Doença do sono (tripanossomíase): o que é, sintomas e tratamento

Revisão clínica: Marcela Lemos
Biomédica
setembro 2021

A doença do sono, conhecida cientificamente como tripanossomíase africana humana, é uma doença causada pelo protozoário Trypanosoma brucei gambiense e Trypanosoma brucei rhodesiense, sendo transmitida pela picada da mosca de tsé-tsé, que é mais frequentemente encontrada em países africanos. 

Os sintomas desta doença geralmente aparecem após algumas semanas após a picada, no entanto, podem demorar vários meses para surgir e isto depende da espécie da mosca e da resposta do corpo da pessoa ao microrganismo, por exemplo.

Assim que os sintomas surgirem é importante consultar um clínico geral para que sejam feitos exames que ajudem a confirmar a infecção e, assim, ser possível iniciar o tratamento adequado. É importante que o tratamento seja iniciado logo que surgirem os primeiros sintomas, pois caso a doença evolua, pode colocar em risco a vida da pessoa, devido às lesões causadas pelo parasita no sistema nervoso e várias partes do cérebro.

Sintomas da doença do sono

Os sintomas da doença do sono variam de uma pessoa para outra e dependem da fase em que a doença se encontra, como por exemplo:

  • Estágio cutâneo: nesta fase é possível observar pápulas vermelhas na pele que depois piora e se torna uma úlcera dolorida, de cor mais escura, inchada, chamada de cancro. Este sintoma surge aproximadamente após 2 semanas da picada da mosca tsé tsé, é mais comum que aconteça em pessoas brancas e raramente é vista em pessoas da cor negra;
  • Estágio hemolinfática: após um mês da picada do inseto, o microrganismo atinge o sistema linfático e o sangue, levando ao surgimento de ínguas no pescoço, dor de cabeça, febre e manchas vermelhas espalhadas por todo o corpo; 
  • Estágio meningo-encefalítico: é a fase mais avançada da doença do sono e sonolência, na qual o protozoário atinge o sistema nervoso central, provocando danos cerebrais que são observados pelo aparecimento da confusão mental, sono excessivo, alterações de comportamento e problemas de equilíbrio do corpo.

Além disso, a doença do sono pode provocar outras alterações no corpo, como distúrbios no coração, nos ossos e fígado, e também aumentar o risco da pessoa desenvolver outros tipos de infecção como pneumonia e malária, por exemplo.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico da doença do sono é feito através da realização de exames de sangue para verificar a presença de anticorpos na corrente sanguínea produzidos contra o parasita responsável pela doença. Além disso, pode ser indicada a realização de hemograma para verificar se existem alterações indicativas de infecção, sendo verificado nesse caso a presença de alterações indicativas de anemia e monocitose.

Em alguns casos, principalmente nos casos em que a pessoa já apresenta sintomas do estágio meningo-encefalítico, o médico pode recomendar a coleta de medula óssea por meio da punção lombar para que seja verificado se há sinais do parasita no local, assim como para fazer a contagem das células de defesa no líquor, que é o líquido que circula no sistema nervoso.

Transmissão da doença do sono

A forma de transmissão mais comum da doença do sono é através da picada da mosca de tsé-tsé, da família Glossinidae. Em casos mais raros, a infecção também pode surgir devido à picada de outro tipo de moscas ou mosquitos, que tenham picado anteriormente uma pessoa contaminada com o protozoária, por exemplo.

A mosca tsé tsé é encontrada mais frequentemente em áreas rurais da África, em lugares onde se encontra vegetação abundante, calor e alta umidade. Depois de infectada esta mosca carrega o parasita para o resto da vida, podendo contaminar várias pessoas.

Como evitar

Por isso, é importante tomar algumas medidas para prevenir a picada da mosca tsé tsé, como utilizar roupa de manga comprida, preferencialmente de cor neutra, uma vez que a mosca é atraída por cores brilhantes, evitar estar perto de mato, pois a mosca pode habitar em pequenos arbustos e utilizar repelente de insetos, especialmente para afastar outros tipos de moscas e mosquitos que podem transmitir a doença.

Como é feito o tratamento

O tratamento varia de acordo com a idade da pessoa e depende do grau de evolução da doença, sendo que se tratada antes de afetar o sistema nervoso central os medicamentos utilizados são menos agressivos, como pentamidina ou suramina. Entretanto, se a doença está mais avançada, é necessário usar medicamentos mais fortes e com mais efeitos colaterais, como melarsoprol, eflornitina ou nifurtimox, que devem ser administrados no hospital.

Este tratamento deve ser mantido até que o parasita seja completamente eliminado do organismo e, por isso, deve-se repetir os exames de sangue e outros fluídos corporais para garantir que o parasita foi completamente eliminado. Depois disso, é necessário manter uma vigilância de 24 meses, observando os sintomas e fazendo exames regulares, para garantir que a doença não volte a surgir.

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Atualizado e revisto clinicamente por Marcela Lemos - Biomédica, em setembro de 2021.

Bibliografia

  • ZEIBIG, Elizabeth A. Clinical Parasitology. 2.ed. United States of America: Elsevier, 2013. 120-122.
  • BEST PRACTICE. Tripanossomíase africana. 2018. Disponível em: <https://bestpractice.bmj.com/topics/pt-br/9999>. Acesso em 18 dez 2019
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  • STICH, August; ABEL, Paulo M.; KRISHNA, Sanjeev. Human African trypanosomiasis. BMJ. Vol.325, n.27. 203-206, 2002
  • WORLD HEALTH ORGANIZATION. Control and surveillance of human African trypanosomiasis. 2013. Disponível em: <https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/95732/9789241209847_eng.pdf?sequence=1>. Acesso em 18 dez 2019
Revisão clínica:
Marcela Lemos
Biomédica
Mestre em Microbiologia Aplicada, com habilitação em Análises Clínicas e formada pela UFPE em 2017 com registro profissional no CRBM/ PE 08598.