Espermicida é um tipo de método contraceptivo que consiste numa substância química aplicada dentro da vagina antes da relação sexual, com o objetivo de evitar a gravidez.
O espermicida atua diretamente sobre os espermatozoides, destruindo-os ou impedindo que se movimentem, o que dificulta que alcancem o óvulo e ocorra a fecundação.
Trata-se de um método não hormonal e de ação local, geralmente disponível em gel, creme, espuma ou óvulo vaginal. Apesar de poder ser utilizado sozinho, é mais eficaz quando combinado com métodos de barreira, como o preservativo.
Como funciona
O espermicida funciona como uma barreira química que impede a passagem dos espermatozoides, agindo das seguintes formas:
- Paralisando os espermatozoides, por conter substâncias químicas, geralmente o nonoxinol-9, que dificultam a movimentação e impedem que nadem até o óvulo;
- Danificando a membrana externa das células espermáticas, fazendo com que elas percam a capacidade de se mover e de fertilizar o óvulo;
- Criando uma barreira física leve, devido à sua textura em gel, espuma ou creme, que dificulta a entrada dos espermatozoides no colo do útero.
No entanto, o espermicida funciona melhor quando usado junto com outro método, como a camisinha ou o diafragma, aumentando a segurança. Conheça os métodos de barreira.
Tipos de espermicida
Os diferentes tipos de espermicidas são:
1. Gel espermicida
O gel ou creme espermicida é o tipo mais comum e geralmente vem acompanhado de um aplicador de plástico, que deve ser inserido profundamente na vagina.
Esse formato permite que o espermicida cubra de maneira uniforme a área do colo do útero, aumentando a eficácia na prevenção da passagem dos espermatozoides.
Além disso, o gel ou creme pode ser usado para lubrificar e ajudar a selar as bordas de um diafragma ou de um preservativo, contribuindo para uma proteção extra durante a relação sexual.
2. Espuma espermicida
A espuma espermicida vem em um frasco pressurizado e deve ser agitada antes do uso para garantir a concentração correta das bolhas.
A espuma é liberada dentro da vagina que se expande rapidamente, preenchendo toda a cavidade vaginal.
Essa expansão proporciona cobertura imediata da área, tornando a espuma uma opção prática e eficiente para quem busca facilidade de aplicação e proteção rápida.
3. Supositório ou óvulo espermicida
O supositório ou óvulo consiste em pequenas cápsulas sólidas que se dissolvem com o calor do corpo dentro da vagina, liberando o espermicida de forma gradual.
Ao contrário do gel ou da espuma, os óvulos exigem um tempo de espera maior antes do início da relação sexual, geralmente entre 10 e 15 minutos, para que se dissolvam completamente
4. Filme vaginal espermicida
O filme vaginal é uma fina camada de material plástico ou gel que contém o espermicida.
Quando colocado dentro da vagina, se dissolve rapidamente em contato com a umidade, liberando o produto químico que atua contra os espermatozoides.
É discreto e fácil de transportar, mas exige cuidado na aplicação para garantir que esteja bem posicionado.
Esponja contraceptiva
A esponja é um dispositivo de espuma macia já saturado com espermicida, que deve ser umedecido com um pouco de água para ativar o produto antes de ser inserido na vagina.
Essa esponja atua como uma barreira física e química, e deve ser colocada pouco antes da relação sexual e removida algumas horas depois.
Camisinha espermicida
A camisinha espermicida é um preservativo que contém uma camada de substância química, geralmente nonoxinol‑9, que imobiliza os espermatozoides.
Essa camisinha oferece dupla proteção, um bloqueio físico, impedindo que os espermatozoides cheguem ao útero, e uma ação química, aumentando a eficácia na prevenção da gravidez.
Leia também: Preservativo feminino: o que é e como usar corretamente tuasaude.com/camisinha-femininaLubrificante espermicida
O lubrificante espermicida é um produto aplicado dentro da vagina ou no preservativo, que libera o espermicida enquanto proporciona lubrificação durante a relação sexual. Conheça os tipos de lubrificantes.
Como usar o espermicida
Para usar o espermicida, deve-se seguir os seguintes passos:
- Lavar bem as mãos, para evitar a introdução de microrganismos no canal vaginal durante a aplicação;
- Preparar o produto, se for um gel ou espuma, encha o aplicador até a marca indicada; se for um óvulo ou filme, retire-o da embalagem individual;
- Encontrar uma posição confortável, podendo ser deitada de costas com os joelhos dobrados, agachada ou colocando um pé sobre uma cadeira, para facilitar o acesso ao canal vaginal;
- Inserir o espermicida na vagina, colocando o aplicador ou o produto o mais profundo possível, próximo ao colo do útero, e liberando o conteúdo.
Após a aplicação, é recomendado aguardar alguns minutos antes da relação sexual, pois alguns formatos, como óvulo ou filme, necessitam de tempo para se dissolver e liberar o espermicida, geralmente de 10 a 15 minutos.
O efeito do espermicida dura em média cerca de uma hora após a aplicação, por isso é importante planejar a relação sexual dentro desse período para garantir a eficácia contraceptiva.
Em caso de uma nova relação sexual, mesmo que seja dentro desta mesma hora, é necessário aplicar uma nova dose de espermicida.
Após a relação, o produto deve permanecer na vagina por, no mínimo, seis horas, não devendo lavar a região interna, como realizar duchas vaginais, antes desse período, pois os espermatozoides ainda podem estar ativos.
Cuidados durante o uso
Durante o uso do espermicida, deve-se sempre verificar a data de validade do produto, pois produtos vencidos podem perder a capacidade de neutralizar os espermatozoides.
Alguns formatos, como a espuma, precisam ser agitados antes de serem aplicados, enquanto óvulos e filmes devem ser retirados da embalagem individual com cuidado.
Também é indicado evitar o uso excessivo, já que a aplicação frequente de espermicidas, especialmente aqueles com nonoxinol‑9, pode causar irritação vaginal ou no pênis, aumentando o risco de infecções, como HIV.
Além disso, a Organização Mundial da Saúde recomenda usar o espermicida em combinação com outro método de barreira, como o preservativo, já que sozinho não protege contra infecções sexualmente transmissíveis e sua eficácia contraceptiva é maior quando associada a outros métodos.