Maconha faz mal? 7 possíveis riscos para a saúde

Revisão médica: Dr. Gonzalo Ramirez
Clínico Geral e Psicólogo

O uso da maconha causa sensação de relaxamento e bem-estar, no entanto, também pode causar efeitos desagradáveis logo após o uso, como coração acelerado, desorientação, enjôo e dificuldade de raciocínio, por exemplo. Além disso, também há riscos relacionados ao uso prolongado como dependência e dificuldade de memória.

Embora alguns medicamentos que contêm tetrahidrocanabinol (THC) e canabidiol (CBD) estejam aprovados por órgãos oficiais, o uso da maconha natural não é aconselhado, já que pode conter impurezas, além de ser difícil de medir a quantidade de THC e CBD na sua composição, o que pode trazer riscos à saúde. Conheça algumas indicações de medicamentos derivados da maconha.

Em caso de suspeita de dependência ou complicações possivelmente relacionadas ao uso da maconha, como esquizofrenia ou doenças do coração, é importante buscar ajuda, preferencialmente de um clínico geral ou psiquiatra.

Efeitos imediatos do uso

Os principais efeitos negativos podem demorar até 30 minutos para ocorrer após o uso da maconha e incluem:

  • Coração acelerado;
  • Arritmias;
  • Tosse;
  • Visão embaçada;
  • Dificuldade de raciocínio;
  • Perda da coordenação;
  • Sonolência;
  • Tonteira;
  • Confusão ou desorientação;
  • Perda de memória;
  • Dificuldade de atenção;
  • Boca seca;
  • Náusea.

Estes efeitos podem ocorrer mesmo que a maconha seja utilizada apenas uma vez e geralmente são passageiros. Outros efeitos colaterais como psicose e paranoia também podem ocorrer, mas geralmente quando a maconha é utilizada em grande quantidade. Entenda melhor o que é psicose e os seus sintomas.

Efeitos do uso prolongado

Quando a maconha é utilizada regularmente por longos períodos podem surgir outros efeitos e riscos à saúde. Estes riscos incluem:

1. Dificuldades de atenção, memória e raciocínio

O uso frequente da maconha e por muito tempo, principalmente quando iniciado antes dos 18 anos, pode afetar o cérebro por tempo prolongado ou mesmo permanentemente, levando a dificuldades de atenção, concentração, memória e raciocínio.

2. Náuseas e vômitos intensos

O uso frequente e prolongado da maconha ou em grande quantidade aumenta o risco de síndrome de hiperêmese, que ocorre devido a ação do tetrahidrocanabinol (THC) no cérebro e no sistema digestório.

Além de causar náuseas e vômitos intensos e frequentes, pode causar dor abdominal e desidratação grave, sendo importante procurar uma emergência assim que possível em caso de suspeita.

3. Esquizofrenia

Quando a maconha é utilizada com frequência e por longos períodos há maior risco de desenvolvimento de esquizofrenia, principalmente em pessoas que iniciaram o uso da maconha na adolescência ou que já tenham uma predisposição para esse distúrbio.

Além disso, em pessoas que já têm o diagnóstico de esquizofrenia, o uso da maconha pode piorar os sintomas e dificultar o tratamento desta doença.

4. Bronquite crônica

A fumaça da maconha contém substâncias irritantes, tóxicas e cancerígenas que, assim como a fumaça do tabaco, podem causar uma intensa inflamação no sistema respiratório, aumentando o risco de bronquite crônica e outros problemas respiratórios como enfisema, infecções pulmonares ou câncer de pulmão.

Sintomas como tosse e aumento da produção de catarro podem ocorrer com o uso frequente ou em grande quantidade e indicar a presença destas complicações, mas tendem a melhorar quando o uso é interrompido.

5. Infertilidade

O uso frequente da maconha ou em grandes quantidades, aumenta o risco de infertilidade, tanto feminina quanto masculina, por alterar os níveis de hormônios sexuais no corpo.

Nos homens, a maconha causa uma redução nos níveis de testosterona, o que diminui a produção de espermatozóides, que também podem sofrer alteração na sua motilidade e capacidade de alcançar o óvulo para que ocorra a fecundação. Além disso, o uso frequente da maconha pode diminuir o desejo sexual e causar impotência.

Já nas mulheres, a maconha pode provocar alterações no ciclo menstrual, interferir na ovulação e diminuir a lubrificação vaginal que é importante para que os espermatozóides alcancem o óvulo, alterando a fertilidade da mulher.

6. Doenças do coração e vasos

O uso frequente ou em grande quantidade de maconha pode provocar aumento dos batimentos cardíacos e da pressão arterial, aumentando o risco de infarto, AVC e arritmias, especialmente em pessoas mais velhas ou que tenham alguma doença do coração como insuficiência cardíaca ou coronariana.

7. Dependência

O uso frequente da maconha e por longos períodos pode gerar dependência e levar a pessoa a consumir cada vez mais maconha para obter os mesmos efeitos de relaxamento e bem-estar.

Sintomas como raiva, ansiedade, inquietação, irritabilidade e dor de cabeça podem ocorrer quando há dependência da maconha e surgir alguns dias após a suspensão do uso. Veja como reconhecer a dependência.

Quando buscar ajuda

É importante buscar ajuda em caso de:

  • Sintomas de abstinência, como ansiedade, irritabilidade e tremores;
  • Tosse, falta de ar ou excesso de catarro;
  • Dor no peito ao realizar esforços;
  • Depressão;
  • Ansiedade;
  • Agressividade;
  • Pensamentos suicidas;
  • Perda da libido;
  • Alucinações visuais ou auditivas;
  • Dificuldade de engravidar;
  • Dificuldade de aprendizado;
  • Suspeita de dependência.

Nestes casos, é importante consultar um médico, preferencialmente um psiquiatra, que é o médico mais indicado para avaliação e orientação de pessoas que usam substâncias como a maconha.

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Atualizado e revisto clinicamente por Dr. Gonzalo Ramirez - Clínico Geral e Psicólogo, em julho de 2022.

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Revisão médica:
Dr. Gonzalo Ramirez
Clínico Geral e Psicólogo
Clínico geral pela UPAEP com cédula profissional nº 12420918 e licenciado em Psicologia Clínica pela UDLAP nº 10101998.