Maconha: benefícios e efeitos da planta medicinal

A maconha, também conhecida por marijuana, é obtida de uma planta com o nome científico Cannabis sativa, que tem na sua composição diversas substâncias, entre elas o tetrahidrocanabinol (THC) e o canabidiol (CBD), com efeitos como sensação de euforia, relaxamento e sensação de bem-estar.

Alguns estudos [1] [2] [3] mostram que o uso da maconha promove diversos benefícios terapêuticos e, por isso, suas substâncias ativas, principalmente o CBD, são utilizados na medicina para o tratamento de situações como esclerose múltipla, epilepsia e dor crônica causada pela artrite ou fibromialgia, por exemplo. Conheça todas as indicações do CBD.

O consumo de maconha natural é proibido no Brasil, porém os compostos isolados da planta, como o THC e/ou o CBD, podem ser usados para fins terapêuticos, mediante recomendação médica. Veja um dos tipos de CBD com fins terapêuticos.

Benefícios da maconha

As substâncias presentes na maconha, principalmente o CBD, que apesar de ter estrutura semelhante ao THC, não provoca efeitos psicoativos e tem menos efeitos colaterais, promovem alguns benefícios para a saúde.

Por isso, os componentes da maconha têm sido utilizados na medicina para ajudar no tratamento de diversos problemas de saúde, como:

  • Aliviar dores crônicas, causadas pela artrite, fibromialgia ou enxaqueca;
  • Diminuir a inflamação em doenças como síndrome do intestino irritável, psoríase, doença de Crohn e artrite reumatoide;
  • Aliviar náuseas e vômitos causados por quimioterapia;
  • Estimular o apetite em pacientes com AIDS ou câncer;
  • Tratar convulsões em pessoas com epilepsia;
  • Diminuir a rigidez muscular e a dor neuropática em pessoas com esclerose múltipla;
  • Aliviar a dor em doentes terminais com câncer;
  • Melhorar a qualidade do sono em casos de insônia;
  • Ajudar no tratamento da ansiedade e depressão;
  • Diminuir a pressão intraocular, nos casos de glaucoma.

No Brasil já existem 18 medicamentos com CBD e/ou THC que são autorizados para uso sob receita médica e que contêm até 0,2% de THC. No entanto, alguns medicamentos podem ter mais de 0,2% de THC, sendo autorizados somente para cuidados de pessoas sem opções de tratamento ou para doenças terminais.

Assista o vídeo a seguir e confira os benefícios e efeitos colaterais do canabidiol:

Efeitos da maconha

As substâncias da maconha se ligam às estruturas das células do sistema nervoso, chamadas receptores canabinóides, provocando efeitos analgésicos, anti-inflamatórios, neuroprotetores e psicotrópicos.

Esses efeitos podem variar de pessoa para pessoa, e dependem da quantidade usada, da pureza e da potência das substâncias ativas da maconha. Quando consumida através do fumo, a maconha pode provocar efeitos como euforia, distorções do tempo e do espaço, distúrbios de memória, falta de atenção e, em alguns casos, a pessoa pode sentir-se mais valorizada e com maior capacidade para socializar.

Além disso, a maconha também pode causar tontura, distúrbios de coordenação e de movimento, sensação de peso nos braços e pernas, secura na boca e na garganta, vermelhidão e irritação nos olhos, aumento da frequência cardíaca e aumento do apetite.

Possíveis efeitos colaterais

Alguns efeitos colaterais associados ao consumo da maconha são aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial, tosse, sono, enjoo e dificuldades de raciocínio.

Além disso, pessoas que usam maconha regularmente e por longo período também podem apresentar distúrbios de memória, esquizofrenia, dependência, bronquite, pela constante presença da fumaça nos pulmões, e aumento do risco de desenvolver câncer de pulmão.  Veja todos os efeitos colaterais da maconha.

É importante lembrar que a maconha, quando usada com frequência, pode aumentar o risco do desenvolvimento de depressão grave, transtornos psicóticos e deficiências cognitivas irreversíveis, além de causar tolerância e dependência psíquica.

Contraindicações

A maconha não deve ser consumida junto com álcool ou outras drogas. Assim como é contraindicada durante a condução de veículos.

A maconha e o CBD são contraindicados para crianças, mulheres que estejam tentando engravidar, grávidas ou que estejam amamentando, porque o CBD pode passar para o leite materno, além de poder ser transmitido para o feto durante a gestação.

Além disso, a maconha e o CBD também são contraindicados para pessoas com psicose e outras condições psiquiátricas não controladas, doenças respiratórias e doenças cardiovasculares, como arritmia, taquicardia, pressão alta e hipotensão postural, uma situação caracterizada pela rápida diminuição da pressão arterial, causando sensação de tontura, desmaio e fraqueza.

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Atualizado por Marcela Lemos - Biomédica, em agosto de 2022.

Bibliografia

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  • MACCALLUM, A, Caroline; LO, A, Lindsay; BOIVIN, Michael. “Is medical cannabis safe for my patients?” A practical review of cannabis safety considerations. European Journal of Internal Medicine. Vol.89. 10-18, 2021
  • TREASURE ISLAND (FL): STATPEARLS PUBLISHING. Marijuana. 2022. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK430801/>. Acesso em 17 ago 2022
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  • National Academies of Sciences, Engineering, and Medicine; Health and Medicine Division; Board on Population Health and Public Health Practice; Committee on the Health Effects of Marijuana: An Evidence Review and Research Agenda. Chapter 2: Cannabis. In: The Health Effects of Cannabis and Cannabinoids: The Current State of Evidence and Recommendations for Research. Washington (DC): National Academies Press (US), 2017.
  • SANTOS, Arnóbio Barros. Eficácia do canabidiol no tratamento de convulsões e doenças do sistema nervoso central: revisão sistemática. Acta Brasiliensis. 3. 1; 30-34, 2019
Equipe editorial constituída por médicos e profissionais de saúde de diversas áreas como enfermagem, nutrição, fisioterapia, análises clínicas e farmácia.

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