Demência frontotemporal: o que é, sintomas e tratamento

A demência frontotemporal, ou DFT, antigamente conhecida como doença de Pick, é um conjunto de distúrbios que atingem partes específicas do cérebro, chamados de lobos frontais. Esses distúrbios cerebrais provocam alterações de personalidade, de comportamento e levam à dificuldade de compreender e de produzir a fala.

Este tipo de demência é um dos principais tipos de doenças neurodegenerativas, o que significa que vai piorando com o tempo, e acontece principalmente entre os 45 e 65 anos, sendo que o seu surgimento está relacionado a modificações genéticas transmitidas de pais para filho. 

O tratamento da demência frontotemporal é baseado no uso de medicamentos que reduzem os sintomas e melhoram a qualidade de vida da pessoa, pois este tipo de doença não tem cura e tende a evoluir com o passar do tempo.

Principais sinais e sintomas

Os sinais e sintomas da demência frontotemporal normalmente são notados pela família ou pessoas próximas, pois a pessoa é incapaz de reconhecer as alterações de personalidade e comportamento. Estes sintomas podem variar de acordo com o tipo de demência, mas geralmente incluem:

  • Comportamentais: podem acontecer mudanças de personalidade, impulsividade, perda de inibição, atitudes agressivas, compulsões, irritabilidade, falta de interesse nas outras pessoas, preferência por alimentos doces ou gordurosos e realização de movimentos repetitivos, como bater palmas ou os dentes constantemente;
  • Linguagem: a pessoa pode apresentar dificuldade para falar ou escrever, problemas para compreender o que lhe falam, esquecimento do significado das palavras, dificuldade para reconhecer rostos e, nos casos mais graves, perda total da capacidade de articular as palavras; 
  • Motoras: podem surgir tremores, rigidez e espasmos musculares, dificuldade para engolir ou para andar, perda de movimentos dos braços ou pernas e, muitas vezes, dificuldade em controlar a vontade de urinar ou defecar.

Estes sintomas podem aparecer juntos ou a pessoa pode ter apenas algum deles e, geralmente, surgem de forma leve e tendem a piorar com o tempo. Por isso, caso ocorram algumas destas alterações é importante procurar atendimento de um médico neurologista o quanto antes, para que sejam realizados exames específicos e seja indicado o tratamento mais adequado.

Possíveis causas

As causas da demência frontotemporal não estão bem definidas, mas alguns estudos apontam que podem estar relacionada a mutações em genes específicos, ligados à proteína Tau e à proteína TDP43. Essas proteínas são encontradas no corpo e ajudam as células a funcionar corretamente, entretanto, por razões ainda não conhecidas estas proteínas parecem se acumular em diferentes regiões do cérebro, alterando as funções motoras, de linguagem e comportamento.

As mutações nas proteínas podem ser desencadeadas por fatores genéticos, ou seja, pessoas que têm história deste tipo de demência na família são mais propensas a sofrerem dos mesmos distúrbios cerebrais. Além disso, pessoas que sofreram traumatismo cranioencefálico podem ter alterações cerebrais e desenvolverem demência frontotemporal. Saiba mais o que é traumatismo craniano e quais são os sintomas.

Como é feito o diagnóstico

Ao surgirem os sintomas é necessário consultar um neurologista que vai fazer uma avaliação clínica, ou seja, fará uma análise dos sintomas relatados e, em seguida, poderá indicar a realização de exames para investigar se a pessoa tem demência frontotemporal. Na maioria das vezes, o médico recomenda a realização dos seguintes exames:

  • Exames de imagem: como ressonância magnética ou tomografia computadorizada para verificar a parte do cérebro que está sendo afetada;
  • Testes neuropsicológicos: serve para determinar a capacidade de memória e identificar problemas de fala ou comportamento;
  • Testes genéticos: consiste na realização de exames de sangue para analisar qual tipo de proteína e qual gene está prejudicado;
  • Coleta de liquor: indicado para identificar quais células do sistema nervoso estão sendo atingidas;
  • Hemograma completo: é realizado para excluir outras doenças que têm os sintomas parecidos aos da demência frontotemporal.

Quando o neurologista suspeita de outras doenças como tumor ou coágulos cerebrais, pode ainda pedir outros exames como pet scan, biópsia cerebral ou cintilografia cerebral. Veja mais o que é cintilografia cerebral e como é feita.

Como é feito o tratamento

O tratamento para demência frontotemporal é feito para reduzir os efeitos negativos dos sintomas, melhorar a qualidade de vida e aumentar a expectativa de vida de uma pessoa, pois ainda não existem medicamentos ou cirurgia para curar este tipo de distúrbio. Porém, alguns medicamentos podem ser usados para estabilizar os sintomas como os anticonvulsivantes, antidepressivos e antiepiléticos.

É também importante incluir o cuidador e a família no processo de tratamento. Algumas das recomendações são reduzir o ruído ambiental a que a pessoa com demência está exposta, optar por atividades que não gerem estresse, conviver com um pequeno grupo de pessoas, praticar exercícios regulares, além de psicoterapia cognitivo-comportamental.

À medida que este distúrbio evolui, a pessoa pode ter mais dificuldade de andar, engolir, mastigar e até de controlar a bexiga ou o intestino e, desta forma, podem ser necessárias sessões de fisioterapia e fonoaudiologia, que ajudem a pessoa a realizar essas atividades diárias.

Diferença entre demência frontotemporal e doença de Alzheimer

Apesar de terem sintomas parecidos, a demência frontotemporal não apresenta as mesmas alterações da doença de Alzheimer. Além disso, na maioria das vezes, este tipo de demência é diagnosticado em pessoas entre os 40 e os 60 anos, diferente do que ocorre na doença de Alzheimer em que o diagnóstico é feito, principalmente, após os 60 anos.

Na demência frontotemporal também é mais comum surgirem problemas de comportamento, alucinações e delírios do que perda de memória, que é um sintoma mais frequente na doença de Alzheimer. No caso da demência frontotemporal, a perda de memória tende a acontecer principalmente nas fases mais avançadas. Confira quais são outros sinais e sintomas da doença de Alzheimer.

Esta informação foi útil?

Bibliografia

  • BMJ PUBLISHING. Demência frontotemporal. Disponível em: <https://bestpractice.bmj.com/topics/pt-br/968>. Acesso em 02 Dez 2019
  • GUIMARÃES, Joana et al. Demência Frontotemporal Que Entidade?. Acta Med Port. Vol.19. 319-324, 2006
  • ALZHEIMER'S ASSOCIATION. Frontotemporal Dementia. 2019. Disponível em: <https://www.alz.org/alzheimers-dementia/what-is-dementia/types-of-dementia/frontotemporal-dementia>. Acesso em 02 Dez 2019
  • NATIONAL INSTITUTE ON AGING. What Causes Frontotemporal Disorders?. Disponível em: <https://www.nia.nih.gov/health/what-causes-frontotemporal-disorders>. Acesso em 02 Dez 2019
  • OLNEY, Nicholas T. et al. Frontotemporal Dementia. Neurol Clin. Vol.35, n.2. 339–374, 2017
  • BUDSON, Andrew E.; SOLOMON, Paul R. Perda da memória, doença de Alzheimer e demência. 2.ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2018. 93-102.
  • RODRÍGUEZ Iidefonso et al.. Demencia frontotemporal: revisión y nuestro punto de vista. Revista Mexicana de Neurociencia. Vol.19. 20-31, 2018
  • TEIXEIRA, António; SALGADO, João. Demência fronto-temporal: aspectosclínicos e terapêuticos. Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul. Vol.28, n.1. 69-76, 2006
Mais sobre este assunto: