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O que é doença do sono, principais sintomas e tratamento

Dezembro 2019

A doença do sono, conhecida cientificamente como tripanossomíase africana humana, é uma doença causada pelo protozoário Trypanosoma brucei gambiense e rhodesiense, sendo transmitida pela picada da mosca de tsé-tsé, que é mais frequentemente encontrada em países africanos. 

Os sintomas desta doença geralmente aparecem após algumas semanas após a picada, no entanto, podem demorar vários meses para surgir e isto depende da espécie da mosca e da resposta do corpo da pessoa ao microrganismo, por exemplo.

Assim que os sintomas surgirem é importante consultar um clínico geral, pois depois de diagnosticar a doença do sono é necessário iniciar o tratamento o quanto antes, pois se evoluir muito pode colocar em risco a vida da pessoa, devido às lesões causadas pelo parasita no sistema nervoso e várias partes do cérebro.

O que é doença do sono, principais sintomas e tratamento

Principais sintomas

Os sintomas da doença do sono variam de uma pessoa para outra e dependem da fase em que a doença se encontra, como por exemplo:

  • Estágio cutâneo: nesta fase é possível observar pápulas vermelhas na pele que depois piora e se torna uma úlcera dolorida, de cor mais escura, inchada, chamada de cancro. Este sintoma surge aproximadamente após 2 semanas da picada da mosca tsé tsé, é mais comum que aconteça em pessoas brancas e raramente é vista em pessoas da cor negra;
  • Estágio hemolinfática: após um mês da picada do inseto, o microrganismo atinge o sistema linfático e o sangue, levando ao surgimento de ínguas no pescoço, dor de cabeça, febre e manchas vermelhas espalhadas por todo o corpo; 
  • Estágio meningo-encefalítico: é a fase mais avançada da doença do sono e sonolência, na qual o protozoário atinge o sistema nervoso central, provocando danos cerebrais que são observados pelo aparecimento da confusão mental, sono excessivo, alterações de comportamento e problemas de equilíbrio do corpo.

Além disso, a doença do sono pode provocar outras alterações no corpo, como distúrbios no coração, nos ossos e fígado, e também pode causar outros tipos de doenças como a pneumonia, malária. Confira mais sobre os principais sintomas da malária.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico da doença do sono é feito através da realização de exames de sangue para verificar a presença de proteínas específicas, chamadas imunoglobulinas IgM, e para identificar se existem anticorpos circulando na corrente sanguínea. Se a pessoa tem a doença do sono, o exame de sangue também pode ter outras alterações como anemia e monocitose. Veja mais sobre o que é monocitose.

As pessoas com suspeita de doença do sono devem fazer coleta de medula óssea e punção lombar para analisar, em laboratório, até que ponto os protozoários atingiram a corrente sanguíneo e o cérebro e também serve para fazer a contagem das células de defesa no líquor, que é o líquido que circula no sistema nervoso.

Como se transmite

A forma de transmissão mais comum da doença do sono é através da picada da mosca de tsé-tsé, da família Glossinidae. Em casos mais raros, a infecção também pode surgir devido à picada de outro tipo de moscas ou mosquitos, que tenham picado anteriormente uma pessoa contaminada com o protozoária, por exemplo.

A mosca tsé tsé é encontrada mais frequentemente em áreas rurais da África, em lugares onde se encontra vegetação abundante, calor e alta umidade. Depois de infectada esta mosca carrega o parasita para o resto da vida, podendo contaminar várias pessoas.

Por isso, é importante tomar algumas medidas para prevenir a picada da mosca tsé tsé, como:

  • Utilizar roupa de manga comprida, preferencialmente de cor neutra, uma vez que a mosca é atraída por cores brilhantes;
  • Evitar estar perto de mato, pois a mosca pode habitar em pequenos arbustos;
  • Utilizar repelente de insetos, especialmente para afastar outros tipos de moscas e mosquitos que podem transmitir a doença.

Além disso, a infecção do parasita também pode passar de mães para filhos, surgir de picadas acidentais com agulhas contaminadas ou acontecer após relações íntimas sem camisinha.

Opções de tratamento

O tratamento varia de acordo com a idade da pessoa e depende do grau de evolução da doença, sendo que se tratada antes de afetar o sistema nervoso central os medicamentos utilizados são menos agressivos, como pentamidina ou suramina. Entretanto, se a doença está mais avançada, é necessário usar medicamentos mais fortes e com mais efeitos colaterais, como melarsoprol, eflornitina ou nifurtimox, que devem ser administrados no hospital.

Este tratamento deve ser mantido até que o parasita seja completamente eliminado do organismo e, por isso, deve-se repetir os exames de sangue e outros fluídos corporais para garantir que o parasita foi completamente eliminado. Depois disso, é necessário manter uma vigilância de 24 meses, observando os sintomas e fazendo exames regulares, para garantir que a doença não volte a surgir.

Bibliografia >

  • BEST PRACTICE. Tripanossomíase africana. 2018. Disponível em: <https://bestpractice.bmj.com/topics/pt-br/9999>. Acesso em 18 Dez 2019
  • STICH, August; ABEL, Paulo M.; KRISHNA, Sanjeev. Human African trypanosomiasis. BMJ. Vol.325, n.27. 203-206, 2002
  • WORLD HEALTH ORGANIZATION. Control and surveillance of human African trypanosomiasis. 2013. Disponível em: <https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/95732/9789241209847_eng.pdf?sequence=1>. Acesso em 18 Dez 2019
  • ZEIBIG, Elizabeth A. Clinical Parasitology. 2.ed. United States of America: Elsevier, 2013. 120-122.
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