Sibutramina faz mal para a saúde?

A sibutramina é um remédio indicado como auxiliar na perda de peso em pessoas com um índice de massa corporal (IMC) maior que 30 kg/m2, após uma avaliação rigorosa pelo médico. Esse remédio age aumentando os níveis de substâncias químicas no corpo, como serotonina e noradrenalina, que agem nos neurônios no cérebro, mas também tem ação nos nervos em outras partes do corpo que comandam as funções do sistema cardiovascular, o que pode trazer benefícios no emagrecimento, mas também pode causar efeitos colaterais graves.

Alguns estudos [1,2] mostram que a sibutramina pode fazer mal para a saúde, pois devido a sua ação no sistema cardiovascular, esse remédio pode causar uma contração dos vasos sanguíneos, e levar ao aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial, o que pode aumentar o risco de problemas cardiovasculares graves em pessoas que têm risco para desenvolvê-las. 

Por esse motivo, a sibutramina teve sua comercialização suspensa na Europa e passou a ter um maior controle das prescrições no Brasil. Assim, este medicamento só deve ser utilizado com orientação médica, uma vez que os seus efeitos colaterais podem ser graves e não compensar seu benefício emagrecedor. Além disso, alguns estudos indicam que, ao interromper a medicação, os pacientes podem voltar ao seu peso anterior com grande facilidade e algumas vezes engordam mais, ultrapassando o peso anterior.

Sibutramina faz mal para a saúde?

Os efeitos colaterais mais graves que podem ocorrer durante o uso de sibutramina são:

1. Aumento do risco de doenças cardiovasculares

A sibutramina é um remédio que aumenta o risco de infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral, parada cardíaca e morte cardiovascular, já que tem como efeitos colaterais o aumento da pressão arterial e alterações na frequência cardíaca.

2. Depressão e ansiedade

Em alguns casos, o uso de sibutramina também está associado ao desenvolvimento de depressão, psicose, ansiedade e mania, incluindo tentativas de suicídio.

3. Retorno ao peso anterior

Alguns estudos indicam que, ao interromper a medicação, muitos dos pacientes retornam ao seu peso anterior com grande facilidade e algumas vezes engordam ainda mais, podendo ultrapassar o peso que tinham antes de iniciar a toma de sibutramina.

Outros efeitos colaterais que podem ser causados por este remédio são prisão de ventre, boca seca, insônia, dor de cabeça, aumento do suor e alterações do paladar.

Quando se deve interromper o uso de sibutramina

O uso da sibutramina deve ser interrompido pelo médico nas seguintes situações: 

  • Alterações na frequência cardíaca ou aumentos clinicamente relevantes da pressão arterial;
  • Transtornos psiquiátricos, como ansiedade, depressão, psicose, mania ou tentativa de suicídio;
  • Perda de peso inferior a 2 kg após 4 semanas de tratamento com a dose mais alta;
  • Perda de peso após 3 meses de tratamento inferior a 5% em relação a inicial;
  • Estabilização da perda de peso em menos de 5% em relação a inicial;
  • Aumento de 3 kg ou mais de peso corporal após prévia perda.

Além disso, o tratamento não deve ser superior a um ano e deve ser feita uma frequente monitorização da pressão arterial e da frequência cardíaca.

Quem não deve usar

A sibutramina não deve ser usada em pessoas com história de distúrbios maiores de apetite, doenças psiquiátricas, síndrome de Tourette, história de doença coronariana, insuficiência cardíaca congestiva, taquicardia, doença oclusiva arterial periférica, arritmias e doença cerebrovascular, hipertensão não controlada, hipertiroidismo, hipertrofia da próstata, feocromocitoma, história de abuso de substância psicoativa e álcool, gravidez, lactação e idosos com mais de 65 anos de idade. 

Como tomar sibutramina de forma segura

A sibutramina só deve ser utilizada sob prescrição médica, depois de uma avaliação criteriosa do histórico de saúde da pessoa e com o preenchimento do termo de responsabilidade pelo médico, que deve ser entregue na farmácia no momento da compra.

No Brasil, a sibutramina pode ser usada pessoas que sofrem de obesidade, que tenham IMC igual ou superior a 30, em complemento à dieta e atividade física.

Saiba mais informações acerca da sibutramina e entenda quais são as suas indicações.

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Bibliografia

  • SCHEEN, A. J. Cardiovascular Risk-Benefit Profile of Sibutramine. American Journal of Cardiovascular Drugs. 10. 321–334, 2010
  • SCHEEN, André J. Sibutramine on Cardiovascular Outcome. Diabetes Care. 34. 2; S114–S119, 2011
  • CAMPOS, Larissa Soares. ESTUDO DOS EFEITOS DA SIBUTRAMINA. Revista UNINGÁ Review. 20. 3; 50-53, 2014
  • SILVA, Viviana Peixoto. O USO DE SIBUTRAMINA NO TRATAMENTO DE PACIENTES OBESOS . Monografia, 2011. Faculdade de Educação e Meio Ambiente.
  • ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA PARA O ESTUDO DA OBESIDADE E SÍNDROME METABÓLICA (ABESO) . Uso da sibutramina no tratamento da obesidade refratária a medidas não farmacológicas em pacientes que não apresentem fatores de risco cardiovasculares. 2019. Disponível em: <http://conitec.gov.br/images/Consultas/Dossie/2019/Dossie_Abeso_25000_091039_2019_77.pdf>. Acesso em 22 Nov 2021
  • MOREIRA, E. F.; et al. Quais os riscos-benefíciosda sibutramina no tratamento da obesidade. Brazilian Journal of Development. 7. 5; 42993-43009, 2021
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