Conjuntivite alérgica: o que é, sintomas, causas e tratamento

Revisão médica: Dr. Arthur Frazão
Oftalmologista
agosto 2022
  1. Sintomas
  2. Causas
  3. Tipos
  4. Tratamento

A conjuntivite alérgica é a inflamação da conjuntiva, que é a membrana que reveste a parte branca dos olhos e o interior das pálpebras, e ocorre devido a exposição à substâncias que causam alergia, como pólen, poeira ou pêlos de animais, levando ao surgimento de vermelhidão, coceira intensa no olho, dor, inchaço, ou produção excessiva de lágrimas.

A conjuntivite alérgica é mais frequente na primavera e verão, ou quando o tempo está mais seco, pois são épocas em que existe maior concentração de poeira e ácaros no ar, que não só podem desenvolver a conjuntivite alérgica como também outras reações alérgicas como a rinite alérgica, por exemplo.  

Na maioria dos casos, não é necessário nenhum tipo específico de tratamento, sendo apenas recomendado evitar o contato com substância que causa alergia. No entanto, existem colírios, que podem ser recomendados pelo oftalmologista, que podem ajudar a aliviar os sintomas e reduzir o desconforto.

Sintomas da conjuntivite alérgica

Os sintomas mais comuns da conjuntivite alérgica incluem:

  • Coceira intensa nos olhos;
  • Aumento da secreção clara e aquosa, ou espessa nos olhos;
  • Lacrimejamento constante;
  • Remela no olho, especialmente pela manhã;
  • Vermelhidão dos olhos;
  • Dor no olho;
  • Inchaço nas pálpebras;
  • Visão turva ou embaçada;
  • Diminuição da capacidade visual;
  • Sensação de areia nos olhos;
  • Aumento da sensibilidade à luz.

Estes sintomas geralmente surgem nos dois olhos ao mesmo tempo, e são semelhantes a qualquer outro tipo de conjuntivite, por isso, é importante consultar o oftalmologista, para que seja feito o diagnóstico, identificado o tipo de conjuntivite e iniciado o tratamento mais adequado, se necessário. Saiba identificar os principais tipos de conjuntivite

A conjuntivite alérgica não é contagiosa e portanto não passa de uma pessoa para a outra.

Como confirmar o diagnóstico

O diagnóstico da conjuntivite alérgica é feito pelo oftalmologista através da avaliação dos sintomas, histórico de saúde e do exame dos olhos.

Além disso, durante o exame dos olhos, o médico pode colocar uma gota de um corante de fluoresceína na superfície de cada olho, para verificar se existem lesões na córnea.

Geralmente, não são necessários exames laboratoriais, no entanto, o médico pode solicitar um teste de alergia, para identificar qual substância está causando a conjuntivite alérgica. Veja como é feito o teste de alergia

Possíveis causas

A conjuntivite alérgica é causada pela liberação de substâncias alérgicas no corpo, como histamina, quando em contato com substâncias alérgicas, resultando na inflamação da conjuntiva e surgimento dos sintomas. 

As principais substâncias ou fatores que podem causar alergia e o desenvolvimento da conjuntivite alérgica são:

  • Poeira;
  • Pólen;
  • Ácaro;
  • Fungos;
  • Fumaça;
  • Poluição do ar;
  • Pêlos de animais domésticos;
  • Plantas;
  • Maquiagem nos olhos;
  • Cola para cílios postiços;
  • Produtos cosméticos;
  • Cloro da piscina;
  • Lente de contato.

Dessa forma, as pessoas mais afetadas com este tipo de conjuntivite são as que já têm conhecimento de outras alergias, o que é mais comum em crianças e jovens adultos.

Além disso, a conjuntivite alérgica também pode surgir em pessoas com histórico pessoal ou familiar de dermatite atópica, eczema, asma ou urticária, por exemplo, sendo esse tipo de conjuntivite alérgica, conhecida como conjuntivite atópica. 

Tipos de conjuntivite alérgica

A conjuntivite alérgica pode ser classificada de acordo com a substância que se tem alergia, época do ano e gravidade dos sintomas, sendo as principais:

  • Conjuntivite alérgica aguda: esse tipo de conjuntivite surge de forma repentina, após a exposição às substâncias alérgicas, e geralmente, melhora após um dia ao evitar o contato com a substância alérgica;
  • Conjuntivite alérgica sazonal ou conjuntivite da febre do feno: geralmente surge na primavera, devido à alergias à poeira, ácaro ou pólen, que nessa época possuem maiores quantidades no ar;
  • Conjuntivite alérgica perene: esse tipo de conjuntivite geralmente ocorre ao longo do ano, sendo os sintomas mais leves e crônicos, causada por alergia a pêlos de animais ou poeira e ácaro, por exemplo;
  • Conjuntivite primaveril, ceratoconjuntivite vernal ou ceratoconjuntivite atópica: é o tipo de conjuntivite alérgica que apresenta sintomas mais graves, sendo mais comum em crianças, especialmente meninos, e em pessoas que vivem em climas muito secos ou quentes, ou que sofrem de eczema, asma, urticária ou dermatite atópica.

Além disso, outro tipo de conjuntivite alérgica é a conjuntivite papilar gigante, que surge devido ao contato com um objeto diretamente no olho, como lente de contato, prótese ocular, ou pontos de cirurgias oculares, por exemplo.

Como é feito o tratamento

O tratamento da conjuntivite alérgica deve ser feito com orientação do oftalmologista, sendo sempre recomendado evitar o contato com as substâncias que estão provocando a alergia. Assim, é importante manter a casa livre de poeira, evitar abrir as janelas de casa durante a primavera e não usar produtos com substâncias com químicos, como perfumes ou maquiagem, por exemplo.

Além disso, o médico pode orientar colocar compressas geladas em cima dos olhos por 15 minutos ou usar colírios hidratantes, como Lacril, Systane ou Lacrima Plus, para ajudar a aliviar os sintomas durante o dia.

Já no caso de a conjuntivite não melhorar ou caso surja muito frequentemente, o oftalmologista pode indicar o uso de colírios antialérgicos ou corticóides, por exemplo. Nos casos mais graves, esses remédios podem ser indicados também na forma de comprimidos. Veja os principais tipos de colírios para conjuntivite.

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Atualizado por Flávia Costa - Farmacêutica, em agosto de 2022. Revisão médica por Dr. Arthur Frazão - Oftalmologista, em fevereiro de 2016.

Bibliografia

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Revisão médica:
Dr. Arthur Frazão
Oftalmologista
Médico generalista, especialista em Oftalmologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em 2008, com registro profissional no CRM/PE 16878

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