Hemodiafiltração: o que é, para que serve, indicações (e como é feita)

A hemodiafiltração é um procedimento que remove do sangue toxinas maiores e mais pesadas que costumam ficar retidas no corpo após os tratamentos convencionais, como citocinas inflamatórias, fósforo e leptina.

Este tratamento é indicado principalmente para pessoas com doença renal crônica em estágio terminal, falência renal ou síndrome urêmica, que precisam de diálise de manutenção e para qualquer pessoa em hemodiálise em centros de diálise.

Leia também: Doença renal crônica: o que é, sintomas, causas e tratamento tuasaude.com/tratamento-para-doenca-renal-cronica

A hemodiafiltração deve ser indicada pelo nefrologista, é realizada apenas em hospital ou clínicas especializadas, e as sessões podem durar aproximadamente 4 horas.

Imagem ilustrativa número 1

Para que serve a hemodiafiltração

A hemodiafiltração serve para:

  • Reduzir do risco de óbito;
  • Melhorar a qualidade de vida;
  • Controlar anemia e inflamações;
  • Aumentar a estabilidade cardíaca, com menos quedas de pressão e cãibras.

Isso é possível porque a hemodiafiltração purifica o sangue, removendo toxinas maiores e mais pesadas que costumam ficar retidas no corpo com os tratamentos convencionais.

As substâncias removidas pela hemodiafiltração incluem a β2​-microglobulina, as citocinas inflamatórias, os produtos finais de glicação avançada (AGEs), o fósforo e a leptina.

Diferença entre hemodiálise e hemodiafiltração

A hemodiálise é um procedimento que filtra o sangue usando difusão para remover toxinas de tamanho pequeno, como a ureia e a creatinina. Entretanto, esse tratamento tem baixa eficiência para remover toxinas de médio e grande peso molecular.

Leia também: Hemodiálise: o que é, para que serve e como funciona tuasaude.com/hemodialise

Já a hemodiafiltração usa a difusão e a convecção, utilizando a pressão para remover toxinas maiores e mais pesadas, o que exige uma troca de muitos litros de fluido durante a sessão, resultando em uma limpeza do sangue mais profunda e eficiente.

Principais indicações

A hemodiafiltração é indicada principalmente como uma terapia renal substitutiva para pessoas com doença renal crônica em estágio terminal, falência renal ou síndrome urêmica, que precisam de diálise de manutenção.

Esse tratamento também deve ser avaliado como primeira linha para o tratamento de pessoas em hemodiálise em centros de diálise. Isso porque, inicialmente, todas as pessoas que fazem hemodiálise regular são elegíveis para a hemodiafiltração.

Como é feita

A hemodiafiltração é feita conforme o passo a passo a seguir:

  1. Preparação, pela equipe, do acesso vascular e conexão, onde se faz uma punção usando agulhas de grosso calibre, para suportar o alto fluxo de sangue sem causar pressões excessivas no sistema;
  2. Início do fluxo sanguíneo, onde o sangue da pessoa é bombeado para o circuito da máquina de diálise;
  3. Administração de um anticoagulante como a heparina não fracionada, em bolus inicial ou através de uma bomba de infusão contínua, para evitar que o sangue coagule;
  4. Produção online e reposição de líquido estéril, que é feita pela própria máquina, por meio de uma dupla filtração;
  5. Passagem pelo dialisador especial, onde o sangue passa por um dialisador de alto fluxo, com poros maiores e fibras capilares internas com um diâmetro mais largo para acomodar o sangue mais espesso e diminuir o risco de coagulação;
  6. Difusão e convecção, onde as toxinas movem-se do sangue para o fluido de diálise pela diferença de concentração e por uma forte pressão no sistema que empurra arrasta uma quantidade alta de líquidos e as toxinas de médio e grande peso molecular;
  7. Extração e reposição de líquidos, onde a máquina retira uma quantidade massiva de líquidos e repõe o líquido de substituição estéril de volta da corrente sanguínea;
  8. Devolução do sangue purificado restante, no circuito, para o organismo da pessoa.

O equipamento calcula a diferença entre a quantidade de líquido extraída e a quantidade de fluido de substituição que é infundida. O saldo final equivale ao volume exato que a pessoa precisava perder, ou seja, ao ganho de peso acumulado nos dias em que não fez diálise.

Cada sessão de hemodiafiltração dura cerca de 4 horas, para pessoas que fazem diálise 3 vezes por semana.

Possíveis riscos e complicações

De um modo geral, a hemodiafiltração é um procedimento muito seguro quando as normas operacionais e de higiene são respeitadas.

No entanto, alguns possíveis riscos e complicações incluem coagulação e hemoconcentração, que é o aumento da concentração de glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas devido à diminuição de líquido circulante.

Esse tratamento também pode causar a perda de proteínas, ou hipoalbuminemia, além de reações inflamatórias ou pirogênicas graves (febre e calafrios), se o fluido não for estéril e ultrapuro.

Quem não pode fazer

Embora não seja uma contraindicação, essa terapia pode não ser indicada pelo médico se a pessoa tiver um acesso vascular fragilizado que não permita um fluxo de sangue intenso.

Isso porque os benefícios da hemodiafiltração, neste casos, ficam muito reduzidos.

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