Coceira nos olhos: o que pode ser e o que fazer

agosto 2022

A coceira nos olhos pode surgir devido a alergias a poeira, fumaça, pólen ou pêlos de animais, uso de lentes de contato ou fadiga ocular, mas também pode surgir devido a inflamações ou infecções no olho, como no caso da conjuntivite, meibomite, terçol ou herpes ocular.

Dependendo da sua causa, a coceira no olho esquerdo pode ser acompanhada de outros sintomas como inchaço, vermelhidão, sensação de queimação, aumento da sensibilidade à luz, diminuição da capacidade visual, lacrimejamento excessivo ou dor de cabeça, por exemplo.

É importante consultar o oftalmologista, sempre que surjam sintomas de coceira no olho, para que seja feita uma avaliação e identificação da causa da dor, e, assim, ser indicado  o tratamento mais adequado, que pode ser feito com uso de óculos de correção visual, uso de lágrima artificial ou, em alguns casos, uso de remédios

As principais causas de coceira nos olhos são:

1. Alergias 

O surgimento de coceira nos olhos é quase sempre um sintoma de alergia, seja provocada por comida ou por fatores ambientais, como poeira, pêlos ou fumaça, sendo, nestes casos, conhecida como conjuntivite alérgica. 

Normalmente, a alergia é facilmente reconhecida, porque a coceira no olho surge frequentemente após o contato com uma substância específica e pode ser acompanhada de outros sintomas, como vermelhidão nos olhos, lacrimejamento, sensação de areia no olho, nariz escorrendo ou entupido, ou espirros constantes.

Este tipo de alteração nos olhos é mais frequente na primavera e verão, pois são épocas do ano em que existe maior concentração de alergênios no ar.

O que fazer: evitar estar em contato com substâncias que se sabe ter alergia e aplicar colírios hidratantes no olho para reduzir o desconforto e aliviar a irritação, conforme orientação do oftalmologista. Veja mais formas de tratar a conjuntivite alérgica.  

2. Síndrome do olho seco

A síndrome do olho seco é um distúrbio ocular crônico que ocorre devido à deficiência na produção de lágrima ou à evaporação excessiva da lágrima, que é responsável por lubrificar o globo ocular, fazendo com que o olho fique mais irritado, e levando ao surgimento de sintomas, como coceira intensa, vermelhidão, sensação de queimação, picada ou de cisco nos olhos, sensibilidade à luz e visão embaçada.

A síndrome do olho seco, também conhecida como ceratoconjuntivite seca, é mais frequente em pessoas idosas, devido ao envelhecimento natural do corpo, mas também pode surgir devido a menopausa ou condições de saúde, como artrite reumatóide, síndrome de Sjogren, lupus ou blefarite.

Além disso, em pessoas que costumam ficar muito tempo no computador ou no celular ou que trabalham em ambientes muito secos ou com ar condicionado, ou que utilizam incorretamente lentes de contato ou fazem uso de alguns remédios, como antialérgicos ou pílula anticoncepcional.

O que fazer: é importante manter a lubrificação do olho, sendo indicado o uso de colírios ou lágrimas artificiais, de acordo com a recomendação do oftalmologista, para evitar que os olhos fiquem muito secos. Além disso, no caso da síndrome do olho seco estar relacionada com o fato de se passar muito tempo no computador, é recomendado que a pessoa tente piscar mais vezes durante o dia, pois isso ajuda a evitar o aparecimento dos sintomas. Veja todas as opções de tratamento para a síndrome do olho seco.  

3. Fadiga ocular

A fadiga ocular acontece devido ao esforço excessivo dos músculos dos olhos ao focar imagens da tela do computador, tablets ou celular, causando cansaço ocular e levando à coceira

Além da coceira nos olhos, a fadiga ocular, também chamada de astenopia, pode causar sensação de peso ou irritação nos olhos, dor de cabeça frequente, maior sensibilidade à luz, dificuldade para se concentrar e cansaço generalizado.

O que fazer: é importante fazer pausas regulares no uso do computador, tablet ou celular, aproveitando para descansar os olhos. Uma boa dica consiste em olhar para um objeto que esteja a mais de 6 metros, durante 40 segundos a cada 40 minutos. Além disso, pode-se utilizar óculos de grau prescritos pelo oftalmologista ou óculos que possuem filtros especiais para bloquear a luz azul emitida por esses aparelhos eletrônicos. 

4. Terçol

O terçol é a inflamação em uma pequena glândula na pálpebra, como a glândula de Zeis, de Moll ou meibomiana, levando ao surgimento de uma bolinha na pálpebra e sintomas como coceira no olho, lacrimejamento excessivo, dor, inchaço ou vermelhidão na pálpebra.

O terçol, chamado cientificamente de hordéolo, acontece principalmente devido à infecção por bactérias, seborreia, acne ou blefarite crônica, por exemplo.

O que fazer: o terçol normalmente desaparece sozinho depois de 3 a 5 dias sem que seja necessário tratamento específico, podendo-se fazer compressas mornas para ajudar a desinchar e aliviar os sintomas. No entanto, se o terçol não melhorar, deve-se consultar o oftalmologista que pode indicar o tratamento com pomada ou colírio com antibiótico. Veja todas as opções de tratamento para o terçol

5. Blefarite

A blefarite é a inflamação da pálpebra devido à alteração nas glândulas de meibomio, que são responsáveis por manter a umidade do olho, resultando em sintomas como crostas em volta do olho, coceira, vermelhidão no olho, inchaço das pálpebras e lacrimejamento dos olhos, podendo esses sintomas surgirem de um dia para o outro.

O que fazer: o tratamento da blefarite deve ser orientado pelo oftalmologista que pode indicar o uso de compressas mornas no olho por cerca de 3 minutos 3 vezes ao dia para aliviar os sintomas e limpeza adequada dos olhos com colírio próprio. Em alguns casos, especialmente quando a blefarite é recorrente, o médico pode receitar pomadas de anti-inflamatório ou antibióticos para os olhos. Veja como é o tratamento para blefarite.  

6. Uso de lentes de contato

O uso de lentes de contato também pode causar coceira no olho, especialmente quando não é feita a correta limpeza das lentes, o que aumenta o risco de contaminação das lentes por bactérias, vírus ou fungos, levando ao surgimento de inflamação ou infecção no olho, e sintomas como dor, vermelhidão ou formação de remelas.

Nos casos mais graves, o uso de lentes de contato também podem levar à formação de úlceras ou inflamação intensa na córnea.

O que fazer: o tratamento das inflamações ou infecções causadas por lentes de contato contaminadas, deve ser orientado pelo oftalmologista de acordo com o tipo de infecção ou inflamação. Além disso, como forma de evitar o surgimento de problemas no olho, deve-se fazer a correta higienização das lentes de contato. Saiba como fazer a higienização das lentes de contato corretamente

7. Conjuntivite

A conjuntivite é uma inflamação da membrana que reveste os olhos e as pálpebras, a conjuntiva, devido a infecção por vírus, fungos ou bactérias, levando ao surgimento de coceira intensa no olho, dor, inchaço, vermelhidão ou excesso de remela.

A conjuntivite pode ser facilmente transmitida de pessoa para pessoa, principalmente se houver contato direto com as secreções ou objetos contaminados. Além disso, a conjuntivite também pode surgir devido a alergia a poeira, pólen, pêlo de animais ou ácaro, por exemplo. Veja outras causas da conjuntivite alérgica.  

O que fazer: deve-se consultar o oftalmologista para iniciar o tratamento mais adequado que varia de acordo com o tipo de conjuntivite, podendo ser indicado o uso de colírios para lubrificar o olho, pomadas anti-inflamatórias ou de antibiótico, por exemplo. Além disso, para evitar o contágio ​​da conjuntivite, é importante evitar coçar os olhos, lavar frequentemente as mãos e evitar compartilhar objetos pessoais como óculos ou maquiagem, por exemplo. Veja outros cuidados para evitar o contágio e acelerar a recuperação da conjuntivite.  

Assista o vídeo a seguir e saiba mais sobre os remédios mais indicados pelo oftalmologista para o tratamento da conjuntivite:

8. Meibomite

A meibomite é um caroço um pequeno caroço vermelho na pálpebra, doloroso e com uma mancha amarelada no centro, semelhante a uma espinha, que pode causar coceira no olho, dor, inchaço e vermelhidão da pálpebra, sensação de cisco no olho, ou visão turva, por exemplo.

A meibomite, conhecida popularmente como chiqueiro, é uma inflamação ou infecção das glândulas de Meibômio, localizadas nas pálpebras superiores e inferiores dos olhos, responsáveis por produzir um óleo que lubrifica os olhos e evita que as lágrimas evaporem rapidamente.

Geralmente, a meibomite pode surgir devido a uso de lentes de contato, exposição à ambientes com baixa umidade do ar ou uso de ar condicionado, alterações hormonais ou rosácea, por exemplo.

O que fazer: o tratamento da meibomite deve ser feito com orientação do oftalmologista, de acordo com a gravidade dos sintomas, podendo ser indicado a aplicação de compressas mornas nas pálpebras, uso de colírios lubrificantes, corticóides ou antibióticos, ou nos casos mais graves, cirurgia. Veja todas as opções de tratamento para a meibomite.  

9. Herpes ocular

A herpes ocular, é uma infecção causada pelo vírus herpes simples tipo 1, que pode atingir um ou os dois olhos e levar ao aparecimento de sintomas semelhantes aos da conjuntivite, como coceira nos olhos, lacrimejamento excessivo, inchaço, vermelhidão, irritação no olho, visão embaçada, bolhas ou úlceras próximo ao olho avermelhadas e contendo líquido. 

A herpes ocular é contagiosa, podendo ser facilmente transmitida de pessoa para pessoa, através do contato da pele com as bolhas contendo o líquido da herpes ocular, ou ainda contato acidental com o líquido contido nas bolhas do herpes nos lábios, quando se toca na bolha e depois as mãos tocam os olhos. 

O que fazer: deve-se consultar o oftalmologista o mais rápido possível, para iniciar o tratamento, para evitar complicações, como a cegueira. Geralmente, são indicados pelo médico o uso de pomadas oftálmicas ou colírios antivirais ou corticóides, antivirais orais ou antibióticos. Veja os principais remédios para herpes ocular

10. Dermatite periocular

A coceira no olho também pode ser causada por dermatite periocular, que é um distúrbio dermatológico que causa inflamação da pele ao redor dos olhos ou das pálpebras, causando coceira no olho, vermelhidão, inchaço ou sensação de queimação no olho.  

A dermatite periocular pode ser causada por alergia à produtos cosméticos, como maquiagens ou cremes para os olhos, ou alergia ao pólen ou alimentos, por exemplo, sendo mais comum em pessoas que possuem dermatite de contato alérgica ou dermatite atópica, mas também pode surgir devido a dermatite seborréica, rosácea ou psoríase, por exemplo. 

O que fazer: é importante identificar a substância que causou a alergia, de forma a evitá-la. Além disso, pode-se aplicar compressas frias para aliviar o inchaço e a vermelhidão do olho, e utilizar remédios receitados pelo oftalmologista, como corticóides na forma de pomadas ou comprimidos. Veja todas as opções de tratamento para a dermatite de contato

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Atualizado por Flávia Costa - Farmacêutica, em agosto de 2022. Revisão médica por Dr. Arthur Frazão - Oftalmologista, em janeiro de 2018.

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Revisão médica:
Dr. Arthur Frazão
Oftalmologista
Médico generalista, especialista em Oftalmologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em 2008, com registro profissional no CRM/PE 16878

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