Hemodiálise: o que é, para que serve e como funciona

Revisão médica: Dr.ª Clarisse Bezerra
Médica de Saúde Familiar
fevereiro 2022

A hemodiálise é um tipo de tratamento que tem como objetivo substituir o trabalho dos rins, quando não estão funcionando corretamente, filtrando o sangue e removendo o excesso de toxinas, sais minerais e líquidos.

Este tipo de tratamento deve ser indicado pelo nefrologista e normalmente é realizado em pessoas que possuem insuficiência renal, devendo ser realizada no hospital ou em clínicas de hemodiálise.

O tempo e a frequência das sessões de diálise podem variar de acordo com a gravidade do comprometimento renal, podendo ser indicadas sessões de 4 horas, 3 a 4 vezes por semana.

Para que serve

A hemodiálise é feita de acordo com orientação do nefrologista e tem como o objetivo filtrar o sangue, eliminando substâncias tóxicas, como a ureia, e o excesso de sais minerais, como sódio e potássio, além de remover o excesso de água do organismo.

Em que situações é indicada

Uma vez que substitui o trabalho renal, a hemodiálise normalmente é indicada quando existe uma falência temporária ou permanente dos rins, que pode acontecer devido a situações como:

  • Infecções graves ou generalizadas;
  • Doenças autoimunes não controladas, como Lúpus;
  • Doenças cardíacas ou renais descompensadas;
  • Uso inadequado de medicamentos;
  • Consumo excessivo de toxinas, como álcool ou drogas.

Além disso, outros problemas crônicos como diabetes, pressão alta ou colesterol alto, também podem resultar em insuficiência e perda da função renal, especialmente se não forem tratados corretamente.

Entenda melhor o que é insuficiência renal e quais os sintomas que podem surgir.

Como funciona

A hemodiálise é feita com a utilização de um aparelho chamado dialisador, por onde o sangue circula e passa por um filtro que tem como função eliminar as substâncias que estão circulando em excesso e que podem ser prejudiciais para o organismo.

O sangue que irá ser filtrado sai através de um cateter, que é inserido dentro dos vasos sanguíneos (geralmente no braço). Após a filtração, o sangue limpo, sem toxinas e com menos líquidos, retorna à circulação sanguínea através de um outro cateter.

Nas pessoas que precisam de hemodiálise frequentemente, é possível fazer uma pequena cirurgia, que une uma veia a uma artéria, formando uma fístula arteriovenosa (AV), que se torna um vaso com alto fluxo de sangue e alta resistência às punções repetidas, facilitando o procedimento.

Hemodiálise é feita por toda vida?

Nos casos em que há uma insuficiência renal crônica, em que os rins já não funcionam adequadamente, a hemodiálise pode ser mantida por toda a vida ou até que seja realizado um transplante renal.

No entanto, nos casos em que há perda temporária de função, como no caso de insuficiência renal aguda, infecções, intoxicação por remédios ou complicações cardíacas, podem ser necessárias menos sessões de hemodiálise até que os rins voltem a funcionar normalmente.

Quem faz hemodiálise precisa tomar remédios?

A hemodiálise não substitui completamente a função dos rins e, além disso, é normal que algumas vitaminas sejam perdidas durante o procedimento. Por esses motivos, o nefrologista poderá indicar o tratamento com reposição de cálcio, vitamina D, ferro, eritropoietina e anti-hipertensivos, que são indicados para ajudar a controlar a pressão arterial.

Além disso, é necessário que a pessoa tenha cuidados com a alimentação, controlando o consumo de líquidos, sais e escolha corretamente os tipos de alimentos consumidos no dia-a-dia. Por isso, é recomendado também o acompanhamento com um nutricionista. Confira algumas dicas sobre a alimentação para hemodiálise.

Riscos e complicações da hemodiálise

Na maioria das sessões de hemodiálise o paciente não sentirá nenhum desconforto, no entanto é possível que algumas pessoas sintam sintomas durante algumas sessões de hemodiálise, como por exemplo:

  • Dor de cabeça;
  • Cãibras;
  • Queda da pressão arterial;
  • Reações alérgicas;
  • Vômitos;
  • Calafrios;
  • Desequilíbrio dos eletrólitos do sangue;
  • Convulsões;

Além disso, pode haver a perda da fístula, em que o fluxo de sangue é obstruído. Para evitar que isto aconteça, é recomendado ter alguns cuidados como não aferir a pressão, não retirar sangue e nem aplicar medicamentos no braço com a fístula.

Caso surjam hematomas no local, orienta-se fazer compressas de gelo no dia e compressas mornas nos dias seguintes. Além disso, caso se perceba que o fluxo na fístula está diminuído, é necessário contactar o médico ou enfermeiro que acompanha, pois é um sinal de mau funcionamento.

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Atualizado e revisto clinicamente por Dr.ª Clarisse Bezerra - Médica de Saúde Familiar, em fevereiro de 2022.

Bibliografia

  • AMERICAN KIDNEY FUND. Kidney failure, end-stage kidney disease (ESKD) or end-stage renal disease (ESRD). Disponível em: <https://www.kidneyfund.org/all-about-kidneys/kidney-failure-end-stage-kidney-disease-eskd-or-end-stage-renal-disease-esrd#what-causes-kidney-failure>. Acesso em 24 fev 2022
  • NIH. Hemodialysis. Disponível em: <https://www.niddk.nih.gov/health-information/kidney-disease/kidney-failure/hemodialysis>. Acesso em 24 fev 2022
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  • SOCIEDADE BRASILEIRA DE NEFROLOGIA. Hemodiálise. Disponível em: <https://www.sbn.org.br/orientacoes-e-tratamentos/tratamentos/hemodialise/>. Acesso em 20 jul 2020
Revisão médica:
Dr.ª Clarisse Bezerra
Médica de Saúde Familiar
Formada em Medicina pelo Centro Universitário Christus e especialista em Saúde da Família pela Universidade Estácio de Sá. Registro CRM-CE nº 16976.