Cirurgia robótica: o que é, tipos (e como funciona)

Cirurgia robótica é uma técnica moderna de cirurgia minimamente invasiva na qual o médico utiliza um sistema robótico para auxiliar no procedimento, controlando os movimentos por meio de comandos manuais e de uma tela de alta definição.

Durante a cirurgia, pequenos instrumentos são conectados aos braços robóticos e inseridos no corpo através de pequenas incisões. Esses braços permitem movimentos mais precisos, delicados e estáveis.

A cirurgia robótica é utilizada em diversas áreas da medicina, incluindo urologia, ginecologia, cirurgia geral, cardíaca, torácica e oncológica. Entre os procedimentos mais realizados estão cirurgias de próstata, retirada de tumores e histerectomias.

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Tipos de cirurgia robótica

Os principais tipos de cirurgia robótica são:

1. Cirurgia robótica de próstata 

A cirurgia robótica é frequentemente indicada para o tratamento do câncer de próstata, especialmente na prostatectomia radical. Conheça o tratamento do câncer de próstata.

Essa cirurgia permite maior precisão na remoção do tumor e pode ajudar a preservar estruturas importantes ao redor, como nervos responsáveis pela continência urinária e função sexual.

2. Cirurgia robótica para diástase 

A cirurgia robótica pode ser utilizada em alguns casos para corrigir a diástase dos músculos retos abdominais, que é o afastamento desses músculos na região do abdômen. Saiba o que é diástase abdominal.

Com o auxílio da robótica, o cirurgião consegue realizar a sutura dos músculos com maior precisão e estabilidade, por meio de pequenas incisões.

3. Cirurgia robótica ginecológica

Na ginecologia, é usada principalmente para a retirada do útero, chamada histerectomia, e tratamento de doenças como miomas e endometriose.

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A técnica facilita movimentos delicados em regiões pélvicas de difícil acesso, reduzindo sangramento e acelerando a recuperação.

4. Cirurgia robótica oncológica

A cirurgia robótica também pode ser indicada para a remoção de tumores em diferentes partes do corpo, sendo útil em casos em que é necessário operar com alta precisão para preservar tecidos saudáveis ao redor da lesão.

5. Cirurgia robótica no rim

Em casos de procedimentos nos rins e em outras estruturas do sistema urinário, a cirurgia robótica é especialmente útil, como a remoção de tumores renais ou reconstruções complexas.

6. Cirurgia robótica do aparelho digestivo

Em procedimentos como cirurgias intestinais ou do estômago, a técnica robótica ajuda a realizar suturas mais precisas e manipulação cuidadosa dos tecidos, o que pode reduzir complicações e o tempo de internação.

7. Cirurgia robótica torácica

É utilizada em operações no tórax, como cirurgias pulmonares. A visão ampliada e os movimentos precisos ajudam o cirurgião a atuar em áreas delicadas e profundas com maior controle.

Cirurgia robótica no Brasil

A cirurgia robótica no Brasil vem crescendo nos últimos anos e já é realizada em hospitais públicos e privados, principalmente em grandes centros e instituições de referência, em áreas como urologia, ginecologia, oncologia, torácica e cardíaca.

O Brasil possui regulamentação para o uso da cirurgia robótica, estabelecida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), que define regras para treinamento dos cirurgiões, uso dos equipamentos e segurança das pessoas. 

Além disso, hospitais de grande porte contam com programas de capacitação e equipes especializadas para operar os sistemas robóticos.

Quando é indicada

A cirurgia robótica geralmente é indicada quando se busca:

  • Aumentar a precisão e o controle dos movimentos cirúrgicos;
  • Reduzir a perda de sangue durante a cirurgia e a necessidade de transfusões;
  • Diminuir a dor no pós-operatório;
  • Acelerar a recuperação e reduzir o tempo de internação hospitalar.

Além disso, a cirurgia robótica também é indicada para ajudar a reduzir o risco de infecção devido ao menor tamanho das incisões, já que cortes menores diminuem a exposição dos tecidos e favorecem uma recuperação mais segura e rápida.

Qual a diferença entre cirurgia robótica e laparoscopia?

A cirurgia robótica e a laparoscopia são duas técnicas minimamente invasivas, ou seja, ambas utilizam pequenas incisões no corpo em vez de cortes grandes, o que geralmente reduz a dor e acelera a recuperação. Veja como é feita a laparoscopia.

No entanto, na laparoscopia, o médico opera diretamente com instrumentos, olhando para uma tela que mostra o interior do corpo em imagem ampliada. Já na cirurgia robótica, o cirurgião não manipula os instrumentos diretamente. 

Como funciona

A cirurgia robótica é realizada em etapas que combinam tecnologia avançada e controle preciso do cirurgião, como:

  1. Iniciar o procedimento com anestesia geral para garantir conforto e ausência de dor;
  2. Realizar pequenas incisões na pele, geralmente entre 5 a 12 milímetros;
  3. Inserir pequenos tubos de acesso, chamados trocartes, para permitir a entrada dos instrumentos cirúrgicos no interior do corpo; 
  4. Conectar os instrumentos cirúrgicos aos braços do sistema robótico;
  5. Posicionar um segundo cirurgião e um enfermeiro instrumentista ao lado da pessoa para trocar os instrumentos nos braços robóticos e garantir a segurança durante todo o procedimento;
  6. Controlar todo o procedimento a partir de uma consola cirúrgica, com visualização do campo operatório em alta definição e em 3D, realizando movimentos com alta precisão e estabilidade.

Ao final da cirurgia robótica, os instrumentos são retirados do corpo e as pequenas incisões são fechadas com pontos ou adesivos cirúrgicos, já que normalmente são cortes muito pequenos.

O tempo de duração da cirurgia varia conforme o tipo de procedimento e a complexidade do caso, mas geralmente pode durar de uma a três horas.

Recuperação da cirurgia robótica

A recuperação da cirurgia robótica costuma ser mais rápida em comparação com a cirurgia tradicional, principalmente por ser um procedimento minimamente invasivo. 

Como as incisões são pequenas, a pessoa geralmente sente menos dor no pós-operatório e tem uma cicatrização mais rápida. 

Em muitos casos, a pessoa consegue se levantar e retomar atividades leves em pouco tempo, sempre seguindo as orientações médicas.

Nos primeiros dias após a cirurgia, é comum que a pessoa permaneça em observação no hospital por um período curto, apenas para garantir que está tudo evoluindo bem. 

Depois da alta, é necessário manter alguns cuidados em casa, como evitar esforços físicos, seguir corretamente o uso de medicamentos e comparecer às consultas de acompanhamento.

O tempo total de recuperação varia conforme o tipo de cirurgia e a condição de cada pessoa, mas geralmente é menor do que em procedimentos abertos, permitindo um retorno mais rápido às atividades do dia a dia.

Possíveis desvantagens

A cirurgia robótica pode apresentar algumas desvantagens, como:

  • Apresentar custo elevado;
  • Exigir treinamento longo e especializado para a equipe cirúrgica;
  • Aumentar o tempo inicial de preparação da cirurgia em alguns casos;
  • Depender de infraestrutura hospitalar altamente especializada.

A cirurgia robótica também pode limitar a sua aplicação, não sendo indicada para todas as situações, como alguns casos de emergência, cirurgias de trauma grave ou procedimentos que exigem acesso muito amplo e rápido ao corpo. 

Além disso, a cirurgia não substitui completamente a experiência e a decisão do cirurgião humano, que continua sendo o responsável por avaliar, conduzir e garantir a segurança de todo o procedimento.