Paracoccidioidomicose: o que é, sintomas, transmissão e tratamento

Revisão clínica: Marcela Lemos
Biomédica
fevereiro 2022
  1. Sintomas
  2. Diagnóstico
  3. Transmissão
  4. Tratamento

A paracoccidioidomicose, também conhecida como blastomicose sul americana, é uma infecção provocada pelo fungo Paracoccidioides brasiliensis, que pode ser encontrado no solo e em vegetais, e pode afetar diversos locais do corpo, como pulmões, boca, garganta, pele ou gânglios linfáticos, sendo mais comum de acontecer em pessoas que possuem o sistema imunológico mais comprometido ou que estão em contato direto e frequente com o solo.

Essa infecção é adquirida por meio da inalação de esporos que podem ficar dispersas no ambiente, podendo causar alguns sintomas como falta de apetite, emagrecimento, tosse, febre, coceira, úlceras na boca e surgimento de ínguas. Na presença desses sintomas, é importante que o clínico geral seja consultado, pois assim é possível que sejam realizados exames para confirmar o diagnóstico e iniciar o tratamento mais adequado, que costuma ser com o uso de antifúngicos.

Principais sintomas

A paracoccidioidomicose por apresentar diversas formas de sinais e sintomas, o que variam de acordo com características pessoais como idade, estado de saúde, reação imune e fatores genéticos. Assim, de acordo com esses fatores, a paracoccidioidomicose pode ser classificada em duas formas:

  • Forma juvenil: mais frequente em crianças e jovens dos 10 aos 20 anos, que costuma surgir de uma forma mais aguda, após algumas semanas do contágio;
  • Forma do adulto: costuma afetar pessoas entre os 30 e 50 anos de idade, sobretudo pessoas trabalhadoras de áreas rurais, como lavradores, e pessoas que fumam, ingerem bebidas alcoólicas ou que estão desnutridas, sendo uma forma mais crônica, evoluindo ao longo de meses a anos após o contágio.

Os principais sinais e sintomas de infecção pelo Paracoccidioides brasiliensis são:

  • Perda de apetite e fraqueza;
  • Palidez;
  • Emagrecimento;
  • Febre;
  • Falta de ar e tosse, que pode ser com ou sem presença de sangue;
  • Lesões na pele ou mucosas, principalmente na face, boca, lábios, gengivas, provocando dificuldades na mastigação e deglutição;
  • Surgimento de ínguas pelo aumento dos gânglios linfáticos, o que também é chamado de linfonodomegalia;
  • Aumento do fígado de baço.

Nos casos mais graves, a doença também pode atingir órgãos como cérebro, intestinos, ossos ou rins, por exemplo.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico da paracoccidioidomicose é feito pelo clínico geral ou infectologista a partir da avaliação dos sinais e sintomas apresentados pela pessoa e do histórico de saúde. Além disso, é também recomendada a realização de alguns exames como radiografia de tórax, hemograma, medidores de inflamação e avaliação das funções dos rins e fígado, por exemplo.

A confirmação da infecção é feita a partir da identificação do fungo em uma biópsia de alguma lesão, no entanto, outros exames úteis incluem a coleta de escarro, aspirado pulmonar, raspagem de lesões ou cultura do fungo. Além disso, também existem exames de sangue capazes de identificar anticorpos contra o fungo, que podem ajudar no diagnóstico e no acompanhamento do tratamento da doença.

Como acontece a transmissão

A paracoccidioidomicose acontece a partir da inalação de esporos do fungo Paracoccidioides brasiliensis. Este fungo vive no solo das plantações, por isso é comum afetar moradores de áreas rurais, agricultores e lavradores, por exemplo, pois a pessoa pode inalar o fungo junto com a poeira da terra.

Após instalados nos pulmões, o fungo da paracoccidioidomicose pode causar doença por 2 caminhos diferentes:

  1. Se espalha pela corrente sanguínea e linfática para outros órgãos do corpo, como pele, gânglios linfáticos, fígado, baço, pele e cérebro;
  2. Permanece silencioso, de forma latente, dentro de lesões provocadas nos pulmões durante muitos anos, até que a doença se desenvolva, principalmente durante situações de enfraquecimento da imunidade, como desnutrição, alcoolismo, uso de remédios imunossupressores ou infecção pelo HIV, por exemplo.

O segundo caminho é o mais frequente pois, em geral, é mais comum se contaminar com o fungo ainda quando criança ou adolescente, no entanto, geralmente os sintomas surgem na idade adulta. É importante lembrar que a paracoccidioidomicose não é transmissível de uma pessoa para a outra, nem pelo contato direto e nem pelo compartilhamento de objetos pessoais.

Assim, para prevenir a infecção, é recomendado que as pessoas que trabalham em áreas rurais tenham atenção à higiene pessoal, lavando sempre as mãos e banhando-se ao fim do dia, além de usar sempre equipamentos de proteção individual adequados, com vestuário apropriado, luvas, máscara e botas.

Como é o tratamento

O tratamento da paracoccidioidomicose deve ser orientado pelo clínico geral ou infectologista, sendo normalmente recomendado o uso de medicamentos antifúngicos como Itraconazol, Fluconazol, Cetoconazol ou Voriconazol, por exemplo. O tratamento pode ser feito em casa, com o uso dos comprimidos e pode durar meses a anos.

Nos casos mais graves, em que há intensa fraqueza ou comprometimento grave do pulmões e outros órgãos, pode ser necessária a internação no hospital e a utilização de medicamentos mais potentes, que são administrados diretamente na veia, como Anfotericina e Rifampicina.

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Atualizado e revisto clinicamente por Marcela Lemos - Biomédica, em fevereiro de 2022.

Bibliografia

  • WANKE, Bodo; AIDÊ, Abidon. Paracoccidioidomycosis. J Bras Pneumol. Vol 35. 12 ed; 1245-1249, 2009
  • SHIKANAI-YASUDA, Maria Aparecida et al. Brazilian guidelines for the clinical management of paracoccidioidomycosis. Epidemiol. Serv. Saude. 2018
Revisão clínica:
Marcela Lemos
Biomédica
Mestre em Microbiologia Aplicada, com habilitação em Análises Clínicas e formada pela UFPE em 2017 com registro profissional no CRBM/ PE 08598.