Psicose: o que é, sintomas, causas, fases e tratamentos

A psicose é um conjunto de sintomas caracterizados pela perda de contato com a realidade, causando sintomas como confusão mental, alucinações ou delírios e dificuldade de organizar os pensamentos e falar com clareza, por exemplo.

Esta condição pode estar relacionada com diversos fatores, como histórico familiar de transtornos mentais ou psicóticos, experiências traumáticas ou uso abusivo de substâncias, como álcool, maconha, cocaína e alucinógenos, por exemplo.

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O tratamento da psicose é feito pelo psiquiatra e normalmente envolve a psicoterapia, o uso de remédios, mudanças no estilo de vida e, em alguns casos, pode ser necessária a internação hospitalar.

Imagem ilustrativa número 1

Sintomas de psicose

Os principais sintomas de psicose são:

  • Delírios, como de perseguição, grandeza, de controle, somático e erotomaníaco, por exemplo;
  • Dificuldade de organizar os pensamentos e de falar com clareza;
  • Alucinação, incluindo a olfativas e gustativas, as visuais, as auditivas e as táteis;
  • Falha em realizar atividades do dia a dia, como higiene pessoal e tarefas de trabalho ou estudo;
  • Catatonia, onde a pessoa pode ficar imóvel ou rígida ou apresentar ausência da fala, parecendo estar "congelada";
  • Reações emocionais inadequadas, como sorrir ao receber notícias tristes ou ficar irritada de repente;
  • Embotamento afetivo, que é quando a pessoa tem o rosto sem expressão, tem pouco contato visual e não responde a emoções;
  • Isolamento social, onde a pessoa se afasta de amigos, familiares e de atividades sociais comuns.

Outros sintomas de psicose incluem falta de energia e de motivação para fazer tarefas e perda de prazer em atividades que antes eram prazerosas.

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Diferença entre neurose, psicose e perversão

A neurose é um termo que não se usa mais na psiquiatria e que foi substituído pelo termo "transtornos de ansiedade". A pessoa com neurose apresenta níveis muito altos de preocupação ou ansiedade, mas mantém o contato com a realidade.

Já a psicose é um conjunto de sintomas que incluem a perda de contato com a realidade ou desconexão, por meio de alucinações e delírios.

A perversão é uma condição que inclui o desvio sexual e também uma forma de laço social focado no poder, na dominação e na manipulação do parceiro. Nesta condição, inclui-se o fetiche, a renegação, a humilhação, o domínio ou o prejuízo, para obter prazer por meio da dor e da submissão do outro, por exemplo.

Fases da psicose

As fases da psicose, que acontecem geralmente de maneira progressiva, incluem:

1. Fase prodrômica

A fase prodrômica é aquela que pode surgir dias, semanas ou meses antes do início dos sintomas graves.

Nesta fase, a pessoa apresenta mudanças sutis no comportamento, pensamento e afeto. Por isso, esta fase é muitas vezes confundida com problemas comuns da adolescência ou com outras condições, como depressão, ansiedade ou uso de substâncias.

Na fase prodrômica, a pessoa pode apresentar apatia, pensamento confuso, dificuldades de concentração, desconfiança ou paranoia leve, baixa súbita no rendimento escolar ou do do trabalho, negligência com a higiene pessoal, problemas no sono, alterações de humor inexplicáveis e afastamento de amigos, familiares e atividades sociais habituais, por exemplo.

2. Psicose aguda

Na psicose aguda, a pessoa apresenta mudanças graves no estado mental, apresentando os sintomas psicóticos ativos de forma intensa, como delírios, alucinações e catatonia, por exemplo.

3. Fase Residual

A fase residual, ou de recuperação, da psicose acontece após o controle dos sintomas mais graves por meio de tratamentos médicos.

Nesta fase, a pessoa pode apresentar sintomas negativos, como dificuldade em expressar emoções, apatia severa, isolamento social contínuo, e estados de disforia.

Algumas pessoas conseguem recuperar completamente do episódio agudo da psicose. Já outras mantêm a condição crônica e precisam de tratamento  e suporte psicossocial contínuo para evitar recaídas e novas crises.

Como confirmar o diagnóstico

O diagnóstico da psicose é feito pelo psiquiatra, através da avaliação do tipo, início, duração e gravidade dos sintomas, além do histórico médico geral, psiquiátrico e de traumas da pessoa, e histórico familiar de transtornos mentais.

O médico também deve fazer o exame do estado mental, avaliando o comportamento, a aparência, a fala, o humor e o processamento do pensamento da pessoa.

Para confirmar o diagnóstico e descartar condições que têm sintomas semelhantes, o médico pode solicitar exames como hemograma completo, níveis de vitaminas, painel metabólico, provas de função hepática, dosagem de hormônios da tireoide, exame toxicológico de urina e exames de imagem, por exemplo.

Possíveis causas

As causas da psicose são complexas e incluem fatores genéticos, biológicos, ambientais e médicos gerais.

Assim, as possíveis causas da psicose são:

  • Genéticas, como histórico familiar de transtornos mentais ou psicóticos;
  • Biológicas, como redução de massa cinzenta nas regiões pré-frontal, temporal média e superior, desequilíbrio de neurotransmissores no cérebro;
  • Ambientais, como estresse psicossocial, ansiedade e experiências traumáticas;
  • Físicos, como falta de sono severa e prolongada;
  • Sociais, como imigração e desvantagens socioeconômicas;
  • Uso abusivo de substâncias, como álcool, maconha, anfetaminas, cocaína e alucinógenos;
  • Uso de medicamentos, como esteroides, estimulantes, antiepiléticos, alguns antibióticos e dextrometorfano;
  • Doenças autoimunes, como lúpus eritematoso sistêmico, esclerose múltipla e encefalite autoimune;
  • Lesões ou doenças no cérebro, como tumor cerebral, cistos, traumatismo craniano grave, derrame e epilepsia;
  • Problemas endócrinos, hormonais e metabólicos, como tireoidite pós-parto, hipotireoidismo ou hipertireoidismo, doença de Addison, doença de Cushing e delírio metabólico geral.

Condições como pós-parto encefalite, esquizofrenia, transtorno bipolar, depressão maior grave ou transtornos psicóticos, demência, Alzheimer e Parkinson, também podem estar relacionadas com a psicose.

Psicose puerperal

A psicose puerperal, ou psicose pós-parto, é uma emergência psiquiátrica grave e rara, e que é caracterizada pelo surgimento muito rápido de sintomas iniciais como insônia grave, ansiedade, irritabilidade ou alterações rápidas de humor.

Em seguida, a mulher apresenta confusão mental, perplexidade, catatonia, desorientação, comportamento desorganizado, episódios de humor muito elevado ou gravemente deprimido, delírios e alucinações visuais que geralmente envolvem o bebê.

Quando não é tratada, a psicose puerperal pode muito o vínculo afetivo entre a mãe e o recém-nascido e causar riscos graves como abuso, negligência, suicídio ou infanticídio.

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Psicose infantil

A psicose infantil é uma condição muito rara e incomum, e que pode surgir antes dos 13 anos ou dos 18 anos.

A psicose na infância evolui de forma gradual e inclui duas fases. Na fase prodrômica, a criança geralmente apresenta mudanças no comportamento e no pensamento, como crenças específicas ou estranhas e mudanças claras no funcionamento social, escolar e autocuidado.

Já na fase aguda, a criança apresenta alterações no estado mental, como alucinações e delírios, comportamentos bizarros e grave declínio ou prejuízo nas funções cotidianas.

Tratamentos para psicose

Conforme a causa e a gravidade dos sintomas, os tratamentos da psicose são:

1. Remédio para psicose

Os principais remédios que podem ser indicados pelo médico são:

  • Antipsicóticos, como clorpromazina, tioridazina, olanzapina e clozapina;
  • Estabilizadores do humor, como lítio, carbamazepina ou ácido valproico;
  • Benzodiazepínicos, como lorazepam, para os sintomas de catatonia.

Os remédios para psicose podem ser indicados pelo psiquiatra para ajudar a controlar as crises de surto psicótico e os sintomas.

2. Neuromodulação 

A neuromodulação, por meio da eletroconvulsoterapia, é segura, podendo ser indicada pelo médico quando o tratamento com remédios não promove os benefícios esperados.

A eletroconvulsoterapia pode ser indicada em casos graves de emergência psiquiátrica, como agitação psicomotora extrema, catatonia ou risco iminente de suicídio e infanticídio, por exemplo.

Além disso, a neuromodulação, por estimulação magnética transcraniana, também pode ser indicada para tratar alucinações verbais auditivas que não respondem ao uso de antipsicóticos.

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3. Psicoterapia

Sessões de psicoterapia, incluindo a terapia cognitivo-comportamental para psicose e a psicoterapia de apoio e aconselhamento, são recomendadas.

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Essas terapias ajudam a criar estratégias para aliviar o sofrimento emocional, ajudar a pessoa a normalizar a entender as experiências psicóticas, reformular crenças disfuncionais e desenvolver resiliência e habilidades para gerenciar o estresse.

Além disso, a psicoeducação e a terapia familiar também são importantes, pois ensinam a família e aos cuidadores técnicas para resolver conflitos, habilidades de comunicação e estratégias para manter o ambiente calmo, empático e seguro. Isso porque a participação de familiares diminui bastante as chances de recaída e reospitalizações da pessoa com psicose.

4. Mudanças no estilo de vida

Mudanças no estilo de vida e autocuidado também são fundamentais para proteger o cérebro, facilitar a recuperação e prevenir as recaídas e novos sintomas agudos de psicose.

Assim, algumas recomendações incluem manter uma rotina diária de atividades prazerosas, técnicas de relaxamento, alimentação saudável, exercícios físicos regulares, repouso e sono adequado.

Também é fundamental não consumir bebidas alcoólicas e drogas de abuso, como maconha, anfetaminas, cocaína e alucinógenos.

5. Internação hospitalar

A internação hospitalar pode ser indicada pelo médico quando os episódios agudos de psicose podem colocar a própria vida ou de outras pessoas em perigo.

A internação também é indicada em casos de psicose puerperal, para evitar a interrupção do vínculo afetivo e garantir que a mãe e o bebê fiquem em segurança.

Quando a perda de contato com a realidade impede a pessoa de se alimentar, cuidar de sua higiene pessoal ou gerenciar sua vida diária, a internação hospitalar temporária também é recomendada.

Perguntas frequentes

  • A psicose pode ter cura quando é causada por uma condição que pode ser tratada, como  infecção cerebral, disfunções hormonais ou o uso e abstinência de substâncias, por exemplo.

    Já quando a psicose estiver associada a condições psiquiátricas crônicas de longo prazo, pode não haver uma cura definitiva. Nesses casos, a pessoa precisa de tratamento com medicamentos ao longo da vida para manter os sintomas sob controle e evitar recaídas.

  • A psicose religiosa não é uma categoria ou um transtorno isolado dentro da medicina.

    Entretanto, os sintomas da psicose associados à religião podem acontecer por meio de delírios de grandeza, onde a pessoa acredita ter poderes especiais ou que é uma figura religiosa importante, por exemplo.