procurar auxílio médico sempre que surgirem sintomas que indiquem esta doença.

Causas de hepatite aguda

Dentre as principais causas de hepatite aguda, estão incluídas:

  • Infecção com o vírus da hepatite A,B,C,D ou E;
  • Outras infecções, como adenovírus, citomegalovírus, parvovírus, herpes, febre amarela;
  • Uso de medicamentos, como certos antibióticos, antidepressivos, estatinas ou anticonvulsivantes;
  • Uso de Paracetamol;
  • Doenças auto-imunes, em que o corpo produz anticorpos de forma inapropriada contra si mesmo;
  • Alterações no metabolismo do cobre e ferro;
  • Alterações circulatórias;
  • Obstrução biliar aguda;
  • Agravamento de uma hepatite crônica;
  • Distúrbios no metabolismo das gorduras;
  • Câncer;
  • Agentes tóxicos, como drogas, contato com produtos químicos ou consumo de certos chás.

Além disto, existe a chamada hepatite transinfecciosa, que é provocada por infecções que não acontecem diretamente no fígado, mas acompanha infecções generalizadas graves, como a septicemia.

Assista ao vídeo seguinte, à conversa entre a nutricionista Tatiana Zanin e o Dr. Drauzio Varella sobre como prevenir e tratar alguns tipos de hepatite:

Como confirmar

Para confirmar a hepatite aguda, além de analisar o quadro clínico e sintomas apresentados pela pessoa, o médico poderá solicitar exames capazes de detectar lesões no tecido hepático ou alterações no funcionamento do fígado e vias biliares, como alanina aminotransferase (ALT, antigamente conhecida como TGP), aspartato aminotransferase (AST, antigamente conhecida como TGO), gama GT, fosfatase alcalina, bilirrubinas, albumina e coagulograma.

Além disso, podem ser solicitados exames de imagem para observar o aspecto do fígado, como ultrassom ou tomografia e, caso o diagnóstico não seja esclarecido, é até possível ser necessária a realização de uma biópsia hepática. Conheça os exames que avaliam o fígado.

Tratamento para hepatite aguda

O tratamento para hepatite aguda varia de acordo com a causa da inflamação, podendo ser recomendo pelo médico repouso, aumento do consumo de líquidos, suspensão do consumo de bebidas alcoólicas e alimentação leve, equilibrada e pobre em gordura. No caso em que a hepatite aguda é causada por medicamentos, pode ser também indicado pelo médico a suspensão do medicamento responsável pela inflamação.

Em alguns casos, o médico também pode recomendar o uso de remédios para promover o alívio dos sintomas, no caso da hepatite não estar relacionada com medicamentos, e/ ou de medicamentos que promovam a diminuição da inflamação do fígado, como corticoides ou imunossupressores, ou que atuem diretamente diminuindo a replicação do vírus. Veja como deve ser o tratamento para hepatite aguda.

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Atualizado por Marcela Lemos - Biomédica, em maio de 2022. Revisão médica por Drª Sylvia Hinrichsen - Infectologista, em junho de 2019.
Revisão médica:
Drª Sylvia Hinrichsen
Infectologista
Médica infectologista, doutorada em Medicina Tropical pela Universidade Federal de Pernambuco, em 1995. Cremepe: 6522

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