Azitromicina: para que serve, como tomar e efeitos colaterais

Revisão médica: Dr. Gonzalo Ramirez
Clínico Geral e Psicólogo
maio 2022

A azitromicina é um antibiótico que age eliminando bactérias que causam infecções como sinusite, pneumonia, infecções da pele, ou doenças sexualmente transmissíveis, como a gonorreia ou a clamídia, por exemplo.

Este antibiótico pode ser comprado na forma de comprimido ou suspensão oral, estando disponível no mercado com os nomes comerciais Azi, Zithromax, Astro ou Azimix, por exemplo, ou com o nome genérico azitromicina di-hidratada, e é vendida somente com prescrição médica e retenção de receita pela farmácia.

A azitromicina também pode ser encontrada na forma de injeção, sendo utilizada somente em hospitais, sob a supervisão de um profissional de saúde.

Para que serve

A azitromicina é um antibiótico que serve para tratar:

  • Infecções respiratórias, como sinusite, faringite, bronquite ou pneumonia;
  • Infecção nos ouvidos, como a otite média;
  • Infecções na pele ou nos tecidos moles, como abscessos, furúnculos ou úlceras infectadas;
  • Infecções genitais ou urinárias, como uretrites ou cervicites.

Além disso, este medicamento pode ser utilizado no tratamento de doenças sexualmente transmissíveis, combatendo principalmente Chlamydia trachomatis, Haemophilus ducreyi e Neisseria gonorrhoeae, que são os agentes causadores da clamídia, cancro mole e gonorreia, respectivamente.

Azitromicina pode ser usada no tratamento da infecção por coronavírus?

A azitromicina é um antibiótico muito utilizado pelos médicos para o tratamento da pneumonia causada por bactérias, mas não possui nenhuma ação contra vírus, inclusive o coronavírus. 

No entanto, a COVID-19 pode causar pneumonia viral e, em casos graves, facilitar a entrada de bactérias nos pulmões causando pneumonia bacteriana e, por isso, a Organização Mundial de Saúde (OMS), somente recomenda o uso de antibióticos se a pessoa tiver uma infecção bacteriana. Além disso, a OMS não recomenda o uso de antibiótico para profilaxia de pneumonia bacteriana em pessoas com a COVID-19 leve ou moderada, a menos que haja sinais e sintomas de infecção bacteriana [1,2].

Dois estudos realizados no Reino Unido [3,4], em pacientes com COVID-19, mostraram que a azitromicina não reduz o tempo de recuperação ou o risco de hospitalização e que, no caso de pacientes hospitalizados, a azitromicina só deve ser usada em casos de infecção bacteriana. Além disso, o uso inadequado de antibióticos durante a pandemia pode causar aumento da resistência antimicrobiana. 

Ainda assim, mais estudos estão sendo feitos para entender a real eficácia da azitromicina contra o novo coronavírus, assim como identificar seus efeitos a longo prazo.  Saiba mais sobre os remédios que estão sendo estudados contra o novo coronavírus.

Como usar

A posologia da azitromicina depende da idade e da gravidade da infecção. Assim:

Uso em adultos: para o tratamento de doenças sexualmente transmissíveis causadas por Chlamydia trachomatis, Haemophilus ducreyi ou Neisseria gonorrhoeae, a dose recomendada é de 1000 mg, em dose única, via oral.

Para todas as outras indicações, a dose total de 1500 mg deve ser administrada em doses diárias de 500 mg, durante 3 dias. Alternativamente, a mesma dose total pode ser administrada durante 5 dias, em dose única de 500 mg no 1º dia e 250 mg, 1 vez ao dia, do 2º ao 5º dia.

Uso em crianças: geralmente, a dose total em crianças é de 30 mg/kg, administrada em dose única diária de 10 mg/kg, durante 3 dias, ou a mesma dose total pode ser administrada durante 5 dias, em dose única de 10 mg/kg no 1º dia e 5 mg/kg, 1 vez ao dia, do 2º ao 5º dia. Alternativamente, para o tratamento de crianças com otite média aguda, pode administrar-se uma dose única de 30 mg/kg. Não se deve exceder a dose diária de 500 mg.

Em alguns casos, o médico pode alterar a posologia da azitromicina em crianças e adultos. É importante que o antibiótico seja utilizado conforme orientação do médico, não devendo ser suspenso sem que haja indicação, pois pode levar à resistência bacteriana e complicações.

Efeitos Colaterais

Os efeitos colaterais mais comuns associados ao uso de azitromicina são náusea, vômito, diarreia, fezes moles, desconforto abdominal, prisão de ventre ou diarreia e gases. Além disso pode ocorrer tontura, sonolência e perda de apetite.

Veja também o que comer para diminuir os efeitos colaterais.

A Azitromicina corta o efeito do anticoncepcional?

A azitromicina não corta o efeito do anticoncepcional, no entanto pode provocar desequilíbrio da microbiota intestinal, resultando em diarreia e impedindo a absorção correta do anticoncepcional. Por isso, caso haja diarreia nas 4 horas após a toma do anticoncepcional, pode haver o risco da eficácia da pílula ser reduzida.

Quem não deve usar

O uso da azitromicina não deve ser usada por pessoas com alergia a qualquer componente da fórmula do medicamento e só deve ser usado na gravidez e durante a amamentação caso seja orientado pelo obstetra.

Além disso, não é recomendado para pessoas com doenças hepáticas, renais e com alterações do sistema cardiovascular devido aos possíveis efeitos colaterais e processo de absorção e metabolização do medicamento.

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Atualizado por Manuel Reis - Enfermeiro, em maio de 2022. Revisão médica por Dr. Gonzalo Ramirez - Clínico Geral e Psicólogo, em maio de 2022.

Bibliografia

  • GAUTRET, Philippe et al.. Clinical and microbiological effect of a combination of hydroxychloroquine and azithromycin in 80 COVID-19 patients with at least a six-day follow up: A pilot observational study. Travel Medicine and Infectious Disease. 2020
  • CRM-MA. Proposta de tratamento precoce para COVID-19. 2020. Disponível em: <https://drive.google.com/file/d/1X66r4mJYf1qoYQdgIxjNpW00Cp4sB6Un/view?usp=sharing>. Acesso em 13 mai 2020
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  • WHO - WORLD HEALTH ORGANIZATION. Antimicrobial stewardship programmes in health-care facilities in low- and middle-income countries. 2019. Disponível em: <https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/329404/9789241515481-eng.pdf?sequence=1&isAllowed=y>. Acesso em 19 mai 2021
  • BULLETIN OF THE WORLD HEALTH ORGANIZATION. Tackling antimicrobial resistance in the COVID-19 pandemic. 2020. Disponível em: <https://www.who.int/bulletin/volumes/98/7/20-268573/en/#:~:text=The%20guidance%20does%20not%20recommend,a%20bacterial%20infection%20exist>. Acesso em 19 mai 2021
  • PRINCIPLE Trial Collaborative Group. Azithromycin for community treatment of suspected COVID-19 in people at increased risk of an adverse clinical course in the UK (PRINCIPLE): a randomised, controlled, open-label, adaptive platform trial. The Lancet. 397. 10279; 1063-1074, 2021
  • RECOVERY Collaborative Group. Azithromycin in patients admitted to hospital with COVID-19 (RECOVERY): a randomised, controlled, open-label, platform trial. The Lancet. 397. 10274; 605-612, 2021
Revisão médica:
Dr. Gonzalo Ramirez
Clínico Geral e Psicólogo
Clínico geral pela UPAEP com cédula profissional nº 12420918 e licenciado em Psicologia Clínica pela UDLAP nº 10101998.