Enfisema pulmonar: o que é, sintomas, causas e tratamento

Revisão médica: Dr.ª Clarisse Bezerra
Médica de Saúde Familiar
agosto 2022

O enfisema pulmonar é uma doença respiratória causada pela destruição dos alvéolos pulmonares, que são estruturas responsáveis pelas trocas gasosas, permitindo captar o oxigênio do ambiente e liberar o gás carbônico através da respiração. Esses danos nos alvéolos dificultam o fluxo de ar e a respiração, levando ao surgimento de sintomas, como respiração rápida, tosse ou dificuldade para respirar, por exemplo.

O enfisema pulmonar é considerado um tipo de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), sendo mais comum de acontecer em pessoas que fumaram por vários anos, uma vez que o cigarro promove a destruição dos alvéolos pulmonares. Assim, para evitar a doença é importante evitar fumar ou permanecer em ambientes em que há muita fumaça de cigarro.

O tratamento do enfisema pulmonar é feito pelo pneumologista, que pode indicar o uso de remédios para expandir as vias aéreas, como broncodilatadores e corticóides inalatórios, fisioterapia respiratória, oxigenoterapia, ou nos casos mais graves, cirurgia.

Sintomas de enfisema pulmonar

Os principais sintomas de enfisema pulmonar são:

  • Dificuldade para respirar;
  • Falta de ar crônica;
  • Tosse;
  • Respiração rápida e ofegante;
  • Sensação de ruído ou chiado no peito ao respirar;
  • Falta de ar durante esforços;
  • Produção de muito catarro;
  • Sensação de aperto no peito;
  • Cansaço excessivo;
  • Perda de peso.

Os sintomas do enfisema pulmonar podem se iniciar de forma gradual e piorar à medida que os alvéolos pulmonares são destruídos, principalmente pela fumaça do cigarro, sendo importante parar de fumar e consultar um pneumologista para que seja diagnosticado e iniciado o tratamento mais adequado. Veja outros sintomas que podem indicar enfisema pulmonar.  

Nas fases mais avançadas do enfisema pulmonar, também podem surgir outros sintomas relacionados à baixa quantidade de oxigênio no corpo, como lábios ou unhas azuladas ou arroxeadas, aumento dos batimentos cardíacos ou confusão mental. Nesses casos, deve-se procurar o atendimento médico ou o pronto-socorro o mais rápido possível de forma a evitar complicações, como pneumotórax ou cor pulmonale, por exemplo. 

Como confirmar o diagnóstico

O diagnóstico do enfisema pulmonar é feito pelo clínico geral ou pneumologista através da avaliação dos sintomas, histórico de saúde, hábitos de vida e exame físico ao solicitar a pessoa para inspirar e expirar, enquanto escuta os pulmões com um estetoscópio, para verificar se existem ruídos produzidos durante a respiração. 

O médico deve fazer também um exame de oximetria, colocando um aparelho em um dos dedos da mão para medir a quantidade de oxigênio no sangue. No caso da saturação de oxigênio estar menor do que 92%, o médico pode solicitar uma gasometria arterial. Saiba como é feita a gasometria arterial

Além disso, para confirmar o diagnóstico de enfisema pulmonar, o médico deve solicitar exames como espirometria, que mede o volume de ar inspirado para verificar se são satisfatórios ou não, ou exames de raio X tórax ou tomografia computadorizada. 

No caso de pessoas jovens com sintomas de enfisema pulmonar, o médico pode também solicitar um exame para verificar a deficiência de alfa 1 antitripsina (AATD), que é uma proteína responsável por promover a elasticidade das estruturas pulmonares.

Possíveis causas 

O enfisema pulmonar é causado pela destruição de um grande número de alvéolos, que são pequenas estruturas dentro do pulmão responsáveis pelas trocas gasosas e entrada de oxigênio na corrente sanguínea, além de também haver comprometimento na capacidade do pulmão se expandir.

As principais causas da destruição dos alvéolos e desenvolvimento do enfisema pulmonar são:

  • Hábito de fumar cigarro, charuto, cachimbo ou VAPE, por exemplo;
  • Exposição crônica à poluição ambiental;
  • Exposição à poeiras, gases ou produtos químicos, especialmente devido à profissão, como trabalhar em fábricas ou com transporte de cargas;
  • Exposição frequente à fumaça de forno à lenha ou carvão;
  • Trabalhar em carvoarias;
  • Ter contato frequente com queimadas, como no caso de bombeiros;
  • Deficiência de alfa 1 antitripsina (AATD).

Essas condições podem causar destruição progressiva dos alvéolos pulmonares, fazendo com que o oxigênio não consiga entrar de forma adequada no corpo, levando ao surgimento dos sintomas.

Além disso, o enfisema pulmonar pode acontecer como consequência de doenças respiratórias, como bronquite crônica, asma ou fibrose cística, por exemplo.

Como é feito o tratamento

O tratamento do enfisema pulmonar é feito com orientação do pneumologista, uma vez que é necessário adaptá-lo aos sintomas apresentados e ao grau de desenvolvimento da doença. Em todos os casos, é importante evitar o uso de cigarro e não permanecer em locais com muita poluição ou fumaça.

Além disso, podem ser receitados remédios broncodilatadores ou corticóides na forma de bombinha inalatória, como salbutamol, salmeterol, beclometasona ou budesonida, para dilatar as estruturas do pulmão e ajudar a entrada de ar, ou aliviar a inflamação das vias respiratórias e reduzir a dificuldade para respirar.

O médico pode ainda recomendar sessões de fisioterapia respiratória, que utilizam exercícios que ajudam a expandir o pulmão e aumentam os níveis de oxigênio no organismo. Veja como é feito o tratamento para o enfisema pulmonar

Nos casos mais graves de enfisema pulmonar, também pode ser indicado pelo pneumologista a oxigenoterapia ou até cirurgia para remover as partes danificadas do pulmão ou transplante de pulmão

Enfisema pulmonar vira câncer?

O enfisema pulmonar não é câncer, no entanto, tem como principal causa o tabagismo, que o um fator de risco para o desenvolvimento do câncer de pulmão. Veja outras causas de câncer no pulmão

Como prevenir o enfisema pulmonar

A melhor forma de prevenção do enfisema é não fumar, mas não permanecer em locais onde há fumaça de cigarro também é importante. Outras formas incluem tratar o quanto antes qualquer infecção respiratória, como gripe, resfriado, bronquite e pneumonia. Outras dicas são: 

  • Evitar poluentes do ar, ambientadores dentro de casa, cloro e outros produtos com cheiro forte;
  • Evitar emoções fortes como raiva, agressividade, ansiedade e estresse;
  • Evitar permanecer nos extremos de temperatura, tanto num local muito quente, como nos muito frios;
  • Evitar permanecer próximo a fogueiras ou churrasqueiras por causa da fumaça;
  • Evitar permanecer em locais com nevoeiro, porque a qualidade do ar é inferior;
  • Tomar a vacina da gripe todos os anos.

Além disso deve ter uma alimentação saudável e equilibrada, preferindo legumes, frutas, cereais integrais e hortaliças, diminuindo cada vez mais o consumo de alimentos industrializados, processados e ricos em sal. Tomar o chá de gengibre regularmente é uma boa estratégia de prevenção porque ele é antioxidante e anti-inflamatório, sendo útil para manter as células saudáveis. 

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Atualizado por Equipe Editorial do Tua Saúde, em agosto de 2022. Revisão médica por Dr.ª Clarisse Bezerra - Médica de Saúde Familiar, em maio de 2020.

Bibliografia

  • WIEGMAN, C. H.; et al. Oxidative Stress in Ozone-Induced Chronic Lung Inflammation and Emphysema: A Facet of Chronic Obstructive Pulmonary Disease. Front Immunol. 11. 1957, 2020
  • VIJ, N.; et al. Cigarette smoke-induced autophagy impairment accelerates lung aging, COPD-emphysema exacerbations and pathogenesis. Am J Physiol Cell Physiol. 314. 1; C73-C87, 2018
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  • JANSSEN, R.; et al. Emphysema: looking beyond alpha-1 antitrypsin deficiency. Expert Rev Respir Med. 13. 4; 381-397, 2019
  • BROADDUS, V. Courtney. et al. Murray & Nadel tratado de medicina respiratória. 6.ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017. p. 750-765.
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Revisão médica:
Dr.ª Clarisse Bezerra
Médica de Saúde Familiar
Formada em Medicina pelo Centro Universitário Christus e especialista em Saúde da Família pela Universidade Estácio de Sá. Registro CRM-CE nº 16976.

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