Entorse de tornozelo: o que é, sintomas, causas e tratamento

Revisão clínica: Marcelle Pinheiro
Fisioterapeuta
fevereiro 2022

A entorse no tornozelo é uma situação bastante desconfortável que acontece quando a pessoa "pisa em falso" virando o pé para fora, num terreno irregular ou degrau, resultando no estiramento ou lesão parcial ou total do ligamento do tornozelo, podendo acontecer com mais frequência em pessoas que usam salto alto ou durante uma corrida, por exemplo.

Como consequência do estiramento ou lesão no ligamento, é possível notar alguns sintomas como inchaço do tornozelo, aumento da sensibilidade do local, dor e dificuldade para colocar o pé no chão.

Após virar o pé, os sintomas podem permanecer por alguns dias, sendo apenas indicado que a pessoa fique em repouso com os pés elevados e faça uma compressa com água gelada, por exemplo. No entanto, caso os sintomas sejam mais intensos e não melhorem ao longo do tempo, é importante que o ortopedista seja consultado para que seja avaliado o grau da entorse e, assim, o tratamento mais adequado possa ser iniciado.

Sintomas de entorse de tornozelo

Os sintomas de entorse no tornozelo costumam aparecer devido ao estiramento do ligamento do local, sendo os principais:

  • Dor no tornozelo e dificuldade para caminhar ou, até mesmo, colocar o pé no chão;
  • Inchaço da parte lateral do pé;
  • A área pode ficar inchada e arroxeada, sendo comum que o roxidão surja apenas 48 horas depois da torção;
  • Sensibilidade ao tocar na região lateral do tornozelo e do pé;
  • Pode haver pequena elevação da temperatura no local afetado.

Normalmente a própria pessoa consegue saber que torceu o pé enquanto estava andando ou correndo, no entanto o ortopedista pode indicar a realização de um raio-X do pé, para verificar se houve alguma fratura, ou a realização de uma ressonância magnética com o objetivo de verificar se houve rompimento dos ligamentos, sendo esse exame solicitado no caso dos sintomas persistirem por mais de 3 meses.

Gravidade da entorse de tornozelo

A entorse do tornozelo pode ser classificada em alguns estágios de acordo com as características da lesão:

  • Grau I ou de grau leve: caracterizada pelo estiramento do ligamento do tornozelo, em que podem ser verificadas pequenas rupturas microscópicas nas fibras desse ligamento, resultando em sintomas mais leves como dor no tornozelo, leve aumento da sensibilidade local e inchaço;
  • Grau II ou de grau moderado: caracterizada pela ruptura parcial do ligamento do tornozelo, o que torna o tornozelo mais sensível, é notado um maior inchaço e dor para colocar o pé no chão;
  • Grau III ou de grau grave: caracterizada pela ruptura total do ligamento, o que causa muita dor, dificuldade para colocar o pé no chão e movimentar o tornozelo e o pé e maior sensibilidade ao toque.

O tempo de recuperação da entorse no tornozelo depende da gravidade da lesão, de forma que a entorse de grau leve pode melhorar após alguns dias, enquanto que a entorse mais grave pode demorar alguns meses para ser solucionada, podendo ser necessária a imobilização e realização de sessões de fisioterapia.

Principais causas

A entorse no tornozelo acontece quando o pé vira para dentro ou para fora, resultando em um estiramento ou lesão parcial ou total do ligamento, o que leva ao aparecimento dos sintomas. Essa situação é mais comum de acontecer em pessoas que praticam atividade física, como corrida, futebol, basquete, handebol, atletismo e lutas, por exemplo, ou que iniciam a prática de exercício sem orientação adequada.

No entanto, é possível também que a entorse aconteça no dia a dia ao pisar "errado" no chão, ao descer escada ou ao utilizar sapatos muito altos, grandes ou inadequados para o tipo de pisada.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico da entorse no tornozelo deve ser feito pelo ortopedista a partir da avaliação dos sinais e sintomas apresentados pela pessoa, além de também ser indicada a realização de exames de imagem para avaliar o grau da entorse, sendo recomendada a realização de raio-X, ressonância magnética ou ultrassom.

Assim, a partir da avaliação dos sintomas e do resultado dos exames de imagem, o médico consegue indicar o tratamento mais adequado.

Como é o tratamento

O tratamento para entorse no tornozelo deve ser orientado pelo ortopedista de acordo com a gravidade e duração dos sintomas. Na maioria dos casos, a entorse é simples, sendo verificado apenas estiramento do ligamento e os sintomas passam em menos de 5 dias, sendo nesse caso indicado apenas colocar uma compressa de gelo no tornozelo enquanto descansa sentado ou deitado, mas com os pés elevados.

Por outro lado, quando é verificado que a entorse levou à lesão parcial ou total do ligamento, pode ser indicado pelo ortopedista a realização de sessões de fisioterapia, em que devem ser usados aparelhos que ajudam a desinflamar a região, além de serem realizados exercícios de alongamento e de fortalecimento muscular para evitar nova entorse.

Em alguns casos pode ser necessário imobilizar o pé colocando uma tala ou gesso por alguns dias e durante esse período, podendo ser também indicado o uso de muletas para andar durante esse período. O fisioterapeuta poderá usar ainda uma fita de kinesio tape para proteger o tornozelo evitando que o pé vire para fora de forma excessiva.

Além disso, o fisioterapeuta ou ortopedista poderão indicar o uso de uma palmilha para usar dentro dos sapatos para corrigir a forma como a pessoa pisa e para ajudar na formação do arco plantar, evitando o pé plano, por exemplo, além de também poder ser indicado o uso de pomada anti-inflamatória contendo diclofenaco para aliviar a dor e o desconforto. Veja mais detalhes do tratamento para entorse no tornozelo.

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Atualizado por Manuel Reis - Enfermeiro, em fevereiro de 2022. Revisão clínica por Marcelle Pinheiro - Fisioterapeuta, em fevereiro de 2022.

Bibliografia

  • SOCIEDADE BRASILEIRA DE ORTOPEDIA E TRAUMATOLOGIA. Entorse de tornozelo. Disponível em: <https://sbot.org.br/entorse-de-tornozelo/>. Acesso em 01 fev 2022
Revisão clínica:
Marcelle Pinheiro
Fisioterapeuta
Formada em Fisioterapia pela UNESA em 2006 com registro profissional no CREFITO- 2 nº. 170751 - F e especialista em dermatofuncional.